The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Edição Experimental

Terminou na semana passada a exposição dedicada à auto-edição que comissariei em Serralves com o Ricardo Nicolau. O objectivo inicial era mostrar objectos e projectos dos últimos vinte anos no Porto. Eu lembrava-me de muita dessa cena. Fiz parte dela, desenhando e pouco depois escrevendo. Ao entrevistar os protagonistas, folheando espólios, pasmou-me a fragilidade desse passado recente. Muitos projectos tinham desaparecido quando os seus autores se foram embora, mudaram de emprego, de área. Ou simplesmente perderam o interesse. Fui a umas tantas casas onde me tiraram de um armário de arrumos caixas de fanzines e revistas. As memórias eram enevoadas. Iam-se avivando na conversa. Leia o resto deste artigo »

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25 horas mínimo por semana

Vem aí uma exposição no Porto, no espaço Rampa do qual faço parte, dedicada às Guerrilla Girls. Perguntaram-me se não queria fazer qualquer coisa na programação paralela e acho que vou aproveitar para tratar de um tema difícil que é o das mulheres na história do design.

Investigar história tende a ser tido como uma actividade intelectual que está desligada na prática. Pela minha experiência, é algo físico, que se faz com o corpo, que nos curva as costas e estraga a vista. Precisa do seu tempo, precisa dos seus recursos. Tenho-me dedicado mais à história em parte porque me tornei pai. A minha esposa tem um emprego das nove às sete. A universidade deixa-me tempo para trabalhar em casa e assim, cabem-me os deveres de ir buscar e levar a minha filha à creche, de lhe preparar, dar o jantar e deitar quando estou sozinho. Mesmo quando está na creche, se a noite corre bem, e tenho ajuda, ocupa-me um mínimo de cinco horas por dia. É um mínimo (nunca atingido, sempre ultrapassado, meramente indicativo) de 25 horas nos dias úteis, bastante mais ao fim de semana. Leia o resto deste artigo »

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Boletim da Biblioteca na Biblioteca

Já tenho o primeiro boletim da exposição a Biblioteca na Biblioteca que co-comissariei com o Ricardo Nicolau em Serralves. O design é da Márcia Novais.

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Comunicar Design 2019 · Esad Caldas da Rainha

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É costume usar apresentações e conferências para testar ideias. Hoje na Esad das Caldas, ensaiei uma espécie de pré-história e história do design em Portugal, usando como base uma genealogia de publicações, entre outras, o álbum Portugal 1934 do SPN, o Notícias Ilustrado, o álbum da exposição do Mundo Português 1940, o álbum Portugal Um País que Importa conhecer. Interessou-me distinguir o designer actual do pintor-decorador do Estado Novo e dos tipógrafos. Aproveitei hoje ser 28 de Maio para mostrar como Salazar tinha uma relação pouco conhecida com a publicidade. As primeiras celebrações do dia em que foi fundada a ditadura foram usadas como ocasião para fazer propaganda ao Porto Borges. «Ditadura, brought to you by…»
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Comparações

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Um pequeno panfleto de propaganda salazarista comparando o Estado Novo com a Primeira República. Note-se a censura prévia vista como algo positivo na última imagem.IMG_5426IMG_5424IMG_5425

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Ainda mais coincidentes

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Não conseguia encontrar em casa o de cima.Queria-o por causa dos dentes. Enquanto o procurava encontrei o de baixo – que nunca tinha reparado usava a mesma dentadura.

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Um ano d’o design que o design não vê

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Faz pouco mais de um ano que saiu, e ainda tenho bastante orgulho no meu livrinho, sobretudo do ensaio que lhe dá o nome. Posso estar enganado, mas é capaz de ser o único editado em Portugal fora da academia a tratar a relação estrutural e  histórica do design com o racismo, a discriminação de género e de classe. Leia o resto deste artigo »

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Coincidentes

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O Blurb

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Os blurbs são aqueles elogios que aparecem nas capas ou contracapas dos livros. Podem ser feitos por convidados. Lembro-me de um do Steve Martin: «Eu ri. Eu chorei. Depois, agarrei no livro e li-o.» O que eu não sabia é que Blurb é o nome de um personagem ficcional, Belinda Blurb, inventada pelo escritor Gelett Burgess para se desfazer em elogios na capa de um dos seus livros.

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Conferência

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Dia 28 vou falar às Caldas. Já sei sobre o que quero falar mas prefiro não dizer nada para já.

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O Olho Agarrado à Palavra

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Abre-se um caixote enquanto se procura outra coisa e eis que lá estão, os Anos 70 Poemas Dispersos, do Alexandre O’Neill, da Assírio & Alvim. Inclui alguns poemas gráficos difíceis de apanhar, porque publicados em jornais e revistas ou porque foram esquartejados em outras ocasiões. Leia o resto deste artigo »

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O Designer Como Grunho

O design em Portugal envelhece. Já há muito tempo que não ouço ninguém com a lenga lenga do «é preciso trazer o design para Portugal». Seria absurdo. Aparecem sempre os que dizem que é preciso trazer o design «a sério», o que significa apenas «o deles». O design envelhece e às vezes parece que não aprende muita coisa. A proporção de mulheres a estudar design é consistentemente maior desde há anos. Tenho aulas onde praticamente só vão mulheres. Mas mesmo assim ainda se apanha gente a dizer que o design é uma coisa de homens. E diz-se que isso é por causa dos trabalho que os filhos dão ou da incapacidade para praticar a coisa à homem – “à patrão”, queira isso dizer “à bruta” ou “com charme”, não é muito fácil de distinguir. É um meio que não leva mulheres a sério (ou qualquer pessoa que não jogue por essas regras). Não é apenas o modo de trabalhar à antiga, porque já anda por aí uma versão 2.0, igualmente troglodita, alimentada a politicamente incorrecto e a “liberdade de expressão” – para dizer alarvidades em nome da informalidade. Tudo isto não é só conversa, como é evidente, mas é o software da coisa. Daí que seja útil ter uma formação que inclua uma história que seja crítica e não apenas transmitir o património e as lendas da profissão. E uma crítica que inclua feminismo, estudos culturais, política, etc. Porém, é comum achar-se que os alunos ainda não têm maturidade para isto (mesmo no ensino superior). Pela minha parte, se têm idade para ouvir ou fazer comentários sexistas, se têm idade para estagiar, têm mais do que idade para perceber o que isso implica.

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Richard Hollis

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A colecção de textos dispersos de Richard Hollis, About Graphic Design, tem-me sido um consolo e um prazer. São o tipo de textos que se escreve quando se escreve por encomenda sobre design, para conferências, para introduções, para revistas, para obituários. Como o próprio Hollis refere na curta introdução, cobrem assuntos que permaneceriam estrangeiros aos seus interesses não fosse o ser espicaçado pelos editores. Trata cada um desses assuntos com interesse, aquele sentido de perplexidade organizada que os melhores críticos cultivam. Diz ele, designer, que, para escrever sobre colegas, «it helps to puzzle out what is meant by “Graphic Design”.» O consolo deriva disso, desse puzzle out. Não escreve, como tantos, para apregoar o que é ou devia ser o design, e quem é ou não devia ser designer. Não trata o design como uma colecção de chavões, de certezas, mas como um problema constante.

O seu Graphic Design – A Concise History foi a primeira história do design que tive a boa sorte de comprar. Falo de sorte apenas no sentido coloquial, porque na verdade me limitei a beneficiar dos bons dons de estratego do próprio Hollis: fez uma história acessível, que se pode comprar por dez libras, pouco mais de onze euros e meio. Podem-se comprar cinco destas histórias pelo preço que custa a ainda muito usada história do design gráfico de Philip Meggs, e fica-se bem melhor servido.

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Genealogias

A história do design português – e não só – tem formatos tão comuns que já nem se repara neles. Usam-se porque estão à mão de semear. Dão jeito. Se a história fosse uma app, seriam presets, filtros pronto a usar que dão logo um ar mais profissional à coisa. O mais comum é a biografia. Atribuindo uma série de objectos a uma pessoa, tornando-os na sua obra e fazendo dessa pessoa um autor, cria-se a mais simples e mais cativante das narrativas. Percebe-se o designer porque a sua vida faz assim sentido, tem um arco narrativo de crescimento, de auto-descoberta, de aprendizagem que a coloca perante problemas que são resolvidos, aliados com que se colabora ou inimigos com que se guerreia. A biografia permite alisar problemas, contradições, encaixando-os numa solução em formato de pessoa. Leia o resto deste artigo »

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Decorativos e felizes

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O Notícias Ilustrado, suplemento semanal do Diário de Notícias, era provavelmente o periódico português de grande circulação com o grafismo mais inovador. Foi durante muito tempo o único impresso em rotogravura, uma técnica que fazia da página uma só unidade, uma só imagem, valorizando a fotografia, a colagem e a sua interacção com o texto. Leitão de Barros, hoje mais conhecido como cineasta, foi o seu director artístico. Ensaiou em Portugal técnicas de edição e composição editorial ao nível do que de melhor se praticava no mundo. Leia o resto deste artigo »

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Coisas que são como o Dartacão

Há filmes ou, pior ainda, séries que são como a música do Dartacão. Era uma vez os três, os famosos não nos saem da cabeça, do pequeno Dartacão não nos saem da cabeça. Não são grande coisa, se calhar até são piores que a música do Dartacão, mas não nos saem da cabeça. Tenho objectos desse género, dos quais não gostei quando os vi mas acabaram por me ficar na cabeça. Leia o resto deste artigo »

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Quentin Fiore (1920-2019)

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Morreu há uns dias Quentin Fiore. A sua obra mais conhecida, The Medium is the Massage, um pequeno livro com menos de 160 páginas em forma de ensaio gráfico montado em 1967 a partir de textos de Marshall McLuhan foi produzida com um orçamento reduzido em apenas três semanas. Dou-me conta que quase toda a obra que lhe conheço foi produzida em cerca de três anos: War and Peace in the Global Village (1968), I Seem To Be a Verb (1970), DO IT!: Scenarios of the Revolution (1970), a Aspen Magazine in a Box nº4 (1967). Pouca coisa ocuparam da sua longa vida de 99 anos.

Eram livrinhos urgentes feitos numa época urgente. Propunham um sentido rápido e portátil. Aos designers, ainda falam da promessa do design como uma linguagem total, pertinente e cativante, onde o designer não é apenas o intérprete do desejo de terceiros mas um narrador com voz própria. Foram inúmeros os que lhe seguiram os passos e os que o homenagearam.

 

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A forma segue a forma

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Talvez por o grafitti ser tido por efémero haja tantos livros a documentá-lo. Nos anos que se seguiram ao 25 de Abril apareceram uns tantos, procurando registar a torrencial produção de grafittis que ocorreu após a revolução. O livro de cima chama-se As Paredes em Liberdade foi editado pela editoria Teorema em 1 de Agosto de 1974. As fotografias são José Marques e a maquete é de Fernando Felgueiras e Amélia Afonso.

O de baixo chama-se merda e regista a obra de um grafitter anónimo que, desde a década de 80, pintava obsessivamente a palavra «merda» nas paredes do Bairro de Benfica. Foi distribuído gratuitamente em 2006 numa exposição de Alexandre Estrela no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. A autoria é do artista, o design gráfico é de Pedro Nora. Leia o resto deste artigo »

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Pormenores de um Photobook

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Changing New York
(1939), de Berenice Abbott (fotos) e Elizabeth McCausland (texto), editado pela WPA, não é, à primeira vista, um photobook muito inventivo no que diz respeito ao design – fotos na página da direita, texto na da esquerda. Não se compara, por exemplo, com a edição de 1938 do New Vision de Lászlo Moholy-Nagy, com os seus espaços brancos ambiciosos ou a sua interacção dinâmica entre texto e imagem. Compensa, porém, olhar para o pormenor tipográfico.
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Complicar o Sebastião

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Por motivos de investigação, tenho sido obrigado a ler a cada vez mais vasta pilha de «edições populares» sobre Sebastião Rodrigues. Chamo-lhes «populares» para as distinguir da produção académica. São obras que, imagino, têm como alvo os estudantes universitários, os curiosos e os completistas, que se propõem ser uma síntese breve do que se vai sabendo sobre o seu assunto.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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