The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A arte que merecemos

Até agora, não disse nada sobre a escolha de Joana Vasconcelos para representar Portugal em Veneza sobretudo porque me parece previsível e até adequada. Não porque aprecie o trabalho, que me deixa tão indiferente quanto possível, mas porque acaba por representar bastante bem o nosso país neste momento e em particular o nosso Governo, que a escolheu.

Todo o poder político tende a monumentalizar a sua ideologia, aquilo em que realmente acredita. Assim, escolher uma artista que produz obras de grande escala, feitas por grandes equipas coordenadas pela vontade central de uma iluminada, é monumentalizar uma certa forma de gestão e de empreendedorismo enquanto arte, e do artista enquanto gestor de objectos ou eventos de grande escala. Não é muito diferente da contratação de Souto Moura ou de Cabrita Reis para as barragens do Douro. Nestes casos, a decisão final é privada, mas a mensagem é a mesma: uma grande empresa faz-se representar por artistas-empresários. Escolher Joana Vasconcelos é dar a entender que o Estado é também ele uma grande empresa.

Depois, o modo como acabou por se escolher a artista, directamente e sem consultar os interesses do mundo da arte, ignorando instituições e comissários, por exemplo, também diz muito sobre este Governo. Segundo consta, aconteceu precisamente o mesmo com a escolha do logótipo do Governo. Ao que parece, houve contactos do executivo com o CPD, mas no final acabou por se disparar numa direcção inesperada, escolhendo directamente uma firma. A ser verdade, é apenas mais um exemplo do modus operandi que se foi tornando habitual: faz-se uma ronda de negociação e de auscultação aos interesses da área onde se pretende intervir, dando a entender diálogo, para logo de seguida se desautorizar a própria ideia de discussão pública, anunciando uma decisão final que ignora esses interesses por completo. Portanto, a maneira como se escolheu Joana Vasconcelos é monumentalizar também uma certa maneira de tomar decisões em público, ignorando os interesses corporativos de uma certa classe (artistas, comissários, etc.), da mesma maneira que se ignora os interesses de professores, médicos, funcionários públicos, colocando vontades empresariais, individuais, acima deles.

E é claro que mesmo ao nível da forma, a obra de Vasconcelos é uma monumentalização do empreendedorismo enquanto estética. Construir obras de arte a partir de panelas não é muito distinto de vender conservas ou aguardentes gourmet. Agarra-se num certo produto, que até já foi indício de pobreza e torna-se aquilo num produto de luxo, exaltando a pobreza como uma espécie de desígnio nacional, e muito obviamente monumentalizando as políticas deste governo.

Update: rescaldo aqui.

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Filed under: Arte, Crítica, Cultura

104 Responses

  1. D. Pinto diz:

    Muito bom este artigo sobre a coquelux artista das corporações. Quem olha de fora para dentro de Portugal tende a deduzir que por cá só temos, nos últimos anos, uma artista, tal é o desprezo pela pluralidade e a diversidade artistica em Portugal. E mais, recuso-me, como homem e cidadão, a ser associado ao chauvinismo machista que Joana Vasconcelo identifica em todos os homens portugueses e considero grotesco resumir o género feminino ao papel único de doméstica. É verdade que estas atitudes ainda se encontram enraizadas em certos sectores da sociedade, mas não são as únicas que existem. A emancipação já aconteceu ó Joana! O que acontece é um estereotipo, uma generalização, deveras parecido ao que os nossos sucessivos governos tendem a a fazer, de vários situações. E eu a pensar que a Arte combatia estas generalizações ao inferir uma dialética de resistência e não de complacência..porque no fundo o que se extrai das obras dela é uma perpetuação do chauvinismo.

  2. Helena Cristina diz:

    Por que razão não se limita a escrever sobre design?

    • E porque não haveria de escrever? Não sendo artista, comissário ou até comprador, ainda assim tenho toda a legitimidade e distância para pertencer àquela coisita a que se chama “público”. Talvez já tenha ouvido falar.

      • Claro! Sou professora de português, só posso falar de Literatura. Então fico no meu quadrado! É triste Helena, ainda por cima se é jovem, ainda fico com mais pena de si…
        Não é pelo facto de concordar com o que diz o Mãrio, que lhe respondo desta maneira…
        Imagine o Siza no designer, rabisca num papelucho uma cadeira invulgar e sabe que a faz? Eu sei!

    • vitor rua diz:

      …conhece o termo: “Liberdade de expressão”?…

    • Alexandra Mesquita diz:

      eu não sou o cisado , mas aquilo que me ocorre é perguntar á Helena Cristina porquê que não se limita a ler só coisas sobre design. já que, no que se refere a arte em Portugal parece estar a leste… Alexandra mesquita

  3. Helena Cristina diz:

    “E porque não haveria de escrever?”, pergunta. Eu respondo: para evitar dizer asneiras e/ou dar provas de ignorância. É confrangedor.

    • Minha cara:

      Respondi ao seu primeiro comentário unicamente porque me mandou meter o nariz nos meus assuntos, que é como quem diz mandou-me calar.

      Mandar alguém calar-se usando bons argumentos é falta de educação; fazê-lo não usando nenhuns é insultuoso.

      Tenho a certeza que para si é perfeitamente óbvio que sou ignorante, mas se quer convencer alguém disso, vai ter que se esforçar mais.

      • começo a desconfiar que a Helena Cristina é na verdade a Joana Vasconcelos, e se sentiu ofendida com os comentários? não consigo imaginar outra coisa, de como é possível alguém se ofender com comentários honestos e sinceros que tu Mário tens escrito! 🙂

    • vitor rua diz:

      …portanto a senhora cristina é detentora da sabedoria universal e quem não estiver consigo é ignorante e diz asneiras… entendido!… lembra-me o fascismo…

      • hummmm…isto não será é a PoPortas que após tão sublime experienciação estética vivida por Versailles foi extravazar com alguma Rose Selavie por Paris. A experiência deve ter sido de tal calibre que resolveu aderir ao mundo da arte e adoptar a ironia duchampiana, pena ter-se enganado nas teclas e na vez de assinar Helen a Cretina, assinou Helena Cristina

    • TelmoVP diz:

      A arte portuguesa não é esta coisa kitsch com trapos, rendas, panelas e colheres de plástico. Isto faz-se há muitíssimo tempo em vários lugares como p.ex. na Argentina (e não só) por artesãos que vendem nas populares feiras de bairro. Então qual a diferença entre o artesanato popular e o que produz a JV ? Apenas uma: o tamanho, a monumentalidade. Ainda que, muitas vezes, se fale no kitsch como um conceito universal – reconhecível portanto em qualquer época e estilo artístico -, a maior parte dos estudiosos encontra-o no seio da sociedade industrial, de feitio burguês, o que faz dele um dos produtos típicos da modernidade capitalista. Os artifícios do mundo burguês revelam-se nos produtos kitsch, confeccionados em geral com materiais cujo destino seriam os depósitos de lixo. Nota-se ainda a tendência ao exagero e à acumulação de elementos numa só composição, com o uso da simulação combinada com a ornamentação rebuscada, com a distorção das dimensões da figura em relação ao objeto original representado. Nesse sentido, a arte kistch é essencialmente sincrética, alimentando-se de elementos retirados de diferentes origens. Localiza-se, assim, nas antípodas da funcionalidade e do despojamento que caracterizam, por exemplo, as obras da Bauhaus. Longe da funcionalidade, as produções kitsch caracterizam-se pela gratuidade e por seu caráter eminentemente decorativo.

    • Bem, se é professora de Português, e ainda por cima mulher, eu como mulher portuguesa e artista (leia-se designer), vejo na Joana Vasconcelos um produto de marketing puro…o sapato das panelas (que já vi ao vivo) a mim, enquanto mulher-designer, e pertencente a uma geração que foi muito descriminada, a mensagem que me transmite é que, apesar de todo o árduo caminho que as mulheres fizeram neste país, ainda não saímos da frente do fogão!
      Um computador coberto de náperons??? Ou será que apesar de todo o nosso avanço tecnológico (travado a fundo por este governo) ainda somos os bimbos da Europa???
      Ignorância???? A arte fala sem palavras….se calhar é altura de ler uns livrinhos de arte contemporãnea!

  4. PS- Se reparar que os seus comentários deixaram de aparecer, é porque o nível da sua argumentação não está a sofrer grandes mudanças. Se não quiser esforçar-se muito, experimente qualquer coisa como “Não concordo”. É simpático e não insulta ninguém. Se a intenção é, pelo contrário, o insulto (espero que não) resta-me chamar-lhe a atenção para um bando de macacos despenteados que tenho a certeza estão a precisar dos seus cuidados.

  5. (macacos, macacos, por todo o lado)

  6. Roman Perona diz:

    Congratulation for the post!
    It is and ordinary fact that art is politically instrumentalised. Everybody has to get used to it. To do so, it is compulsory to get rid of any mystification and to assume that if capitalism rules… art follows.

    Note: It is surprising how the comments led into a debate about if Mario Moura should talk or not about art. Everybody should be free to give her/his professional/intellectual/emotional/ judgement in any matter. De-legitimising opinions is a resource of Corporatism and social Sectarianism.

  7. Maria Esteves diz:

    Bravo! Gostei muito do artigo. Tenho só pena que ainda existam pessoas que acham que os outros não podem falar de “Arte” ou sequer incluir-se como seu público.

  8. Virgílio Melo diz:

    Vou deixar alguns pontos para deixar todos mal-dispostos:

    1 Cara Helena, que é preciso para dar opininão? Um grau académico? Não tenho nada contra que se qualifique a opinião alheia de asneira, mas convém justificar…
    2 Esta é geral, dirigindo-se à habitual ignorância idos nossos intelectuais em matéria musical: quantos Joana Vasconcelos da música andam por aí e perante os quais os nossos intelectuais se extasiam?
    Cumprimentos
    Virgílio Melo

    • vitor rua diz:

      EXACTO!!!… os nossos “intelectuais” são assim: “Que escritores gosta?” resposta: Joyce e shakespeare “E pintores?” resposta: Rembrandt e Picasso “E música?” resposta: Madredeus!!!!…a joana vasconcelos é os Madredeus da música ou pior: o Tony Carreira!!!… mas como em matéria de música são todos entendidos, dizem que “gostos não se discutem”… MAS SE HÁ COISA QUE SE DISCUTEM SÃO OS ERROS!!!…

      • vitor rua diz:

        ups: o que eu queria dizer era:
        MAS SE HÁ COISA QUE SE DISCUTEM SÃO OS GOSTOS!!!…
        cometi um erro 🙂

      • nuno ministro diz:

        Embora já sejam comentários antigos resolvi escrever e será a primeira vez que escrevo num blog ou em algo do género mas acho estranho/revoltante 3 aspectos que li:
        1. O artigo esta bem escrito, não diz nada de mal sobre a Joana (que não conheço nem sou grande apreciador da sua obra embora tenha que considerar que É A ARTISTA DO MOMENTO não somente em Portugal mas em muitos locais e por isso mesmo deverá ter qualidade e ser considerada como valida uma vez que dificilmente se poderá dizer que é/foi a “governacia” Portuguesa que a criou ou a tornou numa artista internacional). Assim o artigo limita-se a demonstrar o pequenos que nós portugueses somos pela simples razão de que seria possível falar bem dos restantes artistas sem ter que falar mal da Joana, é certo que ela se tem ou terá aproveitado de ser uma grande maquina de markting mas isso só demonstra inteligência dela e provavelmente falta de inteligência dos outros.
        2. Essa senhora que se chama Helena Cristina n\ao deverá passar de mais uma pequena Portuguesa que “arrota” postas de pescada sobre tudo sem nada dizer ….. acho que n\ao vale mesmo a pena comentar ….. só posso ter pena
        3. Enquanto estudava arte, não sou artista mas ando perto, uma professora que foi provavelmente a minha pior professora de sempre disse uma única coisa inteligente durante um ano (12º ano e já tenho 38 anos e ainda hoje em dia me lembro) O GOSTO N\AO SE DISCUTE…. LAMENTASSE por isso alguém que esta ligado a arte vem dizer que o gosto se discute somente me faz pensar que na realidade o mundo artístico e pseudo intelectual português tem o que merece, que é nada ou muito pouco faz anos.

        Seria bom os artistas Portugueses pararem para pensar no que andam a fazer, no que andam a reivindicar constantemente e começassem a trabalhar e a produzir algo que fosse arte, comercial e bom, é isso que se faz fora e é isso que se espera de quem tem obrigações para com o pais que lhes pagou os estudos e investiu na formação deles.

        So para que fique claro eu não sou artista, eu compro arte (boa e não coisas desconexas) não tenho nenhum tipo de interesses financeiros no mundo da arte e o pais não gastou um tostão comigo pois fiz toda a minha formação em privado, não utilizo o sistema nacional de saúde e o estado recebe metade do que a minha entidade empregadora gasta para eu trabalhar, e mesmo assim n\ao ando a dizer que o estado me tem que financiar, trabalho e é isso que me financia a mim.

      • vitor rua diz:

        Caro Amigo: sobre o “Gosto”, aconselho-o a ler “As Oscilações do Gosto”, do Gillo Dorflles, onde poderá aprender que existe oscilação do gosto através dos tempos; que este se educa: e que portanto, se se educa, é porque se iscute o gosto. Vejamos o que diz J. De La Bruyère,
        sobre esta matéria:
        “Na arte existe um grau de perfeição do
        mesmo modo que existe um grau de bondade
        ou de maturação. Quem sabe identificá-
        lo e apreciá-lo tem um gosto perfeito;
        quem não o sabe identificar e orienta a sua
        preferência aquém ou além dele, tem um
        gosto defeituoso. O que significa que há
        bom gosto e mau gosto e que, portanto, a
        discussão sobre os gostos tem fundamento.” Está a ver??? Ou veja o que diz o filósofo Bordieu: Bourdieu classifica o gosto
        em três categorias diferentes, sendo que
        a primeira é legitimated taste (alguém que
        escolhe ouvir música clássica ou erudita).
        Bourdieu acredita que as pessoas com este
        gosto são mais compatíveis socialmente
        com as classes dominantes. A segunda categoria
        é o gosto middlebrow. Este gosto
        é uma média entre dois extremos; o lado
        mais legitimado da música popular. A terceira
        categoria é o popular taste. O gosto
        popular refere-se a pessoas que gostam de
        certa música, consoante aquilo que a TV
        ou a rádio lhes dá a ouvir. Alguns chamarão
        a este gosto um gosto não-refinado.
        Bourdieu acredita que, por exemplo, professores
        interagem melhor com crianças
        que possuem o gosto legitimado e que o
        gosto está ligado às classes sociais. Assim,
        e de acordo com Bourdieu, quanto mais
        alta for a classe de um estudante, mais essa
        pessoa tem a possibilidade de ter sucesso
        escolar.
        Está a ver???
        Ou então veja o que diz sobre esta matéria o filósofo Roger Scruton: “Agora nas universidades vão-lhes dizendo
        que todas as obras-primas veneradas
        do passado podem ser ignoradas impunemente,
        que as novelas televisivas têm tanto
        valor como Shakespeare e que Radiohead
        se igualam a Brahms, uma vez que
        nada é melhor do que nada e que toda a
        pretensão a um valor estético é vazia (…)
        Este argumento, claro, afina pelo mesmo
        diapasão que as formas de relativismo
        cultural em voga, e tende a ser o ponto de
        partida dos cursos universitários sobre estética
        e, a maioria das vezes, o ponto pelo
        qual eles terminam (…) O bom gosto é tão
        importante na estética como no humor.
        Mais: o gosto é tudo o que interessa. Se
        os cursos universitários não começarem
        com essa premissa, os estudantes terminarão
        os seus estudos de arte e de cultura
        tão ignorantes como quando começaram.
        Quando se trata de arte, o juízo estético diz
        respeito ao que devemos e não devemos
        gostar. e (defenderei) o “deve” tem aqui
        um peso moral, mesmo que não seja exactamente
        um imperativo moral. (…) Cada
        vez se vê mais professores universitários a
        concordarem com os estudantes que lhes
        chegam, afirmando que não há distinção
        entre bom gosto e mau gosto, mas apenas
        entre o meu e o teu gosto.
        Esta é uma tendência muito seguida
        nas academias, não só por etnomusicólogos,
        mas também antropólogos e, em especial,
        na disciplina de Estética. Mas será
        que tem fundamento? Continuemos a seguir
        o raciocínio de Scruton (2009:128):
        O gosto está enraizado num contexto
        cultural alargado, e uma cultura não é
        universal (pelo menos no sentido que aqui
        temos em mente). Toda a razão de ser do
        conceito de cultura é definir as diferenças
        significativas que existem entre as várias
        formas de vida humana e a satisfação que
        as pessoas retiram delas. Considere-se os
        ragas da música clássica indiana. Eles pertencem
        a uma longa tradição de audição e
        execução, e esta tradição depende da disciplina
        associada a rituais religiosos e a uma
        vida de devoção. As convenções, alusões e
        aplicações ressoam nas mentes e nos ouvidos
        daqueles que tocam e apreciam este
        tipo de música e a diferença entre uma boa
        e uma má execução não pode ser determinada
        por critérios usados para avaliar a
        execução de uma sinfonia de Mozart ou de
        uma peça de jazz.”
        Está a ver???
        Vejamos o que tem Dahlhaus a dizer
        sobre esta matéria:
        “Para encetar, uma discussão racional é
        possível partir da regra hermenêutica fundamental,
        segundo a qual um juízo sobre a
        qualidade — boa ou má — da música pode
        ser, em princípio, sensato e válido, só dentro
        do contexto histórico, étnico e social a
        que ela pertence.”
        Está a ver???
        Mas não será que temos de distinguir entre
        a verdadeira Arte e uma pseudo-Arte?
        Eis o que pensa Benedetto Croce:
        “Existe uma distinção radical, entre Arte
        propriamente dita e Pseudo-arte, cuja função
        é entreter, agradar ou excitar.” Ou seja: o caso da JV: pseudo-arte!!! Está a ver???
        Eis de novo Scruton:
        “Sobre a originalidade, poderei dizer
        que o urinol do Duchamp levou uma
        indústria cultural a questionar “o que é
        a arte”. Para Duchamp foi uma “piada”
        — uma boa piada à época, mas que seria
        banal pela época das caixas Brillo de Warhol
        e completamente estúpida nos dias de
        hoje.”
        Vemos assim a importância do timing
        em que as coisas são feitas, pois a partir
        do momento em que passa a existir algo
        de original o que vem a seguir é cópia,
        e sem interesse artístico. Scruton pede-
        -nos que:
        “Imaginemos um mundo em que as
        pessoas demonstram interesse apenas por
        réplicas das caixas Brillo, por urinóis assinados,
        por crucifixos imersos em urina
        ou em objectos que de modo semelhante
        foram resgatados às zonas sujas da vida e
        exibidas com alguma intenção satírica ou
        do género “olha para mim” — por outras
        palavras, um mundo de objectos que cada
        vez mais funcionam como direito de admissão
        nas mostras de arte oficiais na Europa
        e na América. O que teria este mundo
        em comum com o de Duccio, de Giotto,
        de Velázquez ou mesmo de Cézanne? Claro,
        há o facto de se exibir os objectos e de
        olharmos para eles com um olhar estético.
        Contudo, este seria um mundo onde as
        aspirações humanas já não encontrariam
        na arte um meio de expressão, onde já não
        construiríamos para nós mesmos imagens
        da transcendência e onde os lugares em
        que residem os nossos ideais estariam cobertos
        por montes de tralha.”
        Está a começar a perceber????
        Ainda sobre a subjectividade, vejamos
        o que nos diz o filósofo e compositor Roger
        Scruton:
        “Alguém pode dizer que não há aqui um
        verdadeiro argumento. O consenso, a ser
        alcançado, surge por outra via, por contágio
        emocional, não pela razão. Digamos
        que você gosta de Brahms e que eu o detesto.
        Imagine-se que você me convida para
        ouvir as suas peças favoritas, que a partir
        de certa altura, elas me “batem”. Se calhar
        fui influenciado pela amizade que tenho
        por si e, por isso, fiz um esforço especial
        para ser agradável. Como isso acontece,
        não sei; mas se acontece, se eu fico a gostar
        de Brahms, isso não se deve a eu ter chegado
        a uma conclusão racional — trata-se
        de uma alteração comparável ao que acontece
        com as crianças, que acabam por vir
        a gostar de verduras se forem habituadas
        desde cedo a comê-las. Uma experiência
        que consideravam repelente acaba mais
        tarde por atraí-las e não foi um argumento
        que as persuadiu. A transformação do
        gosto não é uma “mudança de convicção”,
        no sentido em que a mudança de opinião,
        ou mesmo de postura moral, corresponde
        a uma mudança de convicção.” Mais uma vez notamos aqui uma referência ao gosto e como este se pode educar.
        Está a ver???
        Olhe de novo o filósofo Scruton: “Numa cultura democrática, as pessoas tendem a acreditar que é presunçoso
        dizer que se tem melhor gosto do que o
        vizinho, porque ao fazê-lo, estaríamos implicitamente
        a negar o direito de a pessoa ser aquilo que é. Você gosta de Bach, ele… gosta de U2; você gosta de Leonardo, ele
        aprecia Mucha; ela gosta de Jane Austen, você adora Daniele Steele. Cada um existe fechado no seu próprio universo estético e, desde que nenhum cause mal ao outro
        e diga bom-dia ao vizinho do lado, nada mais há a apontar.”
        Está a começar a perceber????
        Recorramos de novo a Eggebrecht:
        As condições objectivas de que depende
        o juízo do bom e do mau em Arte residem, à primeira vista, na própria Arte. São identificáveis por meio de análise
        musical, contanto que o trabalho analítico oriente a sua problemática para a qualidade, para o valor da música.”
        Está a perceber???
        Já Gianni Carchia acha que: “Na noção de gosto, ou seja na noção de um juízo estético dotado de uma universalidade
        subjectiva e sentimental, confluem duas esferas: uma gnoseológica e outra moral, ambas presentes na pré-história da noção de gosto, ou seja, na ideia de sensus
        communis”.
        Ora, uma gnoseologia não é mais que uma ciência do conhecimento. Realce-se neste comentário a palavra ciência!
        Está a ver???
        Assim caro amigo, não fique surpreendido de um artista dizer o que eu disse, pois está corroborado por grandes filósofos, pensadores e críticos.
        O que deve ficer surpreendido, é com o seu desconhecimento desta forma de pensar, que ultrapassa a ideia estúpida de que os “gostos não se discutem”. Grande Abraço do Vítor

      • vitor rua diz:

        P.S.: o caro amigo diz que os artistas portugueses deviam: “começar a trabalhar e a produzir algo que fosse arte, comercial e bom, é isso que se faz fora e é isso que se espera de quem tem obrigações para com o pais que lhes pagou os estudos e investiu na formação deles.”
        A que “Arte” se está a referir??? Ao Tapiés???? Ao Lachenmann??? Ao Sciarrino???? Ao Freud????? Você quer IMPOR aos artistas que eles devem fazer coisas para vender???? Julga que os artistas são comerciantes??? Sabe quantos quadros vendeu o Van Gogh em vida???? ZERO !!!!!!!! Portanto segundo a sua lógica, o Pai dele e o irmão dele (que o sustentava), não deviam ter feito isso, porque o Van Gogh deveria ter feito “arte comercial e boa”, para que seja uma recompensa para o que os pais pagaram pelos estudos do Van Gogh !!!!! Que parvoíce reaccionária tão grande !!!!! A Arte não tem de ser “comercial” !!! Pelo contrário!!! A verdadeira Arte não é normalmente entendida na Era em que é realizada, por estar à frente da época em que se vive!!!… Se os artistas (verdadeiros) pensassem assim, não haveria originalidade ou inovação, mas só a cópia !!!! Mas que loucuras você diz!!!
        No Porto há um ditado que se aplica ao que você aqui escreveu e que é este:
        “Como a língua não tem osso, você leva-a para onde quer”.
        Abraço do V

      • nuno ministro diz:

        Caro Vítor

        Não consigo comentar no belíssimo texto que escreveu sobre o meu comentário e por isso escrevo nesta “janela” peço desculpa mas conforme disse nunca tinha escrito em blog pelo que deve ser um erro meu.

        Quanto ao seu texto acho muitíssimo bem documentado e apoiado sobre grandes nomes do pensamento intelectual sem duvida, e ate poderei concordar com alguns, certamente não com todos, mas não tenho a menor ideia de me considerar intelectual pelo que provavelmente sou capaz de não atingir bem o que eles querem dizer mas uma coisa é garantida, não vi em nenhuma das suas transcrições algo que contradiga o que eu disse, não me lembro de ter escrito que o gosto não é mutável ou não se aprende, obviamente se aprende e obviamente se educa…. o que eu disse é que não se discute, assim só me resta pedir que vá verificar o significado das palavras a um livro que não é realmente para intelectuais mas que é necessário para todos os que pretendam escrever numa determinada lingua, estou obviamente a falar de um dicionário que aparentemente no meio de tantos livros que tem esta em falta, posso recomendar a utilização de um online e verá
        discutir – Conjugar
        v. tr.
        1. Debater (um assunto) por meio de discussão.
        2. Impugnar, negar.
        3. [Jurídico, Jurisprudência] Excutir.
        v. intr.
        4. Tomar parte numa discussão.
        5. Questionar.
        aprender |ê| – Conjugar
        (latim apprehendo, -ere, tomar, agarrar, apoderar-se, compreender)
        v. tr.
        1. Ir adquirindo o conhecimento de.
        v. intr.
        2. Estudar.

        Na minha humilde opinião de reaccionário, conforme “educadamente” me apelidou, creio que fez o que muitos fazem que é falar, falar e falar e nada dizer, gostei imenso do que escreveu é certo, a forma não me agradou pois é de alguém egocêntrico cheio de razão que depois demonstra a sua insegurança com o numero de vezes que teve que escrever “esta a ver” ou “esta a perceber” … imagino que não tenha ficado com a ideia que estava a escrever para um iletrado pelo que realmente era dispensável tamanha “arrogância dos fracos” como a que utilizou.

        Quanto ao seu P.S. é realmente constrangedora a diferença na forma que ate faz questionar se terá sido a mesma pessoa a escrever ambos os textos …. este segundo texto não é mais do que um desabafo de alguém que não percebe ou não quer perceber a diferença entre se ser financiado pela família e se ser financiado pelo estado. De alguém que não tem a noção de que se pode ser artista, vender e não ser comercial, alias felizmente conheço alguns casos de quem tem saído a rua para se opor ao que tem sido feito na cultura mas que bem ou mal tem produzido e tem vendido e embora obviamente também queira ser financiado na realidade consegue se auto-financiar e progredir sem ter que estar a espera de financiamentos. Até porque verdadeiros artistas que não são comerciais e que ganham o seu sustento com a sua arte existem Portugueses e com renome internacional pelo que para fazer a sua explicação poderia ter sido menos “provinciano” como são sempre os nossos intelectuais e ter utilizado caso de artistas Portugueses como a Paula Rego ou Rui Calçada Bastos para não ter que utilizar a sua técnica que é de escrever vários nomes para dar ar de que é conhecedor fico-me por dois, um que todos conhecem e o segundo que agora depois do seu P.S. temo que vá necessitar de fazer um Google ☺

        Feliz ou infelizmente a minha vida é preenchida e não tenho tempo durante a semana para andar a ver blogs e afins pelo que não irei responder a qualquer comentário que venha a fazer a este meu comentário. Ate porque temo que vá utilizar a forma do seu P.S. que me desagradou bastante pois podemos ter ideias e conceitos diferente (como alias o alegadamente seu primeiro texto o comentava tão bem) mas não é de todo necessário passar a utilizar o achincalho para provarmos que temos razão, como pode verificar por este meu comentário em que só tive que utilizar um termo menos simpático que foi o “provinciano” pois nenhum outro se adequava na frase e mesmo assim coloquei entre aspas por forma a não o ofender pelas palavras pois não preciso disso para ter razão.

        Um abraço e espero que aprenda algo com o que escrevi, ate porque na vida estamos sempre a aprender

        Nuno

      • vitor rua diz:

        Caro amigo: o Rui Calçada Bastos é meu amigo pessoal há cerca de 25 anos. E sabe uma coisa? Ele não está a conseguir “sustentar-se”!!! Sendo o artista excelente que é, está numa terrível situação financeira. Por isso o seu exemplo cai por terra. Depois, eu citei um filósofo (J. De La Bruyère) a dizer a seguinte frase:

        “Na arte existe um grau de perfeição do
        mesmo modo que existe um grau de bondade
        ou de maturação. Quem sabe identificá-
        lo e apreciá-lo tem um gosto perfeito;
        quem não o sabe identificar e orienta a sua
        preferência aquém ou além dele, tem um
        gosto defeituoso. O que significa que há
        bom gosto e mau gosto e que, portanto, a
        discussão sobre os gostos tem fundamento.”

        Portanto respondi à sua questão: os gostos discutem-se!

        Quanto ao P.S.: o que você disse foi que os artistas portugueses deviam fazer arte comercial boa, para compensarem o esforço dos pais a meterem os filhos a estudar. E o que eu lhe disse é que isso é um absurdo. E dei exemplos desse absurdo.

        Você não entende? Não posso fazer nada.

        Escrevo este texto não para si – que não me está a ler – mas para que os outros possam ver como lhe respondi, mesmo que você nçao esteja a ler por causa de ser uma pessoa especial que não responde em blogs e tem muito que fazer. Acho que faz muito bem.

        Despeço-me cordialmente, mesmo sabendo que não me vai ler.

    • rui diz:

      Sem me querer meter na discussão (kkk), pessoalmente e como artista que “acho” ser, penso que o “gosto” não é matéria de discussão Estética. Existe sim o conceito de “estético”, que pode tanto ser “Belo” como “Feio”, dependendo dos olhos de quem vê, ou dos ouvidos de quem ouve. E aí é que entra o conceito de “Gosto”. Já que falámos em música, dou o exemplo de alguém que ouve Heavymetal e acha o género musical fantástico mas não gosta de Bach, achando o seu género de música deprimente. E tanto a música cçássica como o Heavymetal são estilos musicais aceites pela sociedade geral, em todas as classes sociais ou grupos económicos. Portanto, segundo a Estética, poderemos dizer que Led Zeppelin é tão artista como Bach e que ambos foram e são igualmente artísticos e igualmente comerciais. O Gosto, portanto, só poderá ser analisado quando à “Variedade” cultural que deverá sempre existir (e bem). Portanto, gostar de música indiana ou não, ou mesmo cigana, árabe, chinesa, etc. não é fator determinante para a avaliação de uma obra artística ser ou não considerada “Arte” (por mais refinados que sejam os meus gostos), mas sim o seu carácter Estético, que deverá ser analisado depois e só depois de serem excluídos quaisquer gostos pessoais. Uma obra Feia também pode ser Arte, na presença de uma virtude Estética sendo assim uma obra Esteticamente Feia.

      E podia citar nomes de filósofos e historiadores de Arte para apoiar este meu argumento, mas o meu tempo é escasso. 🙂

      • Caro Rui,
        Escrevo apenas para apontar um detalhe (de que me lembrei depois de ler o seu comentário). Não sei até que ponto é possível colocar a música de Bach dentro de uma categoria comercial, visto que, no tempo em que este compôs não existia um “mercado” nem uma relação entre a arte e a venda da mesma como encontramos actualmente. (não quero com isto afirmar que no tempo do Bach é que era bom. Apenas diferente). Por outro lado, considero que o facto de “tanto a música clássica como o Heavymetal” serem “estilos musicais aceites pela sociedade geral, em todas as classes sociais ou grupos económicos.” ser quase um problema típico da sociedade actual pouco crítica e exigente, e não uma circunstância natural de uma evolução artística de qualidade exepcional. Eu gosto, pessoalmente, de Heavy Metal, portanto o meu comentário não se prende tanto nos estilos por si evocados mas na evidência de que, com persistência, praticamente qualquer coisa do passado se torna “histórica” e relevante para o presente. Basta perceber que poucas pessoas têm coragem para colocar a hipótese das Valsas do Strauss serem somente peças para dançar, peças com um caracter lúdico e divertido um pouco à semelhança de…..da música de baile! No entanto, estas são ouvidas, nos dias de hoje, em cenários carregados de seriedade e pomposidade inexplicáveis. E em Portugal verifica-se muito isto: a quantidade de artistas que tem uma reputação inabalável por serem, no fundo, velhos. Por terem carreiras longas…Não há propriamente uma escuta atenciosa e uma exigência na avaliação que obrigue os artistas (todos) a tentar constantemente expor o melhor das suas capacidades. E, no meu entender, esse é um problema da sociedade ocidental, um problema ainda mais alimentado pelos agentes do mercado que tratam a música somente como um produto. No fundo, a Joana Vasconcelos alcançou a visibilidade que alcançou porque os intervenientes da relação arte-espectador, foram preguiçosos. E atenção que os intervenientes não são “o povo” ou o público generalizado. Em muitos casos, são a empobrecida elite intelectual que, devido à sua posição altiva, falhou na contestação em momentos determinantes.

        José Valente
        Músico

  9. Sa Kimlong diz:

    Caros Amigos Artistas (Como Eu)…Ser representado na Biennal de Veneza nao e nada de especial…Eu pessoalmente tenho grandes amigos e colegas do Meu Grupo Internacional de artistas que sao parte desse evento Cultural e muitos deles ja representaram os seus Paises e nao e mais do que representacoes de Grupos de esta e aquele amigo…100% dos que sao para la escolhidos o sao apadrinhados (ja que e o estadoi que paga tudo) ou por de tras existem interesses obscuros politicos em priviligiar alguem do seu partido ou amigo…No caso da escolha da Vasconcelos e mais uma grande prova disto…O seu trabalho e feitos nos mesmos moldes que os outros artistas fazem que da ordem e os outros fazem…isto para mim nao e nada do que ela fez mas sim os outros seus ajudantes…neste caso a ideia conta pouco e o que faz o trabalho e que devia ter todo o merito neste caso nao a Sr. Vasconcelos(ela e escultora e nao arquitecta ou engenheira)…

    • vitor rua diz:

      cara amiga: eu estou do seu lado!!! mas o seu argumento (embora eu o perceba – jeff koons, etc – não deve ser aplicado como algo de negativo. Repare que a escolda de Flandres faziam todos isso!!!… o Rembrandt também… tinham discipulos que pintavam o quadro sob a direcção do Mestre… mas percebo a sua indignação…

    • Lena diz:

      Sa Kimlong sou artista plastica e concordo com tudo o que disse também já representei Portugal no estranjeiro , também já tive projectos o que não tive foi dinheiro para o levar para a frente .. e para quem diz que os artistas deviam era produzir … desconheço a realidade artistica nesse momento em Portugal é que há muitos artistas que nem dinheiro têm para comprar telas mas continuam a pintar nem que seja em cartão o que não há é quem compre as suas obras … e se compra arte é bom talvez ajude algum artista a continuar produzir…

  10. Obrigado Mário por este artigo. Por vezes temos opiniões, mas dificuldades em as expressar. O seu artigo expõe um pensamento, calculo, generalizado e partilhado por vários artistas. É bom ler um raciocínio organizado e claro que foca um problema grave com o qual nos devemos preocupar.
    Há algo verdadeiramente assustador nesta autoritária escolha protagonizada pelo governo: existem na história diversos exemplos de obras monumentais que sustentaram os ideias de ditaduras.
    Não é por acaso que este sapato alto é tão, mas tão grande.
    José Valente
    Músico

  11. Manellini diz:

    Adorei!!! Sem tirar nem por! Parabens!

  12. […] Há uns textos atrás, quando defendi que Joana Vasconcelos era a melhor opção possível para representar o nosso país e sobretudo o nosso governo, não estava com toda a certeza a fazer-lhe um elogio, nem ao governo que a escolheu. […]

  13. Dulce Araújo diz:

    Adorei ler…
    Não posso estar mais de acordo!

  14. Dulce Araújo diz:

    Já era altura de dizer o “rei vai nú”!

  15. […] na primeira hora em que esteve online. Quebrou o record anterior, de 2700 visitas, pertencente à Joana Vasconcelos. O debate Loff-Ramos nem andou perto (1800 visitas no melhor […]

  16. […] por umas tantas barragens; ali, promove-se a trilogia luxo-fado-gastronomia; acolá, usam-se artistas/empresários para produzir instalações gigantes a partir de objectos sofisticados produzidos através da […]

  17. Maria Fernanda Sousa diz:

    Gostei de ler todos os vossos comentários, mas será que a senhora não tem mérito algum??? HUM….. cheira-me um pouco a …….. dor de …… não sou artista nem critica de coisa alguma , sou livre como todos vós de ter opinião e EU GOSTO MUITO DA OBRA DA JOANA VASCONCELOS. Não “” pretende “” É.

  18. […] é esta a arte que merecemos. E para quem ainda tenha alguma dúvida do carácter ideológico, empresarial, parceria […]

  19. joana diz:

    Não discordo totalmente desta perspetiva, mas há claramente conceitos do mundo da arte que são desconhecidos. Não comento as questões políticas ou a participação em Veneza porque desconheço o que se passa por detrás de tudo isso.
    Não rebaixem uma artista que tem o seu mérito, gostando dele ou não.
    Não sejam tão agressivos nas discussões, tornam-nas inúteis.
    Óbvio que se pode falar do que se quiser, mas quando é para ser tornado público detsa forma, convém ter um certo grau de conheccimento. As respostas aos comentários da Helena Cristina (que soam a raiva) não acrescentaram nem mudaram nada.O artigo é sem dúvida tendencioso.
    Discutam com espírito e cabeça fria para que seja produtivo.

    • vitor rua diz:

      …eu conheço a joana desde criança pois era amigo do pai dela… ela nunca leu um livro na vida… não sabe escrever uma página A4 sobre seja o que for… e a Arte, embora possa ser intuitiva, actualmente tem de ter um conceito por trás do que se faz… ora uma coisa é comércio e outra é arte. Quem se dedica à Arte é artista, quem se dedica ao comércio é comerciante… ora a Joana é uma excelente comerciante… quanto a escolherem a joana, sempre se fez isso desde o Estado Novo: escolhiam os artistas do regime, que é o que ela representa neste momento… a joana não é considerada pelos seus pares !!! Nenhum artista português com valor a considera!!!… A Gulbenkian nunca a expôs e Serralves até ao joão fernandes, disse que não queria em serralves merceeiras… ora quando os próprios colegas não a consideram sequer um dos seus, só mesmo o povinho estúpido e uns tantos oportunistas que ganham com isto, é que a fazem ser o que ela não é…

      • Luis Gomes diz:

        Sr. Vitor Rua, voçê faz parte duma doença que inferma a séculos o povo Português!! Chama-se inveja pelo outro que tem sucesso….
        O facto dela não ser considerada pelos seus pares é devido ao problema atrás referido…
        Quanto ao problema de ela ser acarinhada pelo estado, não sei se sabe, na história da arte os grandes mestres ( Da Vinci, Velasquez, Rembrand, Miguel Angelo,… ) sempre foram acarinhados, suportados e incentivados pelo poder da altura, como se costuma dizer, quem tem unhas toca guitarra…..
        Se calhar, foi a falta de carinho do nosso poder ao longo dos séculos que nos compêndios de historia de arte internacional ( veja o exemplo dos espanhois, a quantidade de mestres gerados pelos nossos vizinhos..) quase nunca se faz referências a artistas portugueses……
        Com mentalidades deste tipo seremos sempre pequenos….

      • vitor rua diz:

        Caro Luís, vou efectuar as correcções: “Sr. Vitor Rua, voçê (você)
        faz parte duma doença que inferma
        (não existe essa palavra e “enferma” significa “doente”, talvez quisesse dizer “enforma”) a
        (há)
        séculos o povo Português!! Chama-se inveja pelo outro que tem sucesso….
        O facto dela não ser considerada pelos seus pares é devido ao problema atrás referido…
        (qual problema referido?)
        Quanto ao problema de ela ser acarinhada pelo estado, não sei se sabe, na história da arte os grandes mestres ( Da Vinci, Velasquez, Rembrand
        (Rembrandt),
        Miguel Angelo,… ) sempre foram acarinhados, suportados e incentivados pelo poder da altura, como se costuma dizer, quem tem unhas toca guitarra…
        (pena o Rui Chafes não ser “esse” protegido pelo Estado, pois é o maior escultor vivo português)
        Se calhar, foi a falta de carinho do nosso poder ao longo dos séculos que nos compêndios de historia de arte internacional ( veja o exemplo dos espanhois, a quantidade de mestres gerados pelos nossos vizinhos..) quase nunca se faz referências a artistas portugueses……
        Com mentalidades deste tipo seremos sempre pequenos…
        (com a mentalidade e a sua cultura é que não vamos a lado nenhum!)
        Cordialmente

      • Luis Gomes diz:

        Sr. Vitor Rua, tanto egocentrismo, tanto recalcamento, a sua resposta ao meu comentário revelou que deverá ter algum problema com a convivência de diferenças de opinião, acabou por dar-me uma resposta tão violenta e arrogante, simplesmente fiquei sem palavras….

      • vitor rua diz:

        Caro luís: nenhum recalcamento nem egocentrismo! Limitei-me a corrigir os seus erros gramaticais e a corrigir as suas erradas ideias. Olhe que deve sempre estar-se agrdecido quando alguém nos ensina algo, nem que neste caso, essa aprendizagem se reduza a uma mera correcção gramatical, já que pelos vistos a outra, não conseguiu chegar lá. Grande Abraço do V

      • vitor rua diz:

        P.S.: sabe, inveja do sucesso dos outros, nunca tive! Não tenho inveja (sendo músico) do sucesso do Tony Carreira. Eu fundei os GNR e éramos considerados um dos melhores grupos portugueses e eu era considerado um dos melhores guitarristas do rock e saí dos GNR para formar os Telectu com o Jorge Lima Barreto. Cá em Portugal, embora ignorados e maltratados pela crítica, tocamos nos melhores festivais e instituições. No estrangeiro fomos os primeiros ocidentais (antes do Vangelis e Michel Jarre) a gravar na China e a editar na China Record Company (do Estado Chinês). Tocamos em Nova Iorque no Tonic do John Zorn e na Knitting Factory. Tocamos em Moscovo em 1984 no Festival da Paz, num concerto transmitido em directo para toda a União Soviética. Tocamos em Cuba e no Japão. Sempre nos melhores Festivais e sempre com os melhores músicos internacionais desta tipologia musical. Fomos ao Egipto e percorremos toda a Europa durante 30 anos. A escolha (minha) foi simples: continuar a “brincar” à música, ou aprender realmente Música, com os maiores e nos melhores sítios. Foi uma escolha de ser-se músico ou ser-se um vendedor de um produto artístico. Escolhi ser músico. Para isso, deixei de aparecer na TV, de dar entrevistas a rádios ou jornais, pois já tinha dado para esse peditório. Desde os 13 anos que toco música e que sou profissional. E durante os GNR, aparecia todos os dias na TV, nas rádios e nos jornais. Fiz o Portugal na CEE (entre outras músicas), que ainda hoje as pessoas cantam. Mas deixei isso tudo (a fama, o reconhecimento público) para me dedicar à música. Como vê, se a minha intenção fosse o reconhecimento, a fama, ou o estrelato, não teria abdicado dos GNR. Ora, se eu não pretendo fama, nem aparecer nas revistas cor-de-rosa, como posso ter a pretensão de sentir inveja pelo sucesso dos outros? E sabe uma coisa? Esse sucesso é efémero, porque de uma moda se trata! Os Madredeus também faziam parte de todas as comitivas presidenciais; tinham primeiros ministros a assistir aos seus concertos; tocaram nas maiores salas de todo o mundo; eram citados em revistas e jornais da especialidade. Pergunto-lhe: onde estão agora os tão importantes e famosos Madredeus? É isso que acontece, quando a Arte não é pura e verdadeira: evapora-se! Abraço do V

      • Luis Gomes diz:

        Caro Vitor Rua, nenhum louco admite que o é….portanto assuma que é egocêntrico e arrogante, porque dei-me ao trabalho de ver os seus comentários, e cheguei a essa conclusão…
        Gostos não se discutem, você detesta a Joana, eu gosto da Joana, portanto ficamos assim com esta diferença de opiniões, por isso estamos numa democracia, que é o menos mau de todos os regimes, devemos respeitar os gostos e nunca os devemos ridicularizar.
        P.S
        Também gosto do Rui Chafes, mas existem outros tão bons como ele….

      • vitor rua diz:

        …Em toda a minha vida profissional e pessoal, nunca ninguém me chamou ou me disse que eu era egocêntrico e arrogante. Desde que saio de casa que cumprimento desde a porteira, ao jornaleiro, os correios, a padeira, o merceeiro. As pessoas que me contratam, temo que muitas vezes não seja pela minha música, mas sim pela minha boa disposição e alegria. Dou-me bem com toda a gente e toda a gente gosta de mim. Por isso você não sabe o que diz. Mesmo!!! Se me conhecesse pessoalmente nem que fosse um só minuto, não diria nada do que disse!
        Mais: diz que não gosto da JV. Repare: sou amigo daquela família há mais de 30 anos (pai, mãe, filhas); e ajudei a JV durante 10 anos iniciais da sua carreira. Por isso as coisas não se metem assim “O Rua não gosta da JV”. O Rua distingue é o que é profissional do pessoal (em primeiro lugar). E depois dentro do profissional e sobre o trabalho da JV nada diria sobre ele, e estou-me a marimbar pois da mesma forma que não perco tempo com música comercial, também não o faço com as artes plásticas: “Não vi e não gostei”.
        P.S.: se há coisa que se discute, são os gostos!!!! Diz que leu o que eu escrevi, mas deve ter-lhe escapado essa parte em que demonstro que os gostos se discutem, ao contrário da frase imbecil automática que certas pessoas usam de dizer isso!
        E olhe: isto em que estamos não é nenhuma democracia!!!! Como nunca houve comunismo na Rússia ou na China!!! Como poderia chamar-se “comunismo” a uma ditadura que nem sequer permitia a liberdade de expressão?
        O mesmo para a suposta “democracia” em que vivemos, em que há mais censura e mais perigosa do que dantes do 25 de abril (ao menos antes sabíamos com o que podíamos contar)…
        Quanto ao “Gosto”, devia ler o que escrevi sobre o mesmo nos comentários aqui neste blog. É que os gostos discutem-se, educam-se. E sempre que possível (de forma pedagógica) devemos ir mostrando às pessoas que o “gosto” dela pode educar-se e tornar-se mais sensível. Por exemplo, você diz que há muitos escultores como Rui Chafes. Pode dizer-me só um nome???? Só lhe peço um desses nomes…
        Não quer que eu ridicularize o seu gosto pela obra da JV. Não o farei. Mas já lhe digo uma coisa: gostar (como você diz) da JV e do Rui Chafes, é como alguém em música gostar do Tony Carreira e do Emmanuel Nunes ao mesmo tempo: uma impossibilidade!!!

      • vitor rua diz:

        P.S.: e repare: você chamou-me de “louco”, “arrogante” e “egocêntrico” !!!! arrumadas as duas últimas (arrogante e egocêntrico), resta a do “louco”. Quanto à do “louco”, respondo-lhe como o Dali: “A diferença entre mim e um louco, é que eu não sou louco”…

      • Luis Gomes diz:

        José Pedro Croft, João Pedro Vale, Isaque Pinheiro, Pedro Valdez Cardoso, Carlos Bunga, Rui Sanches, PARA MIM, estes artistas à nivel de escultura estão ao mesmo nivel do Rui Chafes….
        Mas é como tudo, trata-se de escolhas minhas, baseadas no meu GOSTO, sem pretenções intelectuais e elitistas de alguns que pensam que se julgam iluminados, de acharem que têm a missão de incutirem o bom gosto ( com um espirito das antigas cruzadas ) aos parolos e brejeiros que gostam da Joana Vasconcelos….
        Será também brejeirice gostar da Paula Rêgo, do Julio Pomar e da Vieira da Silva ? Eles vendem bem, são muito comerciais, quem gosta deles são parolos burgueses cheios de nota….

      • Lena diz:

        estou de acordo consigo vitor rua joana é uma excelente comerciante .. o que infelizmente muitos bons pintores não o são … o tempo dirá sobre a obra da joana quem sabe daqui a uns 200 anos … não tenho inveja da joaninha .. ela que siga o seu caminho com a sua arte de egos ..

  20. joana diz:

    Já expôs nas mais prestigiadas instituições portuguesas, como o Museu Berardo, Centro Cultural de Belém e sim, Museu de Serralves em 2000. Já esteve em entrevistas conjuntamente com outros grandes nomes da arte portuguesa, como o Julião Sarmento e Pedro Cabrita Reis. Discutam-se os prestígios então. A arte é campo de discussão sem fim, mas não de ataque. Para além de que ao longo da história, vários artistas renegados se tornaram nos grandes da História da Arte. E há conceitos.
    Argumentos não se fazem com ataques pessoais.
    (Evite essa expressão de povinho estúpido)
    Discuta o tópico com estudantes de Artes Plásticas na FBAUP e terá outras perspetivas da arte contemporânea.

    • Não se pode ser renegado e expor nas mais prestigiadas instituições portuguesas.

      Quanto diz, como já tinha dito, que “há conceitos”, que conceitos são esses, que não chegam a ser enunciados? Ou são pertinentes e podem ser usados como um argumento ou então não, e nem vale a pena invocá-los. No meu próprio texto, um dos argumentos usados é que a arte produzida pela Joana Vasconcelos, tanto formalmente como pelos processos com que é feita, monumentaliza o género de poder político que nos governa (e o mesmo pode ser dito de Cabrita Reis ou de Sarmento). É um argumento baseado em métodos de crítica marxista, feminista ou institucional. A maneira como o enunciei não é um tratado ou sequer um paper, mas é o suficiente para o problema que se propõe tratar (em filosofia chama-se minimalismo a uma abordagem semelhante).

    • vitor rua diz:

      …eu tive em 2009, duas noites com a minha ópera na Culturgest. A cenografia era do escultor Rui Chafes, que comprou 300 bilhetes para cada noite e assim, tive 600 artistas plásticos (entre os quais o Sarmento e o Reis) e sei o que eles pensam da joana. Como sou artista, dou-me com outros artistas. Daí não precisar de falar com alunos de artes plásticas. Quanto a chamar ao povo de “estúpido” repare: há 37 anos que andam a votar ps e psd, ps e psd, ps e psd; somos roubados, humilhados e gozados. Depois de tudo isto, o ps vai ganhar de novo; e depois o psd; e depois o ps… Nem é preciso gastar dinheiro em estatísticas… Daí eu dizer, e incluir-me nele juntamente com você, “povo estupidinho”!!! Porque que dizer de um povo que assume pagar as dívidas de uma meia dúzia de chulos? E que dizer de um povo que se cala quando está a ser chulado? Somos todos estupidinhos!!! o Povo, eu e você!!!… Eu não tenho ataque pessoal à joana. Sou amigo do pai, da mãe e da irmã há mais de 30 anos. E fui muito amigo dela. Fui eu que lhe fiz durante os primeiros 10 anos de carreira os vídeos das peças dela, e a música para as peças dela. Ainda hoje ela usa o meu vídeo para mostrar em galerias e para promover o seu trabalho. E também dei nomes a peças dela. Sempre ajudei sem ganhar dinheiro, pois fazia por amizade (especialmente amizade ao pai). E que fez ela? Usa o meu filme e a minha música, e nunca me pagou os direitos de autor. Passou e passa o documentário dela na tv e eu não recebo direitos de autor. Meti o caso na SPA. Só que, dando-me toda a razão, nada fazem. Há anos que espero uma decisão, de finalmente, ser-me restituído o meu dinheiro. Perdeu quase totalmente os seus amigos de infância. Aliás, ela não tem amigos: tem pessoas que trabalham para ela. Mas eu não quero, nem estou a discutir a “pessoa”, mas sim a artista, e como artista é como os Madredeus: internacionais, falaram muito deles, eram os maiores, sempre nas comitivas presidenciais e agora, não se houve mais falar deles!!!! Esgota!!!! Como o Umberto Eco diz: “Arte Gastronómica” !!!! Esgota-se rapidamente… Vazio… Fazer um lustre (e isto ainda é do melhor dela) e depois dizer que como são tampões, tem o “conceito” da “mulher” e do “feminino”, não é propriamente um “conceito” como lhe chama o Duchamp. É que depois do Duchamp, a arte conceptual, deveria ter os dias contados. Mas, aconteceu precisamente o contrário: cada vez mais há artistas “conceptuais”. Pegam numa Barbie e no Ken, queimam os dois com uma torcha e depois expôem. Pergunte ao Rui Chafes, ao Sarmento, e a outros “colegas” escultores e pintores o que pensam dela (do trabalho) e verá o que eu disse é verdade (que não tem os colegas do seu lado) e que portanto, não são ataques “pessoais”.

    • vitor rua diz:

      P.S.: eu disse Serralves com o João Fernandes !!!!

  21. Volto a referir que, durante o século XX, várias regimes totalitários expressaram a sua arrogância e força através de obras monumentais que representassem estereótipos culturais. Aquilo que a Joana Vasconcelos irá apresentar na Bienal de Veneza (o já famoso cacilheiro) poderá transformar-se numa espécie de loja de souvenirs carregada de objectos artísticos reconhecidos pelos turistas como tipicamente portugueses, reduzindo a arte portuguesa a uma expressão provinciana e, de algum modo, nacionalista. Peço a todos o cuidado de notarem que escrevo “poderá” uma vez que, neste momento, ainda é impossível saber qual o resultado final. Contudo, considero que esta controvérsia surge, em parte, como fruto de uma intenção governamental que se aproxima de uma imagem ditatorial que anunciei no inicio do meu comentário. Não só pelo processo de escolha da artista, mas também por aquilo que esta representa dentro do universo da arte contemporânea feita em Portugal. O que está em discussão não é, no meu entender, a legitimidade da Joana em construir e suportar a sua visão artística. É preciso entender qual o significado por detrás desta eleição definida por este governo, e perceber as intenções do mesmo quando decide exibir numa plataforma internacional uma provável imagem de majestosidade e decoração nacionalista um pouco característica do percurso artístico de Vasconcelos.
    Depois, afirmo convictamente que é fundamental que pessoas como o Mário e todos os outros participantes se manifestem sobre este assunto. Não sei se os participantes neste debate se consideram intelectuais ou não, nem me interessa muito promover qualquer distinção. Sei apenas que, quando Hitler começou a dar nas vistas foi ignorado pelos intelectuais alemães. A sua ascensão política foi considerada durante muito tempo um devaneio do povo. De repente era tarde demais.
    Enquanto criador activo fico preocupado com estes indícios perigosos cada vez mais reais e frequentes e penso que é nossa obrigação reforçar determinados valores como a liberdade de expressão, por exemplo, seja através da crítica ou do diálogo. Não podemos continuar a omitir e a fechar os olhos perante os constantes ataques que a democracia tem vindo a sofrer.
    José Valente
    Músico

  22. […] e meios. Mas a tendência por aqui é, sempre foi, acentuar assimetrias e desigualdades: preferir a arte de grandes dimensões, se possível organizada em moldes empresariais, à pequena produção; preferir o centralismo à […]

  23. João Urbano diz:

    O Mário acaba o post com a frase”monumentalizando das políticas deste governo”. Fico perplexo. Será que a obra da Joana monumentaliza o aumento brutal da carga fiscal, o corte brutal no consumo, a submissão aos ditames da troika etc, etc? Não me parece. Existe algum laivo de saudosismo patriológico neste governo? Não vejo aonde. Quanto ao empreendedorismo, não me parece que seja uma originalidade deste governo. Seria pedir demais que este governo tivesse disponibilidade ou sequer imaginação para elaborar uma estratégia de propaganda que incluisse a arte contemporânea como um de seus pilares. A Joana para este governo no máximo não passa de uma espécie de ampliação dos pasteis de belém do amigo Álvaro. Tudo isto foi feito sem estratégia ou melhor deve ser fruto da insigne cabeça do Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas por um lado e por outro da alta visão sobre arte contemporânea do ex secretário de estado da cultura Francisco José Viegas. E claro, não desagradou a uma certa sensibilidade de direita que mora no governo. Mas disto a considerar como o faz José Valente num comentário que se trata de uma perigosa deriva equivalene à que ocorreu com Hitler parece-me puro delírio. Se alguma aproximação poderemos no máximo fazer (como tonalidade de fundo) é a Salazar. No fundo grande parte da nossa direita em termos estéticos permanece salazarenta. Mas os nossos média também amam a Joana, só que por outros motívos. Sejamos sinseros, não acham que a Joana fica bem na cidade-cenário que é Veneza? Já a estou a ver a passear pelos magníficos canais não de gondola mas de cacilheiro. Portugal chegou, grita ela para a multidão.

    • Monumentaliza aquilo que o governo prefere monumentalizar: o artista como empreendedor, empresa, etc. Duvido que quisesse monumentalizar os seus maus resultados. Quanto a saudosismo, sim: o suficiente para sustentar o investimento no “triângulo luxo-fado-gastronomia” – onde a Joana Vasconcelos está integrada. Quanto ao empreendorismo não é de facto original, apenas mais estridente.

  24. Depois de tantos comentários que tive o cuidado de ler um a um chego á conclusão que uns e outros vão bater aos princípios que defendo na minha corrente artística O Planetarismo ,nascida na Porto 2001. Infelizmente quando nesta corrente me proponho (num bando de andorinhas ….) combater a corrupção, os ditos tachos ,as entradas na consagração pela porta do cavalo,a prostituição da arte e o mercantilismo bem como os falsos artistas,os que produzem ” Arte ” como quem reproduz cogumelos, os ratos ou macacos , os afilhados de partidos á esquerda centro e direita,esses,olham me soslaio e rabeiam por toda a parte naquela de me excluírem porque falo verdades e temem que se lhes acabe a brincadeira ! Acreditem estou mais feliz porque vejo em toda a vossa discussão essa luz do Planetarismo ao fundo do túnel ! Defendo o projecto do artista sempre em função dum mundo melhor ; defendo escolas de críticos imunes a compadrios ; defendo a dignidade na consagração da Arte pois muitos nomes sonantes chegaram por meio da prostituição e da horizontal ! Defendo na obra de Arte o T. E. C. ( a unidade e perfeito equilíbrio entre Técnica ,Espirito ,e Ciência .) Anda por aí muito ladrão de ideias ,muito prostituto /a ,muito comerciante , muito oportunista, muito fazedor de “arte” sem inspiraçào nem transpiração ,só porque a Arte contemporânea permite a confusão entre gato e lebre ! É Primavera, associem se ao Planetarismo e todos em um vamos como um bando de andorinhas dizer aos corruptos que queremos a verdadeira Obra de Arte ! A verdadeira arte é a que permite o verdadeiro progresso ,a Paz , a fraternidade ,a solidariedade , o Amor Universal em toda a humanidade ! Sonho ou utopia ? Pelo sonho é que vamos ! ( Sebastião da Gama )

    • alfredo casquilho diz:

      Uns trabalham para o governo outros para a edp outros foram assessores de primeiro ministro outros são considerados porque formam o sistema

  25. vitor rua diz:

    …eu nunca vi o pintor António Palolo (que teve uma fase Pop nos anos 1960), a vender t-shirts, canecas, relógios ou agendas! O mesmo para o Rui Chafes, o Julião Sarmento, o Pedro Cabrita Reis ou a Paula Rego. Nunca vi estes artistas irem em comitivas presidenciais, ou a serem fotografados ao lado do Mourinho, da Bárbara Guimarães. Nem a terem interesse em saírem na Caras ou nas revistas cor-de-rosa. Vejo-os a trabalhar seriamente nas suas obras. E a serem reconhecidos nacional e internacionalmente por críticos prestigiados. Não existe nenhum texto sobre a JV de algum crítico de renome português. Isto deveria querer dizer algo. O mesmo no estrangeiro. Os bons críticos deitaram abaixo o mau kitch da JV. Depois de Duchamp, tem de se ter muita inteligência e cultura para realizar arte conceptual. E é preciso ter lido uns livros na vida, coisa que a JV nunca fez…

  26. Pedro Mourão diz:

    Parabéns,partilho!

  27. Miguel Galrao diz:

    Com os tachos que ha em Portugal fazem-se muitas obras destas

  28. marco a costa diz:

    rio-me à gargalhada num acto de recalcamento consciente para não chorar da tristeza que esta joaninha e este governo provocam

  29. Concordo em absoluto com o Nuno Ministro, este artigo é dos melhores exemplos do “Portugal dos Pequeninos” que temos.

    Eu Gosto da Joana Vasconcelos! Acho-a uma lufada de ar fresco no cinzentismo que é a postura da arte e da cultura em Portugal.

    Ela é autêntica, criativa e produtiva, no que faz!
    Não tem pretensiosismos de espécie alguma e isso falta em muitos auto-intitulados artistas em Portugal!

    Até percebo que não se aprecie a sua obra artística, não percebo é o tom com que se critica uma pessoa que por mérito próprio conseguiu, por exemplo, atrair a Versalhes mais visitas que qualquer outro artista e que obviamente tem mérito para representar Portugal em qualquer parte do mundo!
    Não é necessário ser artista para reconhecer isto!

    Mas, felizmente a Joana Vasconcelos não precisa da opinião de ninguém para ser a Joana Vasconcelos!

    • Em primeiro lugar, não se critica aqui um pessoa mas uma obra. Portanto, e é claro, a Joana Vasconcelos não precisa de ninguém para ser ela. Em segundo lugar, se com isso quer dizer que a obra dela não precisa da opinião de ninguém para ser o que é, mais uma vez isso parece uma arte feita à medida de quem nos governa, e que também não precisa da opinião de ninguém.

      E também não estou à espera de saber o que pensam “lá fora” de um artista (ou de uma política) para dar a minha opinião.

    • José Albino diz:

      Nunca ninguém atraíu tanta gente ao picnicão do Continente como o Tony Carreira. Daí, deduzo ser este o maior músico português da actualidade. E que mau e pouco inteligente foi Camões… que nunca se soube vender!!!.

  30. ANTONIO SILVA diz:

    É ESTE O PAÍS QUE TEMOS EFECTIVAMENTE ONDE UM PUNHADO DE ERUDITOS TEM A PRESUNÇÃO DE COMENTAR A ESCOLHA DE UMA ARTISTA RECONHECIDA INTERACIONALMENTE PELA SUA OBRA. NO MUNDO DA ARTE COMO NOS OUTROS DESTACA-SE QUEM TEM VALOR E DE ALGUMA FORMA SE SOBRESSAI DOS RESTANTES. O COMENTÁRIO É NORMAL DO RESSABIADO TUGA QUE PELO SEU VALOR INFERIOR AO QUE DE FACTO CONSIDERA QUE TEM OLHA COM DESDEM PARA QUEM COM ESFORÇO E INOVAÇÃO ARRISCA E CRESCE…. NAO MISTUREM AS ESTAÇÕES NEM DESDENHEM DE UMA CARREIRA DE ANOS E OBRA FEITA INTERNACIONALMENTE APRECIADA…OU TB FOI O GOVERNO QUE FEZ COM QUE GANHASSE O PREMIO DA BIENAL DE VENEZA E O CONVITE PARA VERSAILHES???

    • miguel_coimbra diz:

      Cara Mariana e António Silova, claramente também não sabem do que falam e por isso, para dizer idiotices mais vale calarem-se. Fala-se aqui de uma “marca de portugal”, de uma artrista que parece faze-lo melhor do que ninguém e de um governo que a apoia enquanto lhe dá jeito.
      A exposição em Versalhes é/foi igualmente uma idiotice pegada e evidencia o saloiísmo de quem tomou essa decisão.
      Primeiro o local: o palácio de versalhes. É um símbolo de uma época em que o poder se preocupava com a ostentação e luxo enquanto o povo comia ratos do esgoto (literalmente). Um palácio à medida do regime absolutista do séc. XVII e XVII e construído (na época) bem longe do centro e cidade de Paris, não fossem as doenças que matavam a torto e a direito, o povo que lá vivia, atingir o menino rei. Portanto, um local que nada se relaciona com a pureza da arte.
      Segundo, as obras da joaninha: sendo uma artista que dá corpo às suas obras na leitura do espaço e da volumetria das mesmas (instalações), não fez mais nada que não fosse transportar as suas obras tirando-as dos locais onde estavam expostas ou armazenadas e coloca-las em locais que não interferissem muito com o próprio palácio. Ora isto não se chama instalações. A isto chamam-se biblots. Não há leitura do site-specific, logo não há ligação conceptual e em consequencia não à arte. E não me venham com a história que ela criou peças de raiz para a exposição, pois o argumento aplica-se na mesma, já que os mesmos biblots passaram para o Palácio da Ajuda.
      Terceiro, a temática das obras (que coincide com a sua temática pessoal): ícones da arte popular transformados em objecto de elite. Sinceramente, penso que fica mal a algum português reconhecer e adorar obras daquele género como por exemplo (pavilhão de vinho) (a escultura que tem a representação de um garrafão de vinho convertido numa gaiola típica da época vitoriana inglesa numa alusão à uma casa de chá). Parece-me evidente que o que está aqui em causa é o simbolismo do garrafão afirmando que a cultura portuguesa está associada ao vinho. Mas não o vinho enquanto produto das nossas terras, mas o vinho das tascas e dos bêbados que por lá paravam (sabe-se lá porquê, em épocas como do estado novo em que o sr. salazar nem fazia nem deixava fazer e que remédio tinham os portugueses, que mais valia andar bêbado do que morrer à fome…) Outro exemplo são os sapatos Marilyn. Reconhecer igualmente uma grande façanha nesta obra é, no mínimo, não perceber que a joaninha afirma a sociedade machista em que vivemos. Tachos e panelas conjugados numa representação de sapatos femininos de gala, dizem que o lugar da mulher é na cozinha, mesmo por muito que ela não queira. E mais exemplos existem para continuar a descrever as metáforas…
      Em quarto lugar, o patrocínio de 2,5 milhões de euros que todos nós portuguesinhos, dêmos de mão beijada (e não me venham com a história dos mecenas porque também são entidades públicas (tap…edp…) ou vivem dos nossos impostos (bes, gulbenkian…) para que a joaninha e os seus biblots pudessem ser expostos para glorificar Portugal.
      Por isso, é por pessoas que como você que se elevam a ícones portuguêses esses crochets, tricots, panelas e tachos em grande escala.
      Ao longe e para ignorantes é tudo “lindo”, mas isto é pobreza de espírito e espírito de pobre. Isto é pura labreguice.Os portugueses deveriam sentir-se humilhados porque a joaninha faz de nós burros que olham para um palácio (literalmente) e não percebem nada do que vêm. Ou então que ficam fascinados e e extasiados com a magnificência do monumento, das cores, das artes decorativas e por isso, pequeninos e ignorantes como somos, só temos que nos remeter à nossa insignificância.
      Em particular, sinto-me um saloio completo, porque falam de mim enquanto português numa cultura que em nada me identifico. Nunca fiz o culto ao alcoolismo (Pavilhão do vinho…), nem ao machismo (Marilyn…), não me revejo nessas atitudes pirosas e foleiras do decorativismo (Joia do tejo…), não faço apologia à fragilidade feminina (Noiva…) nem vejo um Portugal sem solução (Portugal a banhos…)
      Tudo isto numa “exposição” que funciona como “marca de portugal” é no mínimo para odiar e não para glorificar.

  31. […] que a escolheu, fê-lo porque essa obra representa os seus valores melhor do que outras (já disse quais). E se muita gente dos mundo da arte a consegue apoiar é através de um esforço de ironização […]

  32. […] Pessoa amiga pediu-me para ler a entrada de um blogue, ‘The Ressabiator’, da autoria de um senhor chamado Mário Moura, sobre a presença portuguesa na bienal de Veneza, desta vez a cargo da artista plástica Joana Vasconcelos. Está aqui: https://ressabiator.wordpress.com/2012/07/01/a-arte-que-merecemos/ […]

  33. Paulo Dias diz:

    Não podemos esquecer que praticamente 200 mil pessoas muitas delas estrangeiras viram a obra da Joana no palácio da ajuda, será que isto não é importante? Foi só a exposição mais vista dos ultimos anos e 200 mil pessoas não deve ter recebido o palácio nos últimos 10 anos.

  34. Não tenho tachos! mas vendo Pedras! será Arte!

  35. Eu tb fui ver a exp.ao palacio da ajuda e sinceramente fiquei desiludido,não gostei do enquadramento em que estava inserida ,além de achar que apesar de haver alguma imaginação na construção das peças,não tinha mais nada para mostrar,a não ser que tem muito trabalho envolvido

  36. João San Payo diz:

    Joana quê?! … macacos me mordam! Tanto alarido por tão pouco!!! Vou antes ouvir o “Ide…!”

  37. Francisco Legatheaux diz:

    O fenómeno Joana Vasconcelos é a vingança contra os intelectuais. As infindáveis tricas estéticas, filosóficas, conceptuais, etc em que a classe artistica se veio envolvendo desde há anos, e que transformam os espectadores em estúpidos, resultou nisto: quem tem poder para mandar nas coisas e se fartou de ser considerado atrasado mental por não entender nada de arte, resolveu promover a Joana Vasconcelos da forma que percebeu que todos os artistas queriam um dia ser promovidos, apesar de não confessarem.

    De quem é a culpa? Se está mal ou está bem? Não sei, se não fosse O fenómeno Joana Vasconcelos seria outra coisa qualquer, porque toda a gente critica e diz mal uns dos outros. Os intelectuais e criticos de arte também não são nenhuns santos, só promovem quem eles entendem que encaixa na sua visão “vanguardista”, tão tirana como a do governo, que promove a espectacularidade que melhor representa o seu vazio cósmico. Pessoalmente acho-os iguais, cada um no seu estilo. Por isso nem quero saber.

    Mas há uma coisa que quero deixar aqui: o problema do gosto cega toda a gente. Mas quem é que se deixa convencer que é melhor do que o seu vizinho apenas porque gosta mais de Joseph Beuys do que do Quim Barreiros? Quem é melhor artista é um dos dois, não quem está de fora….quem está de fora não subio de importância na escala humana apenas porque gosta mais de um do que outro. Que mania que as pessoas têm de se acharem mais importantes a partir da altura que leram determinados livros, ou conheceram determinadas obras, afinal em vez de usarem isso como elevação cógnitiva, usam isso como arma para rebaixar os outros na primeira oportunidade. São todos iguais, desde os defensores da Joana, aos defensores do Tony Carreira, aos defensores do Kant, do Hegel….só se tornam diferentes a partir da altura que FAZEM e MOSTRAM o que fazem aos outros: esse é o unico statement sobre o gosto que é válido, o resto é só consumo e guerras de ego em 2ª mão.

    (agradeço que não me corrijam erros ortográficos, em primeiro lugar porque eu escrevo como quiser e entender, em segundo lugar porque, depois do acordo ortográfico, ficou provado que afinal a mudança de regras na lingua depende apenas de vontades politicas e económicas, e a partir daí não existe ninguém com autoridade moral para corrigir seja quem for)

    Francisco Legatheaux

    • Luís Francisco diz:

      Caro Francisco, neste mais de 1 ano de debate, parece-me ser o seu texto o mais coerente. Ok, tem a vantagem de algumas alarvidades já terem sido escritas.

      Mas mesmo assim, sinceramente, você foi o que me fez mais sentido, com as suas palavras.

      Grande abraço de África.

      • Francisco Legatheaux diz:

        Caro Luis, obrigado pela consideração…haja alguém que me entende 🙂 Verdade seja dita: mas afinal que diferença faz a Joana V. ser ou não famosa? Por acaso eu sou artista há vários anos….se calhar desde que nasci. Provavelmente morrerei no anonimato, apesar de me esforçar há anos, fazer exposições, lutar contra dificuldades, etc….como todos os outros. Mas se saiu o euromilhões á Joana V. melhor para ela, aliás, ainda bem, pelo menos alguém que se safe no meio disto. Cunhas e padrinhos há em todo o lado, a humanidade é assim….acho idiota outros artistas matarem-se de inveja por uma estrutura que está fora do alcançe da maioria…é quase tão ridiculo como sentir inveja do Mick Jagger. O governo só dá dinheiro a quem quer, isso não é novidade nenhuma….O problema da inveja é que não tem cura, por isso quem embirra com a joana vasconcelos, para a semana embirra com outra personagem qq, o mal não está na joana mas nas cabecinhas que a invejam. Pessoalmente a obra dela não me diz grande coisa, se fosse eu a escolher preferia o Dali, o Gigger ou a Paula Rego….mas o que é que isso interessa? As pessoas não se enxergam
        cumprimentos para áfrica
        Francisco Legatheaux

    • miguel_coimbra diz:

      Caro Francisco Legatheaux,
      tudo muito certo no que diz, não fosse o facto de ter molhado o pé no primeiro passo. Compreenda que toda esta discução dá-se e baseia-se na existência de (uma) crítica.
      Crítica, que é base da evolução e melhoria. Ou seja. a sua posição “laissez-faire, laissez passer” perante a artista em causa e o apoio governativo recebido, (e ao que parece, sobre qualquer outra coisa…) deixa evidente a sua posição acrítica. A sua perspectiva de que “as coisas são como são, quem somos nós para as mudar?” é de um retrocesso atroz que pensava que, pelo menos naquelas pessoas que pensam e praticam a arte (como o Franciso (ao que parece)) não acontecesse.

      ps: ler livros, torna-nos mesmo mais importantes, porque mais conhecedores e esclarecidos.

  38. […] vez em quanto acontece. Dou uma olhadela às estatísticas do blogue e o meu velho texto sobre a Joana Vasconcelos volta a aquecer. As visitas disparam e surgem mais […]

  39. Não velemos pela medriocridade Portuguesa de Valores e não sejamos os velhos do restelo de sempre..há que valorizar sempre quem consegue, o que não conseguimos…..independente do lobis e de outras forças animicas….seja louvado a arte

  40. miguel levy diz:

    muito boa toda esta discussão!e parabéns especiais ao victor rua.

  41. Vicente diz:

    Porra. Se a Joana está onde está, a ela se deve… (pelo bem ou pelo mal) é uma lutadora. Tivessem os portugueses tomates para protestar desta maneira com os sacanas que nos sacam todos os dias o dinheiro e a liberdade e estaríamos com certeza num PORTUGAL melhor.

    • miguel_coimbra diz:

      Caro Vicente,
      “Se a Joana está onde está, a ela se deve… (pelo bem ou pelo mal) é uma lutadora” – está enganado.
      Tem que saber do que fala. Não foi o mérito próprio que a coloca onde está. e isso é que é triste.

  42. Alguém sabe quem foram os Artistas escolhidos em outros anos???

  43. João Sousa diz:

    A parte mais interessante de toda esta discussão é o suposto triunfo “contra os intelectuais” que a Joana Vasconcelos simboliza.

    Mas será que ninguém conhece realmente a história da Joana Vasconcelos? Será que ninguém presta atenção a alguns depoimentos que se vão ouvindo de colaboradores e ex-colaboradores? Será que nunca ninguém perdeu tempo a investigar, para além das entrevistas de fachada, aquilo que a Joana Vasconcelos pensa sobre a sua própria obra…?

    A Joana Vasconcelos tentou enveredar por esse tal caminho que apelidam de “intelectual” mas não teve sucesso. Foi precisamente por não ter tido sucesso que decidiu parar e mudar o rumo, assumindo então uma posição crítica perante a atenção (ou falta dela) que lhe vinha sendo dada. Decidiu que, se não os podia vencer, teria que se juntar a eles. E foi aí que soube perceber bem o que é que o público verdadeiramente queria. Foi também aí que decidiu pôr os seus interesses de lado e explorar apenas tudo aquilo que poderia ter impacto mediático e, consequentemente, comercial.

    A Joana Vasconcelos é como aquela senhora dos protestos “Occupy Wall Street” que dormia à porta da bolsa de Nova Iorque, em vigília, demonstrando todo o seu descontentamento, até ao dia em que alguém foi falar com ela, e lhe ofereceu trabalho nessa mesma bolsa. O que fez a senhora? Aceitou o trabalho. E assim, milagrosamente, de um dia para o outro, o inferno passou a fazer sentido.

  44. Rui Matoso diz:

    Para Ilustrar a subserviência e o aproveitamento partidário da Joana Vasconcelos, e perceber como se constrói o consenso politico-partidário e a manipulação do gosto das massas, feito através da realação do caciquismo local com a pseudo-artista do regime, e perceber como se gasta dinheiro dos contribuintes para favorecimento partidário http://youtu.be/xJIbr_HCfMQ

  45. Cristina diz:

    Eu vou tapar uns bibelots de loiça com naperons e tambem quero expor no palacio da ajuda…

  46. […] Não sei quando foi, mas um dos meus textos passou os 2000 shares no facebook. Adivinhem qual. […]

  47. […] que possa escolher – incluindo a de Joana Vasconcelos, que como já defendi em outra ocasião (aqui, por exemplo) é o espelho perfeito do poder que nos governa (um transporte público desactivado usado como […]

  48. […] sabia: Joana Vasconcelos é oficialmente a artista do regime. Ainda em 2012 Mário Moura escreveu um texto que, parece-me, resume perfeitamente a natureza desta relação. Com esta iniciativa altamente […]

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