The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A Força da Forma

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Já saiu. Podem comprá-lo aqui.
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O que vem antes?

À maneira do ovo e da galinha, tem-se discutido o que vem primeiro, se a liberdade se a igualdade.

A causa da discussão é, mais uma vez, Joacine Katar-Moreira. Disse que não há liberdade sem igualdade.

Emprego o termo «discussão» para nomear o que essa declaração provocou por delicadeza. Seria mais rigoroso usar a palavra «escândalo» – é um escândalo sincero, literal. As pessoas sentem-se ofendidas. Exprimem indignação.

Contudo, não usarei a palavra «escândalo» porque já se estabeleceu em discussões passadas que o direito a ofender é sagrado. Logo, se há petições para demitir uma deputada porque alguém desfraldou a bandeira do seu país de origem atrás dela numa foto, não foi sem dúvida porque ofendeu. Nem lhe pedem que se demita porque consideram ofensiva a sua gaguez. Nem circulam artigos e posts recheados de insultos por qualquer ofensa que a deputada ou as suas declarações provocam.

Serei politicamente correcto e chamarei «discussão» ao que na verdade não passa de um monte de gente ofendida.

Ofendida, como referíamos, pela ideia que a liberdade não precede a igualdade.

Eu concordo com Joacine Katar-Moreira nesse ponto. Não se pode ter liberdade de expressão, por exemplo, sem haver no mesmo momento, se não antes, igualdade.

O modelo mais influente de liberdade de expressão assenta na discussão enquanto «mercado das ideias», um fórum idealizado onde do debate livre, não condicionado pela identidade dos intervenientes (se são ricos se são pobres, se são brancos ou não) se impõem as melhores ideias.

Não deixa de ser curioso que, depois da última crise, já pouca gente acredita cegamente na capacidade do mercado propriamente dito para valorizar as melhores soluções, mas quando se trata do «mercado das ideias» até a esquerda mais profunda não consegue despegar-se de um modelo literalmente burguês de conceptualizar a própria ideia de debate.

É um modelo moralmente falido. A falência deveria ser evidente quando a disponibilidade de debater com racistas se tornou numa espécie de símbolo do «mercado das ideias». Todo o defensor da liberdade de expressão contra a suposta censura do politicamente correcto se dispõe a debater com fascistas, nazis, xenófobos, etc.

Não percebem que, se o debate é síncero, o que estão a pôr a discussão é a plena humanidade de pessoas como Joacine Katar-Moreira. É a humanidade de ciganos, de refugiados, de muçulmanos, de afro-descendentes que estão a regatear no tal mercado das ideias.

Enquanto já há algum pudor em realmente vender e comprar em mercados reais a humanidade de pessoas, não há pudor nenhum e é até tido como sinal de liberalismo vendê-la e comprá-la no mercado das ideias em nome da liberdade de expressão.

Há pessoas que se podem dar ao luxo de entrar nesse mercado como mercadores. Outros têm de acumular a discussão com a possibilidade deles próprios ser vendidos.

Para que a discussão seja livre, é essencial, mais do que pressupor, assegurar que a igualdade está lá desde o começo.

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Polémicas

Soube agora da polémica entre a Joacine Katar-Moreira e o Daniel Oliveira.

Tal como já disse o Zé Neves: «dizer que outrem tem sobre um dado assunto as mesmas posições do que a direita ou a extrema-direita não é o mesmo do que dizer que outrem é de direita ou de extrema-direita.»

Pelo que percebi depois de ler os threads, DO está ofendido por JKM achar que tem posições em comum com a extrema direita. O que tem alguma piada porque tudo isto começou com o próprio DO a achar que a esquerda a que chama identitária, nomeadamente o Livre, tem posições em comum com a extrema direita e pode ser até o motivo da ascenção da extrema direita.

Ainda hoje à tarde dizia eu, sem saber nada da polémica, que mais do que o André Ventura ou mesmo os Mários Machados, me preocupa haver cada vez mais gente, incluindo moderados e de esquerda, com posições semelhantes às da extrema direita. É nesta franja que se vê, com toda a acuidade, a normalização em curso das ideias de extrema direita.

Esta normalização revela-se no contraste que há entre o tratamento dado a JKM e à Extrema Direita. No curso da conversa, ironizei que a mesma esquerda liberal que vê um assessor de saia ou uma deputada que assume a sua negritude como um perigo comparável ao da extrema direita já se apressa a convidar a dita extrema direita para debater num podcast.

A esquerda dita anti-identitária de Daniel Oliveira está majestosamente mal preparada para lidar com a extrema direita. Propõe-se discutir economia e luta de classes com André Ventura. O resultado é ficarem de boca aberta quando metade do país partilha os videos de Ventura, e assegura que este até diz coisas «que não são mentira nenhuma».

Não se vence a extrema direita evitando o tema do racismo e da discriminação em geral e pedindo para se falar antes da economia e da luta de classes. Se não se tem um discurso anti-racista mobilizador, específico e informado, o que fica no vácuo é apenas o discurso da extrema direita, deixando a esta toda a liberdade para definir o campo. Não chegam declarações vagas e generalistas.

É preciso combater o programa dos Venturas não na economia mas naquilo que ele tem de especificamente mau. Falar do racismo apenas como uma distracção secundária de assuntos como a luta de classes ou o republicanismo é apenas fugir ao assunto – negar o problema.

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Embaraçoso

Ficou-me na cabeça a reacção de José António Saraiva à gaguez de Joacine Katar-Moreira.

Em resumo, e com a autoridade que lhe confere um irmão que sofre de gaguez, Saraiva acha que Joacine não deveria ser deputada para lhe poupar o embaraço – a ela e não ao próprio Saraiva que se queixa longamente da inconveniência e perda de tempo que é ouvir com atenção um gago. Ou quem não tenha a voz conveniente colocada. O exemplo dado é Rui Tavares, cuja prestação vocal considera monocórdica. Não basta ter uma voz segura, também é precisa uma voz que não mace.

Saraiva parece ser daquelas pessoas despropositadamente seguras, cuja confiança se alicerça em deslocalizar o seu próprio embaraço nos outros.

Pela minha parte, um dos meus grandes medos é estar num espaço fechado a aturar alguém como Saraiva. Imagino-me a ouvi-lo a debitar como, baseado numa experiência que teve em tempos num elevador da Fnac, a homossexualidade contemporânea é uma espécie de cosplay que os jovens praticam para chatear os pais.

O que se diz perante tamanha alarvidade? Quantas vezes, num jantar, numa inauguração ou numa simples viagem de taxi, já não fiquei a cismar se vale a pena indicar o meu desconforto perante uma piada racista, uma generalização sobre ciganos, uma tirada sobre homossexuais ou negros.

Caso se responda, o mais provável é dar discussão, o que se traduz em ficar umas horas a ouvir alguém a tentar salvar-nos de ser politicamente correcto. Caso não se responda, fica-se a pensar que o idiota, sendo do tipo de pessoa que usa argumentos do género «até tenho um amigo que é…», poderá dizer no futuro que esteve «a contar piadas sobre pretos ao Mário Moura» e ele até gostou.

Fica-se sempre a perder e é embaraçoso. O que eu não daria para que as pessoas como o José António Saraiva sentissem o seu próprio embaraço em vez de o andarem a regar para cima dos outros.

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Foto de Grupo, 1980.

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Gravei esta imagem para o disco não sei de onde. É provável que a tenha visto no facebook ou num blogue. Guardei-a porque conheço perfeitamente aquele lugar e aquele tempo.

Estudei naquela escola. É o Ciclo Preparatório de Vila Real. Sei que a fotografia foi tirada na passagem da década de 1970 para a de 80.

Não reconheço nenhuma das pessoas da foto, excepto a menina ruiva que me lembro de ver anos depois no Liceu Camilo Castelo Branco. Andava dois ou três anos à minha frente, portanto aqueles rapazes e raparigas devem ter agora cinquenta anos. A maioria terão filhos, talvez mesmo netos. É possível que alguns tenham entretanto falecido.

Ganhei o hábito de a ter aberta no desktop. Quando o computador vai abaixo, reabro-a. Comove-me de um modo que me surpreende, dado não me ser pessoal. Representa perfeitamente um conjunto de memórias minhas das quais não tenho as minhas próprias fotos.

Passei muito tempo na biblioteca, a parte mais elevada do edifício que se vê atrás. A entrada da escola era um portão assinalado pelos dois mastros mais altos. Chegava-se através de uma avenida recente marcada de cada lado por uma fieira de candeeiros de iluminação pública. Em frente ao ciclo, havia quintas, vinha, mato, pinheiro bravo. Agora, há vivendas, serviços, centros de saúde e pavilhões desportivos. É possível que todo aquele horizonte esteja hoje eriçado de casas.

A memória daquela paisagem é só um detonador para chegar ao que verdadeiramente me comove. Sensações às quais não é difícil aceder individualmente mas que se tornaram inacessíveis no seu conjunto.

Lembro-me daquelas nuvens sempre pesadas que pareciam tão sólidas a um miúdo transplantado do sol de Lisboa. Foi nesse preciso sítio, naquele pátio molhado pela chuva que vi nevar pela primeira vez, numa véspera de Carnaval penso que em 1983. Recordo-me de passar o Inverno com frio, com as botas e meias sempre molhadas como as das crianças da foto.

Quase não há fibras sintéticas, plástico ou nylon naquelas roupas. As cores são escuras, castanhos, ocres, os pretos têm o pardo das fazendas, os brancos, a sujidade natural da lã. Lembro-me do momento, também naquele pátio, em que percebi a ausência daqueles tecidos e cores antigas. Os meus colegas e eu próprio tínhamos trocado as samarras e as canadianas por Kispos de cores eléctricas, berrantes de televisão a cores.

Ainda hoje sinto uma espécie de aperto pela sensação e cheiro da fazenda junto à pele.

Se não tivesse outras maneiras de o fazer, poderia datar a imagem pelas roupas. Não sei quando se começa a ter consciência do tempo histórico, da passagem de uma época para outra. Penso que o que me atrai nesta imagem que não é minha é a lembrança por associação da parte da minha vida em que comecei a perceber o movimento da história, todas as sensações físicas, emocionais, que ficam para trás, soterradas pelo que viria depois, impossíveis de recuperar pelos dispositivos de memória habituais, mesmo os mais sofisticados.

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A Eleição

(escrito a 14 de Outubro, no rescaldo da eleição)

É fácil atribuir culpas directas da presença da extrema direita no nosso parlamento. André Ventura pertenceu e teve o apoio do PSD de Passos até tentar derrubar Rio e ter saído pelo próprio pé. Teve financiamento para a sua campanha. Teve sessenta mil pessoas a votar nele.

Como se viu no último Prós e Contras, ensaia-se a estratégia de o deixar a falar sozinho, de não entrar no jogo. É tarde demais, porque há demasiada gente disposta a fazer o jogo da extrema direita.

A extrema direita já está, há muito tempo, em todo o lado. O passatempo nacional dos últimos anos é debater ideias de extrema direita.

Defendeu-se afincadamente a liberdade de expressão de todo o nazi que queira entrar por uma universidade adentro para debitar propaganda. Qualquer entrave, atraso ou preocupação de segurança é logo crismado de censura.

Qualquer programa de debate televisivo dedica quinze minutos por episódio a queixar-se que já não se pode dizer nada. Já não se pode dizer anedotas sobre pretos. Já não se pode chamar cigano a um ladrão ou ladrão a um cigano. Já não se pode fazer música a tratar de temas universais como assassinar mulheres quando são infieis ao marido. Já não se pode dizer ou escrever que o islão trata as mulheres como cães. Passa-se muito tempo a enunciar na televisão o que já não se pode dizer.

Pelo contrário, criticar quem diz estas coisas é uma manifestação de censura, é a ditadura, é o estalinismo. Ainda se há-de descobrir que cada uma das vítimas de Estaline morreu do esforço de ter que ir comentar a actualidade uma vez por semana a estúdios de televisão. Deve ter sido isso.

Toda esta hipocrisia é mais do que evidente.

A extrema direita entra no parlamento porque já existe uma cultura de extrema direita. Temos colunas de opinião que a defendem. Temos videozinhos no Observador onde José Manuel Fernandes explica a versão 2.0 de como os ciganos são todos uns ladrões. Ou porque dar voz e presença na sociedade portuguesa a homossexuais é na verdade uma perda de direitos para nós todos.

Temos crítica literária praticada na Ler, no Observador ou no Expresso onde se insiste em denunciar livros por serem politicamente correctos – o que significa simplesmente que têm o cuidado explícito de não serem preconceituosos com uma minoria. Toda a produção literária ou ensaística que fale de racismo, de discriminação, que leve a sério identidades minoritárias leva logo com o carimbo do politicamente correcto. É um critério habitual.

Por vezes, vai-se mais longe. No Observador, João Pedro Vala disse que James Baldwin seria melhor escritor se escrevesse menos como um negro.

Para ler crítica que trate estes assuntos com seriedade, é preciso ir a jornais internacionais. Em Portugal, o modo por defeito da crítica (e da opinião) é o gajo branco que não percebe muito bem por que razão já não se está a discutir o considera serem os valores universais da literatura e da arte, porque razão os enredos e as piadas que aprendeu já não têm o mesmo efeito de antigamente. Não percebe porque lhe criticam os mesmos hábitos que sempre teve e que sempre lhe asseguraram um sentido de pertença, de posição.

E tudo o que sabe e pode fazer é falar obsessivamente dessa sua incapacidade de perceber, embora atribuindo-a a outros e ao mundo. Faz dessa incapacidade um caso constante de polícia, de perseguição que lhe movem, de medo. É aí, nesse medo, nessa perseguição, nessa vontade de colocar qualquer crítica que lhe façam como um atentado, como um golpe de estado, que vai constantemente nascendo e crescendo a extrema direita.

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A Angústia de Harold Bloom

Morreu há dias o Harold Bloom.

Conheci-o (salvo erro) através de um artigo n’O Independente. Descrevia uma figura fascinante, capaz de ler três livros por dia e uma irritação constante contra feministas, estudos culturais e marxistas, aquilo que ele chamava a escola do ressentimento.

O ai jesus de Bloom era o cânone ocidental. A sua convicção no dito cânone era hipnótica. Dediquei-me a ler os livros que propunha, que eram realmente bons. Levei uns anos a perceber que os critérios com que justificava a sua lista não eram particularmente interessantes.

Operava a crítica literária como uma espécie de misticismo, maledizendo tudo o que na literatura não era (para ele) literatura. Tirando isso não ficava nada de que valesse a pena falar. Shakespeare era, por exemplo, gabado por Bloom por conseguir falar do mundo inteiro, de todos os estados de alma e de todas as situações. Porém, no mesmo momento, defendia que a crítica literária séria estava interdita desse mesmo mundo inteiro, de boa parte dos estados de alma e da maioria das situações.

Talvez a maior contradição de Bloom seja a que motivava artigos como o do Independente: ao defender uma literatura alheia a considerações políticas, tornava-se numa arma perfeita a ser empregue por quem quer que queira fazer vingar uma agenda conservadora de direita. Bloom ganhou renome pelas suas posições políticas em favor de uma literatura ocidental.

A contribuição mais interessante de Bloom é a sua teoria da influência, que via a transmissão da tradição em literatura como uma luta constante de cada escritor com os escritores que o influenciavam.

Talvez o problema de Bloom seja não entender a crítica literária como uma luta semelhante, de críticos que tentam encontrar a sua voz respondendo a figuras tutelares de um cânone da crítica. (James Wood propõe esta ideia num obituário na New Yorker).

É perfeitamente possível imaginar vários cânones movendo-se em paralelo e com interesses distintos, competindo mas também colaborando, respondendo criativamente e reinterpretando-se uns aos outros. Aquilo que Bloom nomeava como a escola do ressentimento é neste momento bem mais estimulante do que insistir na literatura (ou cinema, ou arte) como uma espécie de forma vazia, isolado e (essa sim) ressentida contra tudo o que a ameace.

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Laundromat

Achei piada a Laundromat, filme de Steven Soderbergh para a Netflix, sobre o esquema de fuga aos impostos denunciado pelos Panama Papers.

Ao vê-lo, percebe-se que já existe uma convenção cinematográfica, quase um género, para representar escândalos financeiros de grande escala: o narrador é o criminoso, fala directamente para a câmara, leva o espectador pela mão por todo o labirinto de leis, de procedimentos, de reviravoltas. O tom e o estilo é o habitual em filmes sobre escândalos financeiros (The Wolf of Wall Street, The Big Short, etc.) Leia o resto deste artigo »

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A Idade do Ouro da Crítica

Estamos na idade do ouro da crítica de design. Nunca se escreveu tanto, nem houve tantas publicações dedicadas ao pensamento sobre design: Revue Faire, Modes of Criticism, Aiga Eye on Design, Bulletins of the Serving Library. A estas, pode-se juntar revistas que não sendo estritamente sobre design, usam a crítica de design para reflectir sobre arte, literatura, política e sociedade: Real review, Counter Signals, Migrant.

Estamos numa idade do ouro da crítica de design. Excepto se estivermos a falar de Portugal. Nas listas que dei no parágrafo anterior, há publicações onde colaboraram portugueses (Migrant) e uma revista publicada aqui no Porto pelo Francisco Laranjo, a Modes of Criticism, que é uma referência internacional da crítica de design. Leia o resto deste artigo »

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«O designer como…»

O designer como autor. O designer como produtor. O designer como empreendedor. O designer como crítico. Como advogado. Etc. Este é um tipo de enunciado que se tornou muito comum no discurso sobre o design.

É com efeito uma equação: «O designer como x», podendo x assumir qualquer valor. A fórmula tem a qualidade de representar e criar identidades de modo económico. Pode propor novas maneiras de ver identidades presentes ou passadas, ou pode propor identidades hipotéticas.

A fórmula esconde dois problemas.

O primeiro: ao exprimir-se como uma comparação («O designer como x») dá a entender uma ideia fixa de designer, que ganha valores por analogia com outras ideias.

O segundo: a fórmula dá a entender a identidade do designer como um contentor no qual se podem colocar os mais variados conceitos. Quando se fala de contentores, isolando-os dos seus conteúdos, estamos a entrar no território da forma. As variações da fórmula «O designer como…» podem ser resumidas numa única instância: O Designer como Forma.

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A Força da Forma

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Inaugura hoje, às 17h, na Biblioteca Municipal de São Lázaro. Faz parte da Porto Design Biennale 2019.

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Porto Design Bienalle 2019

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Na próxima semana, inaugura a PDB’19, na qual participo com uma exposição intitulada A Força da Forma, que inaugura no dia 21 de Setembro às 17h00 na Biblioteca Municipal do Porto, em S. Lázaro.

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Prémio Design de Livro 2019

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Já foram anunciados os resultados do Prémio Design de Livro, de cujo júri fiz parte. Foi um processo bastante agradável e interessante. Agradável porque passar uns dias a avaliar o design de livros é das tarefas que mais me dá gozo. Interessante porque (ainda mais agradável) é passar uns dias a debater o que é o design tendo como mote um conjunto de livros muito bem feitos e muito bem concebidos.

Os meus parabéns à Inês Nepomuceno, vencedora, ao Marco Balesteros e ao Degrau Design Studio, menções honrosas, assim como aos restantes designers cujos livros foram seleccionados. De parabéns estão também as instituições e profissionais que com eles colaboraram para fazer estes livros.

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«Nova geração de designers»

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A Beatriz costa fez um documentário em forma de banda desenhada sobre o ensino do design em Portugal. Foi aos sítios, assistiu a aulas, entrevistou alunos, e no fim fez uma história bastante legível, que não se consegue pousar, mesmo quando (ou se calhar porque) se conhecem as pessoas. Em nome de transparência, tenho de avisar que o trabalho foi feito sob a minha orientação, para duas cadeiras da faculdade de belas artes, mas a autonomia e iniciativa da Beatriz são notáveis – como se pode comprovar lendo a própria história.

É um trabalho que merece ser lido por mais gente, pelo retrato que faz, e pelo modo como o faz. Acho particularmente interessante a crítica feita usando meios que não a escrita – a banda desenhada, o podcast, o ensaio vídeo – este é um bom exemplo.

A campanha de crowdfunding já alcançou o seu mínimo, portanto vai mesmo sair. Se ainda quiserem tê-lo, ainda vão a tempo.

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Contra a Anestesia do Design

Quando se muda de casa, não se tem outro remédio senão mudar de vida, sobretudo quando se colecciona livros. Entrei sozinho no apartamento onde morei dezoito anos. Saí com uma família e milhares de livros. Sempre comprei livros. Em 2010, comecei a coleccioná-los pelo seu design. Tenho livros em línguas que não domino (alemão, russo) porque são bonitos e bem feitos.

Pela mesma altura, comecei-me a interessar pela história do design português. Até aí, o meu interesse era a actualidade do design, o que se dizia, o que se fazia, o que se publicava, o que se expunha. A história do design chegou-me primeiro por necessidade profissional, quando me encomendaram textos sobre o assunto. Depois, tomou conta da minha vida de investigador enquanto um problema muito específico: fazer uma história do design português que não seja conservadora, desligar a história do design português da sua tradição. Leia o resto deste artigo »

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A história do «cliente»

No último Sábado, a convite doJosé Bártolo fui participar no lançamento do catálogo da exposição Sinal, na Casa do Design em Matosinhos. Trata-se de uma mostra dedicada aos correios e telecomunicações em Portugal desde o século XIX até às últimas privatizações. Leia o resto deste artigo »

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Cigarro

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A tentar cumprir prazos com a bebé doente. É difícil escrever e até ler no computador, portanto as leituras acabam por ser em papel. Li de rajada um livrito deste ano sobre design, política e jornalismo. Nunca fumei mas a sensação que tive ao sorvê-lo deve ser a de alguém que fumou um cigarro depois de anos de abstinência forçada. Chama-se The Fourth Estate Utopias e não, não é perfeito. São três ensaios e a transcrição de uma série de conversas. A paginação torna difícil seguir o fio. Os textos seguem em paralelo na mesma página, mudando apenas a fonte. Ao começo, saltei de ensaio sem dar conta. Talvez seja uma maneira de manter o leitor atento, crítico, etc. Mas os ensaios e as conversas são como cafeína para alguém como eu. Fala-se sobre acabar com o patriarcado no design. Há um texto bastante interessante de Ruben Pater sobre design, eleições, extrema direita. O livro veio-me recomendado pela Sofia Gonçalves. É tão refrescante ler gente a falar sobre design e assuntos correntes dos últimos quatro anos (eleições, Trump, Brexit, Putin, desinformação, etc. etc.) Lê-lo torna ainda mais óbvio o imenso falhanço que tem sido a crítica e o pensamento de design em Portugal nos últimos anos. Desapareceu quase por completo da imprensa e o pouco que ficou são guias de consumo ou estilo de vida, entrevistas a luminárias que confundem tipografia com design e, por sua vez, esta confusão com pensamento sobre design. Ou, a parte que mais me enjoa, notinhas de quatro ou cinco linhas sobre o grafismo interessante de alguma editora. Estou farto do design como nota de rodapé dos interesses do meiozinho editorial português. Na grande maioria dos casos, o que é gabado quando não é feio e banal, é bom gosto mediano sem grande interesse. Contra isso, gosto da Tinta da China, que realmente não se parece com nada. Depois gosto do trabalho de gente de quem gosto, e portanto, não sei se tenho distância, da Orfeu Negro, que me editou, e da Dois Dias, que são amigos, mas é sempre uma alegria encontrar um livro deles. Não são os únicos mas são consistentes e fiáveis. No que me diz respeito, é tudo o que há a dizer dentro daquilo a que se reduziu a crítica de design em Portugal. Adorava ler sobre design que pareça ter sido feito no século XXI. Adorava ler sobre design, política, guerra, o novo fascismo, desinformação. Bolas, até lia sobre design gráfico e gentrificação. Há alguém a escrever em público sobre isto? Se me vêm dizer que se está a fazer teses e seminários sobre o assunto, desculpem lá mas tenho que ir ali mudar uma fralda. Estou a falar de pensamento público, de crítica feita em voz alta, preto no branco.

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Ensaio um pouco à solta

Quando se cria é muito raro poder voltar-se ao mesmo lugar. Um escritor, por exemplo, pode citar à vontade quem quiser mas tem de cumprir um pudor de voltar à mesma frase, à mesma ideia, polindo-a, aparando-a. Até pode rever um texto, acrescentar e tirar, mas usar em outro texto a mesma frase, o mesmo parágrafo, isso já se sente como uma espécie de auto-plágio. João Pedro George, por exemplo, tornou-se um especialista em apanhar essas reciclagens. Um escritor deve exprimir-se sempre de novas maneiras. E por vezes tem a angústia terrível de ter desperdiçado uma boa ideia, de nunca mais a poder voltar a usar. Ora, uma das qualidades que aprecio mais no argumentista de BD Warren Ellis é a total falta de vergonha quando se trata de reciclar ideias, frases, situações. Não há nada que tenha usado que não se disponha a usar de novo. E é fantástico. Leia o resto deste artigo »

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Cinza foto

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Existiu com toda a certeza um cinzento mate na literatura portuguesa do começo da década de 1990. Podia ser mais ou menos escuro. Podia ser uniforme ou granuloso. Envolvia por completo os livros, assumindo matizes conforme a capa, a lombada, a contracapa. Da cinza formavam-se imagens, sombras de caras, de paisagens. Nas bordas visíveis das folhas podia ser branco, se possível pérola. Ou podiam ser pintadas também de negro ou de uma cor que refulgisse. Um livro fechado era uma placa compacta de cinzas sólidos, contínuos. Um livro de poesia, por exemplo, provocava as mesmas sensações físicas, tinha o mesmo toque que um portátil ou um smartphone bem desenhado.
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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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