The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Design & Desilusão

Há alguns textos atrás, quando falei do modo como muitos estágios eram uma experiência de tal modo traumática que chegavam a afugentar muitos jovens designers da profissão, não antecipava a reacção: vários designers e ex-designers, em mais do que uma ocasião, me vieram dizer pessoalmente como se identificavam com o que eu tinha escrito. Também eles tinham tido uma primeira experiência de trabalho que os tinha  marcado de tal maneira que, em alguns casos, os tinha feito mudar completamente de carreira.

Por vezes, a culpa nem tinha sido de um mau estágio, mas de um bom emprego onde, apesar do salário, o design era uma coisa mecânica, monótona e ingrata, uma luta diária e inglória contra as más ideias dos clientes, dos patrões ou dos colegas. Só por acidente, sorte ou distracção se assemelhava à actividade criativa prometida pelo curso – mais frequentemente, não passava de mero secretariado gráfico.

Mas como se pode evitar esta desilusão? Será que é possível?

No caso dos estágios, a coisa se calhar resolvia-se com mais fiscalização. Quanto aos cursos de design estarem a inflacionar o glamour da profissão, se calhar mais valia ficarmo-nos pela resposta mais cínica: será que ainda havia designers, se as escolas não fizessem um bocadito de letterspacing à verdade?

No entanto, esta não pode ser uma resposta satisfatória: não deveria ser a tarefa das escolas fazerem propaganda falsa; mais importante ainda – não deveria ser a sua obrigação treinarem os alunos para um mau emprego, sem tentarem sequer prepará-los para lutarem por um emprego melhor, nem que tenham de inventá-lo.

Porém, contra esta possibilidade de inventar um design melhor, existe uma certa tendência entre os designers para acreditarem que um tipo muito específico de carreira é a única possível; ou seja: que certo tipo de designers são realmente designers, enquanto todos os outros são falhados ou – pelo menos – excêntricos. Os designers “a sério” são profissionais liberais, no caso de trabalharem sozinhos; quadros e donos de empresas, no caso de trabalharem colectivamente; todos os outros são, ou deveriam ser, etapas a caminho de ser um designer “a sério”: estagiário, designer júnior, sénior, sócio, mudando de empresa quando começa a chatear, criando finalmente a própria empresa, etc.

De fora, ficam os designers que se dedicam à edição independente, os designers que escrevem, os designers que comissariam exposições. Até há pouco tempo, até dar aulas de design era considerado – quando muito – uma actividade complementar ao design “a sério”, dependendo a sua credibilidade da experiência profissional do docente enquanto designer praticante. Só muito recentemente se começou a assumir que a docência de design podia ser uma profissão a tempo inteiro. Como seria de esperar, esta especialização no ensino seria mal vista por muitos designers profissionais, em boa medida porque punha em causa a sua influência na formação de novos designers. Paula Scher, por exemplo, no texto “Back To Show And Tell” defendia que o ensino do design devia abandonar as suas pretensões teóricas para voltar a um modelo de ensino centrado na simulação da prática de atelier.

O problema deste tipo de ensino é que parte do princípio que os problemas e necessidades de todos os designers são os mesmos que os de um atelier. Por exemplo, quando estudava, a identidade gráfica era a base do curso do design. No primeiro ano, dedicávamo-nos a encontrar maneiras criativas de combinar triângulos com quadrados; no segundo ano, misturávamos imagens e figuras geométricas com letras e palavras; no terceiro ano, o propósito destas manobras tornava-se claro quando começámos a fazer os nossos primeiros logótipos. Mesmo questões que não tinham a ver directamente com identidade gráfica, eram ensinadas tendo esta como referência: a paginação era aprendida como apoio à criação dos manuais de identidade; a ilustração era introduzida como uma etapa na criação de uma marca. Porém, durante o tempo em que trabalhei como designer foram raras as ocasiões em que tive que criar um logótipo; era bastante mais frequente ter de aplicar logótipos pré-existentes. Muito do que fazia limitava-se à paginação e à organização visual de informação. Não estou a dizer que saber fazer logótipos é uma competência inútil, apenas que é mais útil no contexto de um atelier de design – muitos designers nem sequer chegam a usá-la.

Do mesmo modo, durante o curso, quando se falava de economia no design, usava-se sobretudo a palavra “orçamento”. Tal como já referi em outro texto, um orçamento é aquilo que uma empresa, individual ou colectiva, apresenta a um cliente; porquê não referir também salários ou contratos, um conhecimento que seria mais útil a quem não dirige uma empresa mas trabalha para uma?

Seria bastante mais útil promover um ensino de design que não se limitasse a formar um único tipo de designer em detrimento dos outros. Porque não formar designers para serem mais do que estagiários de design, mais até do que designers: comissários, políticos, gestores, editores, etc. ?

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Filed under: Crítica, Cultura, Design

18 Responses

  1. Pedro S diz:

    CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP

  2. Porque não, exactamente…

    Porque não, começar mesmo antes e em vez de ter uma disciplina de secundário de Educação Moral e Religiosa que ensina o catolicismo num estado laico, recuperar a disciplina fantasma de Educação Cívica e ensinar tudo, desde leis, impostos, direitos e deveres do cidadão…

  3. José Rui diz:

    Another thing they don’t teach you in design school is what you get paid for…Mostly, designers get paid to negotiate the difficult terrain of individual egos, expectations, tastes, and aspirations of various individuals in an organization or corporation, against business needs, and constraints of the marketplace…Getting a large, diverse group of people to agree on a single new methodology for all of their corporate communications means the designer has to be a strategist, psychiatrist, diplomat, showman, and even a Svengali. The complicated process is worth money. That’s what clients pay for.—Paula Scher

    Mas… “mais até do que designers: comissários, políticos, gestores, editores, etc.” ou até DJs? 🙂
    “Mais até”, porquê? De qualquer modo, a escola tanto forma o designer que trabalha numa agência, como o designer que é editor, como o designer que é professor — a menos que estejas a argumentar que esses designers de facto não estão preparados para esses papeis — se não estão que se preparem. Nem preciso de sair deste blogue para dar um óptimo exemplo. Mas tu sabes que escrever como tu, não é quem quer…
    Eu não quero dar ideia que discordo no essencial, o que acho é que a questão dos estágios não pode ser vista de um ângulo muito apertado, exclusivamente como alta desilusão para os alunos*.

    É verdade que o mercado de trabalho está péssimo. E para os designers está mesmo péssimo. Mas não é realista mesmo noutra conjuntura esperares que de uma turma de 20 todos vão estar a fazer “design a sério”. Um vai ter sucesso, se tanto. Três ou quatro vão trabalhar em design desinspirado, numa agência a encher chouriços e a ganhar no máximo 1.000€. Os outros vão tratar da vida da melhor forma que souberem e puderem (mas nada os impede de fazerem bom design nos tempos livres). Não percebo onde está a admiração.

    Conheço um engenheiro electrotécnico da FEUP que é programador de Flash; outro que é gestor; um gestor da Católica que é vendedor de café; outra que tem uma agência de seguros; um engenheiro civil da FEUP que vende cimento; um electrotécnico do ISEP que vende componentes electrónicos para a indústria… Toda a gente conhece exemplos assim ou parecidos, não é só no design.

    A vida por estes parâmetros é uma desilusão. Habituem-se.

    * Vê o outro ângulo para variar: quero receber estagiários, mas quero os melhores — design de interfaces, bom trabalho vectorial e de pixeis. O que têm os candidatos para me mostrar? Por favor indiquem-me páginas de alunos na internet, para que eu possa escolher os melhores. Essa apresentação não devia ser curricular — um trabalho, além de prático, útil?
    Um bom aluno, devia ter algumas empresas a lutar para o ter como estagiário — e aí talvez aparecesse o tal pagamento, muitas vezes merecido.

    • Sim, de facto estou a argumentar que esses designers não estão preparados para esses papeis, pelo menos não tanto como poderiam estar se o curso os tivesse ajudado. O talento ou a auto-aprendizagem podem muito, mas funcionam melhor num ambiente que os consiga alimentar e valorizar.

      No caso deste texto, não estava a definir o design “a sério” em termos de remuneração, nem em termos de qualidade, mas como um género de design, um certo tipo de carreira dentro do design.

      • José Rui diz:

        Ninguém pode fazer o trabalho pelo aluno. Mesmo em engenharia electrotécnica que dava para centenas de especializações, tens três grandes áreas onde te podes formar.
        Na ESAD havia uma disciplina chamada “Gestão da Produção Industrial” e praticamente havia um motim, porque tinha umas contas onde se somavam 2+2 e coisas parecidas… Ninguém queria aquela disciplina e eu, apesar de saber somar, também não queria… queria era design puro e duro (coisa rara na época…).

        Eu estive agora a ver o Plano de Estudos da ESAD e há montes de disciplinas opcionais, que podem ajudar a definir o designer que cada um vai ser — para ser franco aquilo parece-me bem melhor que quando lá andei. Mas no último ano, não podes ter um professor por aluno… consoante a vocação de cada um. Tens de tratar linhas gerais. Acho eu — tu como professor, terás melhor noção destas coisas.

        O design “a sério” é o que o designer fizer dele. Essencial era não ter, nem alimentar ilusões — nesse aspecto, concordo que as escolas não sejam inocentes, mas se eles não promoverem os seus cursos, que sentido há em existirem os cursos à partida? O candidato a aluno do ensino superior terá a obrigação de se informar que saídas profissionais o seu belo curso lhe dará no futuro. Talvez o mercado funcione e cursos sem futuro fechem de uma vez. O problema está longe de ser um exclusivo do design.

  4. Não discordando com o que o Prof. Mário Moura escreveu no artigo, penso que o José Rui definiu um dos problemas na frase, “Ninguém pode fazer o trabalho pelo aluno”, sobretudo quando temos licenciaturas de 3 anos com o Processo de Bolonha em que é tudo dado pela “rama”, onde é impossível aprofundar matérias, conceitos. Logo, cabe ao aluno fazer a sua investigação, pesquisar, desenvolver grande parte dos trabalhos fora do horário escolar, explorar software, errar, alterar…
    Nem o curso, nem o professor conseguem dar resposta a tudo!!E o aluno apesar de todo este panorama negativo (maus estágios, precariedade no trabalho, etc.) tem de encontrar motivação, deve apostar naquilo em que acredita, deve ser audaz, arriscar e deve em grande parte gerar trabalho…o seu trabalho!!E pode até continuar o seu percurso académico, Mestrado, Pós-Graduação.
    Mas quero acreditar que ainda existem bons estágios por aí e como tal bons exemplos de pessoas que fizeram o seu estágio e estão neste momento a fazer aquilo que gostam…são designers!Conheço alguns casos e como estudante de Design de Comunicação esse é mais um factor de motivação!!

    • Na verdade, o meu argumento é que o curso não pode dar resposta a tudo e tem de escolher, num tempo limitado, o que ensinar ao aluno. Precisa de escolher aquilo que ensina. Acredito que essa escolha actualmente limita as possibilidades e expectativas de quem tira um curso de design.

  5. Penso que o problema da desilusão do design está (como muitas outras coisas na vida) na abissal diferença entre expectativa e experiência. Sobretudo entre a glamourização do design, como dizes (inflacionada não só pela escola, mas pelos media, marketing, etc etc), e a “profissão do design” propriamente dita. Quando vejo o design ser falado na imprensa e na publicidade como estilo ou “lifestyle”, e nos designers como profissionais estilosos e bem dispostos, penso sempre nos jovens rapazes e raparigas que sonham em ser modelos e que, quando começam a trabalhar “no mundo da moda” se apercebem que é duro, feio e difícil.
    Não é por aprender a fazer logotipos e identidades na faculdade que se criam falsas expectativas. É por se assumir que ser designer é tão fácil quanto dizer que se é.
    Por não ser fácil e não ser trendy é que deve ser pago e cobrado devidamente, como qualquer outra profissão. Deixemo-nos de grandezas, mas também de falsas modéstias.

    • Penso que há uma questão que é necessário sublinhar: a maioria dos alunos que saem de uma escola não acreditam que o design é fácil, antes pelo contrário. Ontem, a conversar com a Joana e a Mariana do Isto Não é uma tese, elas lembraram-me isso. Muito do ensino de design é muito duro em relação às expectativas dos alunos, pintando-lhes um quadro muito negro – mas ainda assim realista – do mercado de trabalho. O problema de que falo no texto é algo mais subtil e pode ser resumido de modo simples: com mais de 10.000 designers formados, a maioria deles designers gráficos ou a exercerem design gráfico, o mercado está saturado. A formação que receberam leva esses designers a esperarem uma carreira que não é realista, não apenas no caso das pessoas que não têm “jeito”, mas das que o têm. Há alternativas a essa carreira, que são viáveis e que dão dinheiro. No entanto, não são consideradas legítimas porque não são incluídas ou levadas suficientemente a sério nos planos de estudos. Penso que as escolas deveriam ter alguma atenção a novas oportunidades de saída e não apenas a formar designers “como deve ser”. A criação recente de cursos de especialização em crítica de design, ou empreendedorismo do design demonstram essa flexibilidade.

  6. Neta diz:

    O desfasamento entre formação académica e vida profissional não é um problema exclusivo do design. Não é sequer um problema exclusivo das Universidades. O ensino, tal como é praticado actualmente, destina-se à aquisição de competências específicas. Competências essas que para além de limitadas muitas vezes estão desajustadas da realidade.
    As escolas deviam incentivar cada aluno a criar o seu próprio percurso académico, de forma a que a matéria não seja ensinada segundo um programa mas de acordo com as necessidades de cada aluno. Dessa forma eles não apreendem matemática porque são obrigados mas porque sentem necessidade dela. Isso não só trás vantagens ao nível da competências cognitivas como promove um ensino diversificado o que em última análise beneficia o mercado profissional.

  7. Valter diz:

    Compreendo perfeitamente o ponto deste texto, mas acho que se refere a duas coisas completamente diferentes, por um lado a expectativa que o mercado cria no estudante e por outro a formação académica. Pode-se dizer que partilho a opinião do Bruno Carvalho e do José Rui.

    O modelo educativo de design que experimentei pode-se dizer que foi um pouco diferente do que referes, porque realmente havia espaço para descobrir, embora a nível académico de forma pouco qualificada. A verdade é que não temos professores ou cursos estruturados o suficientes para que o ensino seja o que quer aparentar — pode-se mudar o nome/programa de uma disciplina mas mantendo a prata da casa algo ficará abaixo do esperado.
    Mas sem me querer perder no meu raciocínio, este mesmo espaço experimental proporciona profissionais desleixados que se escondem em “práticas artísticas” para sustentar o seu trabalho. Para se ambicionar à carreira a que te referes é necessário trabalhar e estudar a sério, principalmente nos primeiros anos. Sim existe desilusão, mas antes disso existe desleixo/falta de paixão e falta de conhecimento do mercado. E assim nasce um designer medíocre preso no seu próprio início de carreira.

    A verdade é que não somos preparados para os primeiros empregos, ao invés somos lançados aos lobos, e os melhores têm a obrigação de sobreviver e vingar no mercado que temos. E sim o mercado está mau, mas somos culpados, culpados de um País inculto para o design em que práticas imorais são aceites e o design/critica medíocres são promovidos… é o que temos. ;(

  8. Hélder Mota diz:

    Boa tarde,

    A desilusão no design cresce cada vez mais. No meu entender, a grande culpa disto é do ensino, da estrutura do curso. Sou aluno finalista pelo segundo ano consecutivo e tenho perfeita noção que acabarei com várias lacunas em vários sectores, apesar de reunir alguma experiência profissional na área.
    Em seis anos de curso não tive uma disciplina que me ensinasse como abordar o cliente. Apenas nos informam, de forma indirecta, que o designer é agente da cultura e o mesmo tem de ensinar o cliente (pois..). Não se aborda o valor monetário das coisas, é tudo demasiado poético. Reencaminham os alunos para estágios em identidades. Por exemplo, uma delas é a Porto Editora. Com que ideia um miúdo de 21/22 anos sai desta experiência? Será que sai motivado? Porquê que reduziram o curso para 4 anos, quando 5 já eram escassos para formar uma pessoa? Contamos actualmente com 8 semestres.
    Vejamos:
    – Os 2 primeiros são meramente experimentais
    – Os 5 semestres seguintes são mais específicos, mas sujeitam o aluno a uma imensa carga, o que o obriga -obviamente- a abdicar de muita aprendizagem para conseguir efectuar todo o trabalho pedido.
    – O último semestre é a loucura. Os alunos são reencaminhados para “entidades acolhedoras” e têm uma série de disciplinas a fazer ao mesmo tempo.
    Resumindo, estamos numa fase de produção em massa de designers mal formados para o que o MUNDO REAL exige. Há exemplos de pessoas que acabam o curso actual sem tocar sequer no editorial. Como é possível? Oiço comentários de colegas de curso acerca das teóricas que me deixam intrigado. Como é possível um aluno dizer que uma disciplina que fala exclusivamente da posição do design na sociedade é uma disciplina que serve apenas para acumular créditos? Quantos DESIGNERS conseguem formar todos os anos com este método de ensino?

    Não adianta generalizar o que se passa em Portugal. Isto está mau em todos os países e sectores. Não havendo ordem dos designers não me parece igualmente possível discutir a legitimidade na prática do design.
    O Mário Moura é meu professor. Tem preocupação em ensinar mas isto não chega. Não há salvadores. Enquanto os ‘peixes grandes’ não olharem para o design de forma séria nem tentarem entendê-lo não adianta discutir a forma como a sociedade olha para nós.

    Resta-nos tentar enriquecer o nosso conhecimento de forma individual, nem que este ‘individual’ seja um pequeno grupo de pessoas realmente preocupadas com o assunto. Temos de manter sempre os pés bem assentes na terra e trabalhar. Por vezes uma curta conversa com quem sabe vale mais que ler um livro cheio de dicas.
    Esta é a minha opinião.

  9. Situr Anamur diz:

    Existem 20.000 licenciados

  10. Sublinho o Hélder Mota nalguns aspectos. A criação de uma Ordem do Design acho que seria o ideal, embora não acredite que iria resolver muita coisa. Basta olharmos para as outras ordens já existentes (arquitectura, advogados, enfermeiros, etc.) e vemos pelo que andam a passar esses grupos de profissionais: o mesmo.
    Uma disciplina que abordasse as questões ligadas ao diálogo com o cliente também não era mal pensada, embora poucos designers de profissão tenham verdadeiramente uma relação directa com o cliente. Normalmente, quem o faz são os próprios patrões ou os Comerciais da empresa empregadora. Esses comerciais, normalmente não entendem nada de design e limitam-se a dizer ao cliente coisas tais como “Então está bem bonito este flyer, não está? Muitas cores, letras grandes que criam destaque… o que acha?”, ao que o cliente responde sempre “Deixe-me ver outra hipótese a ver de qual das duas gosto mais!”. E o designer não tem propriamente voto na matéria… Temos depois a tal Comercial a virar-se para o Designer e a dizer “Olhe, veja se me faz outro flyer diferente deste porque este está muito mau. Tente dar mais destaque às letras, com sombras e isso, e dar ainda mais cor”. E chegamos mesmo a questionar-nos se aquela pessoa é mesmo a ideal para nos dar conselhos.
    O mercado anda mau e as empresas andam ainda pior. O designer passa para pano de fundo e quem interessa mesmo à empresa são os profissionais de segunda categoria, normalmente sem quaisquer estudos nem conhecimentos básicos de design, comunicação ou publicidade, mas limitam-se a dar ordens mesmo que não tenham lógica ou fundamento.
    Ainda na semana passada fui a mais uma entrevista de emprego e depois que saí de lá estive a pensar no seguinte. Hoje em dia não se querem designers. Querem-se pessoas dispostas a fazer de tudo e mais alguma coisa. O designer, para ter mais facilidade em entrar numa empresa terá de saber: programação, webdesign, modelação 3D e, claro, mas só em último caso, perceber de design. Saber fazer desenhos e saber trabalhar com todo o tipo de software, mesmo que seja o pior software do mercado, também traz vantagens… Mas nunca se esqueçam, o designer não deve dar a entender que sabe mais de design do que o próprio patrão, mesmo que este último tenha formação em contabilidade… e devem respeitar sempre a sua opinião por muito má que seja.. É esse o mundo actual do design.

  11. Hélder Mota diz:

    Por partes:

    . Criar uma ordem dos designers parece-me algo praticamente impossível. Teríamos de definir o quê que apenas os designers fazem e/ou podem fazer. Vidas não dependem do design, conseguíamos viver sem ele, apesar de ele existir sempre (obrigado professor Mário Moura). Por exemplo, será legítimo dizer que apenas um designer pode criar um logo ou fazer um cartaz?

    . Existe uma grande procura na área do design. O problema é que, de forma geral, as pessoas não procuram profissionais de design mas sim técnicos. Pessoas com o secundário científico-tecnológico que tenham domínio de software e ‘que sejam criativos’, que ‘fazem coisas bonitas’.

    . O último ponto tem a ver com uma questão pertinente, a posição do designer na empresa. Tenho uma visão diferente. O designer tem de assumir uma posição de relevo em relação ao trabalho gráfico/editorial/web (de design) da empresa. Se fomos contratados é porque temos conhecimento e formação. Obviamente que um sujeito que não tenha formação na área sabe que um designer licenciado (por muito mau que seja) tem maior domínio. Temos de fazer o que o patrão pede, mas isto nunca nos retira a liberdade de tentar ser criativos. Nós próprios temos a felicidade de poder tentar cativar o nosso próprio patrão, com inovações, sugestões (com trabalho).
    Temos de assumir o risco de ouvir um ‘Não foi isto que lhe pedi, faça o que lhe peço!’. Se ouvimos um ‘O que é isto?? Você está louco?’ já estamos bem encaminhados para ganhar poder/liberdade de decisão na empresa.
    Tenho a certeza que enquanto existir respeito, existirá sempre uma progressão do designer na empresa.
    Temos obrigação de ‘estudar’ sem parar. Não é o facto de sermos licenciados (ainda não o sou) que nos permite descansar enquanto designers. É sempre bom poder discutir uma escolha gráfica com conhecimento geral do que foi e tem sido feito.

  12. Situr Anamur diz:

    qualquer um pode aprender a dominar o software x ou y mas agora, pensar como um designer? è aí que está a mais valia da profissão, uma maneira de pensar e ver o mundo a 360º e isso só por si já valia a criação de uma Ordem. Os designers pensam estrategicamente, os outros fazem coisas giras no Photoshop (ou seja lá que outro software usem).

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