The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A Triste Ciência

Não há nada que descreva melhor a tristeza do ensino superior das artes português que a ironia de ir sendo tutelado ao longo dos últimos anos por sucessivos ministérios e fundações da ciência e tecnologia. É sem dúvida um daqueles arranjos de conveniência que se fazem numa reunião antes do almoço e superficialmente dão jeito a toda a gente.

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Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Ensino, Não é bem design, mas...

Conferências sobre Livros na Culturgest

A ideia de partida para cada uma das seis conferências de Mário Moura, que decorrerão entre Novembro de 2011 e Abril de 2012, a um ritmo mensal, é escolher um objecto, um livro, que permita, por sua vez, apontar para outros objectos, outros livros, mas também para exposições, filosofias, políticas, etc. As escolhas, longe de obedecerem a determinada ordem, cronológica ou temática, assentam num critério difuso: cada livro, na sua forma física, na maneira como decide ocupar as suas páginas, no modo como hierarquiza os seus conteúdos, ou como as suas imagens se relacionam com o seu texto, implica não apenas uma autoria, mas também uma forma de edição e uma forma de se relacionar com a realidade, com a sociedade, com a política ou com a história.

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Arte Política

Quem, como eu, faz uma crítica que procura não separar a experiência estética dos objectos da política, corre o risco de gostar de um objecto falhado ou feio, simplesmente porque exibe – nas palavras de Benjamin – a tendência política correcta (que é como quem diz: gostar de uma coisa simplesmente porque é de esquerda; não gostar de outra porque é de direita). Porém, a própria diferença entre esquerda e direita é estética. Para a esquerda, a experiência estética não é apenas uma questão subjectiva e pessoal, autónoma, mas está necessariamente ligada a compreender a ligação entre arte e sociedade – se um artefacto nos impressiona e se essa impressão não é apenas nossa, se é social, é porque nos é apresentado pela própria sociedade: por um amigo, por um teatro, por um instrumento de música, por um museu, etc. Para uma crítica conservadora, tudo o que suporta a experiência estética colectiva é uma dado adquirido, nem vale a pena pensar sobre o assunto; para o crítico progressista, tudo isso é questionável.

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Cultura, só mais logo

Passeava pelo Porto com um amigo americano, um jovem curador assistente, que a certa altura me perguntou, apontando o logotipo do BPI, se era de uma instituição cultural: tinha-o visto em Serralves, na Casa da Música, um pouco por todo o lado, em cartazes e folhetos onde era muitas vezes o único elemento a cores e com algum destaque.

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Métodos de Burocracia II (14 Ects)

A primeira experiência que tive do ensino superior foi esperar para ser atendido numa secretaria. Ainda nem me tinha candidatado: foi uma fila para entregar os papéis que asseguravam que me podia candidatar. Um deles era o Bilhete de Identidade e, como seria de esperar tinha-me esquecido dele em casa dos meus pais, a cem quilómetros dali. Tinha uma fotocópia, mas não me deixaram matricular-me. Meti-me no autocarro, fiz a viagem que na altura demorava quase seis horas, ida e volta, apenas para no dia seguinte, depois de apresentar o BI, me dizerem que faltava mais qualquer coisa que eles próprios não se tinham dado ao trabalho de assinalar na lista de documentos necessários, mas que supostamente deveria trazer sempre comigo. Dois dias depois, com quase vinte horas de viagem em larga medida inúteis em apenas uma semana, tinha ganho o direito a candidatar-me.

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Austeridade

A meio de Agosto e relendo muito lentamente os primeiros capítulos d’Os Anéis de Saturno, de W.G. Sebald, com a sua fantasmagórica procissão de imagens e reflexões sobre perda, morte, esquecimento, sobre a impossibilidade de realmente alcançar o conhecimento, em particular as páginas onde se descreve o escritório de uma investigadora académica recentemente falecida onde as folhas se tinham acumulando ao longo dos anos como formações geológicas, ocupando as mesas e depois todo o soalho, comecei a pensar mais sobre a obsessão actual de austeridade, e de como os personagens de Sebald levavam vidas solitárias e austeras, dedicando-se porém a acumular conhecimentos, uma obsessão que se manifestava em estranhas e extensas colecções de objectos, recortes, fotografias ou em viagens a um tempo densas e arbitrárias, sem que isso parecesse uma contradição.

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Facebook

E assim, depois de anos de resistência (ou mais exactamente de inércia), abri uma conta no Facebook.

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A Mulher, esse Enigma (1971, 2ª Edição)

Encontrei esta pérola no caixote das pechinchas da Livraria Barateira por 75 cêntimos.

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O Cinema depois da Aura

Ainda de volta dos catálogos da Cinemateca da década de oitenta, sobretudo Fernando Azevedo, mas também Luís Miguel Castro e João Botelho colaborando uns anos antes da revista K. São objectos exuberantes e densos, cheios de fotogramas e stills, de artigos, críticas, dicionários, cronologias, formatos académicos usados aqui de maneira emotiva ou pessoal, mas nem por isso menos interessante* – Bénard da Costa a mostrar que não era suficiente saber os factos do cinema: era preciso gostar dele com um amor maternal, incestuoso e um pouco tresloucado.

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O que aconteceu ao humor?

Relendo algum jornalismo do começo da década de noventa – falo sobretudo da revista K e do Independente –, surpreende-me  sempre a descontracção e o humor. Naquela altura, a primeira página de um jornal podia dar a sensação, por mais grave que fosse o assunto, que alguém se tinha divertido a fazê-la, a escrever aquele título, a escolher aquelas imagens: era jornalismo a sério, duro e ofensivo, mas não sisudo.

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Parecem mesmo férias

Depois de três Agostos passados ao portátil – para a tese, principalmente –, ainda não é desta que passo o Verão sem escrever, agora para um livro sobre livros (que não é, felizmente, um post-doc, mas se fosse chamar-lhe-ia um “pós-douto”). Os meus passatempos favoritos também abrandaram, com oitenta por cento dos alfarrabistas de Lisboa de férias ou a meio gás. Letreiro favorito: “fui pescar, volto às duas.”

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Pós-Punk

(Ou mais exactamente “Anti-Punk”.) Ando a folhear os primeiros anos da revista The Face, entre 1980 e 1982, ainda sem grandes marcas da presença de Neville Brody. Pelos padrões actuais, é quase uma revista literária, cheia de texto organizado em grandes artigos. A moda reduz-se a um mosaico de fotografias numa ou duas páginas, em vez dos longos ensaios visuais altamente estilizados que chegariam pouco depois. Algumas fotos de cores saturadas com muito grão e, na era pré-Photoshop,  muita maquilhagem visível a olho nu, fazendo os New Romantics parecem figuras de plasticina. Nas fotos a preto e branco, muito contraste, muitos rastos de movimento, reduzindo as caras a padrões quase tipográficos sobre a página.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, História, Publicações

Os Velhos Tempos

Há quem ache que, com os computadores, os adobes e a net, já ninguém sabe imprimir o que quer que seja. Mentira da pura: nos Velhos Tempos, imprimia-se com uma falta de qualidade tão grande que era possível abrir uma revista juvenil em 1968 e dar com a dupla página reproduzida acima. Ou seja, se quisermos ser realmente saudosistas, até a falta de qualidade se foi tornando menos interessante hoje em dia, quando já não é possível dar com uma revista de grande tiragem onde alguém simplesmente se esqueceu de imprimir o K do Cmyk, um quarto da quadricromia, o preto.

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Punk

Para mim, o Punk há-de ser sempre uma coisa mais visual do que sonora, mais americana e francesa do que inglesa. As razões para isso são simples: conheci-o através da  banda desenhada e não do gira-discos, de revistas como a (A Suivre), Animal ou Tintin, onde um desenho da autoria do colectivo francês Bazooka seria a primeira imagem do Punk a deixar-me uma impressão duradoura, chocando-me mais pela novidade violenta do traço, que já em 1978 dava a entender o estilo gráfico dominante da década seguinte, uma mistura pós-moderna de contornos grossos, tramas de impressão ampliadas e rastos estilizados de movimento.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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