The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Novo blogue

Tenho um novo blogue, dedicado sobre história recente do design, sobretudo no contexto português (mas não só). Chama-se monumentânea.

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Ano Novo

Decisões de ano novo: ter mais cuidado a comer; sair mais com a Rosa; continuar a ler mais ficção e revistas de design; ir a mais exposições. E, o mais importante, dedicar-me acima de tudo a design deste século.

Em termos de crítica dedicar-me a objectos concebidos e pensados agora. A conjunção «e» da última frase é crucial à sua compreensão. A grande maioria dos objectos mais públicos do design português podem ter sido concebidos agora, mas são pensados da década de noventa para trás.

Podem até ser grandes objectos, cheios de interesse, mas não são contemporâneos. Aparecem-nos agora, mas são feitos no século passado. E não há falta de quem fale sobre eles. Têm as suas monografias, as suas biografias, as suas exposições, as suas teses de mestrado e doutoramento.

O que é pior: muita da conversa em torno destes objectos também é feita com as vozes e os métodos do século passado. A monografia de design, acompanhada da biografiazinha do designer, é um formato chato, triste, quase inútil, na era da wikipedia e do pinterest.

Há formatos mais actuais, mais urgentes. Pegar-se na biografia de um modo subalterno. Em vez de fazer pela enésima vez a biografia do gajo branco criativo e pioneiro, porque não fazer biografias no feminino, ou de géneros de comunicação visual que não são considerados design precisamente por serem praticados fora dos moldes brancos e masculinos?

Porque não falar do design em termos de formas em vez de o agrupar pelo autor, pelo estúdio ou pelo cliente? Porque não falar de design feito em escolas não como um proto-design feito fora do mundo real mas como algo em si mesmo? Porque não falar desse design como um lado B (uma expressão feliz de Pedro Bandeira)?

Em todo o caso, o meu manifesto para 2020 é que os meus interesses, as minhas prioridades históricas e críticas começam depois de uma barreira traçada com o Porto 2001. Foi nesses anos que se revelou uma nova geração de designers: João Faria, os R2, os Barbara Says. Será aí que começa a história que é mais urgente tratar.

Estou farto do período heróico da edição de 1960, 1970. Estou farto da Almanaque. Estou farto do Luíz Pacheco. Estou farto da Afrodite. Estou farto da Assírio & Alvim. Venham coisas novas.


 

P.S. – E, como é evidente, muita desta história feita no século passado e sobre o século passado é tóxica, agressiva e exclusiva. Se me dessem uma moedinha por cada vez que uma luminária me veio pregar contra o que consideram não ser design ou quem não consideram serem designers. O que fica de fora? O design que correu espectacularmente mal: o design racista do Estado Novo praticado por «heróis» fundadores. O design praticado por mulheres. O design praticado fora do esquema liberal do estúdio a trabalhar para clientes de renome (instituições públicas ou Estado) e de formatos populares (identidade corporativa, capa de livro, cartaz).

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O Objecto do Ano

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Já disse qual foi o meu objecto de design português da década. Os meus objectos do ano são o livro História do Crime, de João Louro, com design dos Barbara Says, e Moer, de Ricardo Valentim e Ana Jotta, com design da Márcia Novais.

Foram finalistas do prémio do design de livro do qual fui júri. Não foram premiados, mas foram os que me assombraram mais. Um prémio é uma decisão coleciva e estou satisfeito com a que tomámos. Gosto de participar em júris porque me levam a decisões que não tomaria sozinho.

Mas fiquei a pensar nas possibilidades de um design português onde se premiasse por unanimidade estes dois livros. Que coisa gloriosa seria esse design!

Cada um desses livros é uma apropriação cuidada, sentida, de um outro formato. A História do Crime rouba um dicionário cujas entradas e imagens foram trocadas de modo maníaco. Moer é um livro de artista encenado como um parasita das colecções da Gulbenkian (curiosamente editado pela própria Gulbenkian).

Não sendo livros de design, são livros que põem em causa as expectativas do que deve ser o design e as suas tarefas: cumprem à letra a vontade dos seus clientes; ao fazê-los, o designer apaga o seu próprio estilo e mesmo identidade; mas revelam também que dentro do design a suposta neutralidade funcionalista nunca existiu; espera-se sempre um estilo, uma identidade, uma originalidade. São livros de artista que revelam cruelmente a inconsistência crucial do designer como deve ser, aquele que se diz humilde, aquele que se diz cumpridor, aquele que depois até gosta que lhe dediquem uns prémios e uns livros.

Sendo menos cruel, são objectos que expandem alegremente os limites do design, quando muito desse design prefere fechá-los ainda mais, perguntando se quem faz objectos destes é realmente um designer (retoricamente, porque acreditam numa resposta negativa).

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Apanhado do ano

A maior tarefa do ano foi a mesma de 2018: a Rosa. O resto orbitou à volta. Já não sei onde começa ela e termina a minha própria existência. Ter menos tempo é uma certeza à qual ainda não me habituei. Talvez por isso, disse que sim a todas a quase todos os desafios.

Comissariei duas exposições e publiquei dois livros, um dos quais escrevi na totalidade.

Em colaboração com o Ricardo Nicolau, comissariei A Biblioteca na Biblioteca, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Comissariei A Força da Forma na Porto Design Biennale. Escrevi o livro A Força da Forma (livro e exposição com design do infatigável Rui Silva). Editei finalmente, com a Susana Gaudêncio, a Sofia Gonçalves, o livro Páginas Inquietas, com colaboração da Catarina Botelho, da Helena Sofia Silva, do António Guerreiro, do Ricardo Nicolau, da Isabel Carvalho, da Oficina Arara e da Márcia Novais.

Foi, sem dúvida, o período mais atarefado da minha vida, mas também o mais vital.

Com A BIblioteca na Biblioteca, decidi começar a concentrar-me menos na história do design e mais na sua contemporaneidade. Assim, vejo A Força da Forma como o encerramento de um ciclo, uma tentativa de produzir uma história revisionista do design gráfico português, onde mesmo ao nível do método se secundariza as unidades habituais – Onde o designer foi menos importante que as suas influências, onde a forma é tida como mais política que a função.

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Vaughan Oliver

4 AD Front Cover Vinyl LP - VA - Lonely Is An Eyesore

Quando comecei a estudar artes no secundário, na segunda metade da década de noventa, ainda sem saber se iria estudar arquitectura ou design, o trabalho que se via em todo o lado tinha cores vivas, contornos claros, e o traço de uma banda desenhada franco-belga. Eram as Amoreiras, o espremedor do Starck e o mobiliário Memphis, o desenho retro-futurista de Daniel Torres ou de Moebius, os arabescos geometricos de Neville Brody.

Quando entrei para a faculdade, sem o saber articular, já queria outra coisa, o oposto disso tudo. Já me tinha aparecido o Eraserhead de Lynch, as banda desenhadas de Bill Sienkewicz e de Dave McKean, a pintura de Francis Bacon, as fotos de Joel Peter Witkin, tudo ambientes texturados, depositados em camadas de contornos esbatidos. Era textura contra cor plana, fotografia contra desenho, atmosfera contra espaço arquitectónico.

Há realmente um pêndulo formalista – depois de uma época cartoon vem uma era sombria e a preto-e-branco – que não se limita ao grafismo. Contra a euforia pop e new wave do começo dos anos 80 veio o som íntimo e solene da 4AD. E, para lhe dar matéria vísivel, carne, o design de Vaughan Oliver – que rapidamente idolatrei. O meu primeiro livro de design, o Album Cover Album 6, tinha-o como um dos autores, juntando-o num trio improvável com Roger Dean e Storm Thorgerson (era o equivalente a juntar os Yes e os Dead Can Dance, ou os Pink Floyd e os Pixies).

Adorava os ambientes texturados de Oliver, muitas vezes produzidos em colaboração com Nigel Grierson. Os primeiros discos que comprei foi pelas suas capas.

Pelo que soube, acabou de morrer. Nunca tive particular vontade de conhecer os meus heróis, primeiro por timidez, depois por perceber que conhecer a pessoa é muitas vezes matar o mistério. Ainda assim, fiquei com inveja quando uma aluna me disse que tinha estagiado em Erasmus com ele, depois de lhe ter mostrado coisas de Oliver. Não fazia ideia da sua importância, mas ficou satisfeita por o saber.

Oliver construiu o ambiente de uma parte importante e formativa da minha vida. Ainda me comove e ainda desejo que o pêndulo caprichoso do formalismo vá de visita a paisagens sombrias e texturadas semelhantes, mas não tem acontecido.

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Filme da Década

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A minha escolha para filme da década é An Oversimplification of Her Beauty, de Terence Nance (2012). Não sei se estreou em Portugal. Vi-o há alguns anos na net. É um dos meus filmes favoritos e, sem dúvida, aquele que para mim representa melhor esta peculiar dezena de anos.

Uma década é um corte arbitrário. Impõe sobre um número certo de anos uma unidade artificial, uma profecia invertida, impossível à partida, óbvia apenas no fim. É decidindo os seus melhores filmes, livros, pessoas e acontecimentos que se define afinal a década. Antes disso, era apenas caos e aspirações. Tempo em cru.

Escolho um filme que não há-de aparecer em muitas listas mas representa para mim e com um eficácia minoritária os anos 2010. Está na intersecção perfeita, certeira, do feixe das características. Não o consigo imaginar em qualquer outro período. É um filme do hipsterismo, da austeridade e da precariedade mas propondo também e de um modo único uma identidade afro-americana.

É intimista ao ponto de parecer um empreendimento solitário: escrito, realizado e interpretado pelo próprio. É ferozmente, mas também delicadamente, independente. Pelo modo ensaístico, documental e poético como vai destrinçando com obsessão um estado de espírito lembra a sinceridade rigoroso e anti-irónica da geração de David Foster Wallace – que transbordou da década anterior. Inscreve-se num espaço próximo mas não equivalente do cinema mumblecore. É demasiado intrincado, inventa demasiado a sua próxima linguagem para isso. Não se filia. Pela profusão de recursos narrativos, e pelo seu rigor poderia ser uma espécie de Wes Anderson.

Contudo, é também uma visão e uma consciência especificamente afro-americana – aproxima-se da série de televisão Atlanta, de um afro-surrealismo lírico (Nance fez também a sua própria série de televisão, a belíssima Random Acts of Flyness). É um filme que junta a sensibilidade urbana, precária, da crise económica – aquilo a que se chama depreciativa e injustamente hipster – com a consciência identitária da segunda metade da década.

Não digo que o meu filme português da década é As Mil e Uma Noites porque habita a primeira metade da década, a da austeridade, da Troika, do desemprego. O filme de Miguel Gomes já parecia um pouco impossível nos tempos da Geringoça. Parece simplesmente utópico, agora, nos tempos do Ventura.

Pelo mesmo raciocínio, não é possível escolher uma só figura política para esta década, a que reuniu Obama e Trump. Aqui em Portugal, escolho Pedro Passos Coelho, santo patrono da austeridade, desemprego e emigração. Seria ele a provocar a aliança das esquerda a que se chamou Geringonça (e não o Livre, como Rui Tavares tem defendido). Seria ele a legitimar politicamente André Ventura e o seu programa.

(Ironicamente, penso ter sido o Livre, e em particular Joacine Katar-Moreira, o pretexto para o enterro definitivo de toda e qualquer geringonça ou entendimento entre as esquerdas, a maioria das quais estão cobardemente dispostas a ignorar o racismo em nome de uma luta de classes esbranquiçada, em nome de não alienar os piores instintos do seu eleitorado. A esquerda portuguesa, tal como o centro e a direita, decidiu que lhe incomoda mais chamarem-lhe racista do que dizer ou fazer coisas racistas.)

O texto termina abrupto. Escrevo-o no comboio, enquanto viajo com a minha esposa e filha. O sol bate-me no ecrã e na cara da minha filha que não consegue dormir. Um idiota no lugar da frente recusa-se a baixar a cortina porque pagou para ver a vista. O revisor diz que não há nada a fazer. Tudo dependeria, alegoricamente, do civismo.

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A década da imagem

Esta também foi a década onde o design de comunicação português se consolidou ainda mais como um serviço clerical.

Embora ainda sonhe com os altos vôos do branding, e fique muito orgulhoso e sonhador com os Porto Ponto que ainda vão havendo, a verdade é que o logotipo é cada vez algo feito pela agência publicitária.

A agência vai penetrando nos territórios onde o design gráfico se tinha refugiado, a câmara municipal e as instituições de cultura. Em resposta, vai-se fesejando as poucas e pouco representativas vitórias em contra-corrente – como o já referido Porto Ponto.

O design tem-se tornado numa actividade funcionária e nada o revela melhor do que a obsessão central desta década pela tipografia, pelo editorial, pelos interfaces e experiência de utilizador – organização da informação em letras e páginas, sejam elas físicas ou virtuais.

A obsessão pela tipografia é tanta que se perdeu, quase sem dar conta, a capacidade para lidar com as imagens.

Numa das melhores conferências a que assisti este ano, Sofia Gonçalves (na PDB) falou de dois territórios que seriam impossuíveis pelo design: o meme e o cartaz de protesto. Para um designer os fazer precisa de abandonar a sua identidade de designer. Eu acrescentaria que outro território é o da imagem.

Dei conta disso ao pedir aos meus alunos para conceber uma publicação sem tipografia e eles me terem perguntado como se avaliava isso. Por contraste, quando eu era aluno só começávamos a trabalhar com tipografia no último trabalho do primeiro ano, e mesmo assim de modo muito limitado. Esperava-se de quase todos os designers que fossem fotógrafos ou ilustradores. Neste momento, essas são duas especializações quase fora do território do design.

O resultado é que, na década onde qualquer pessoa sabe discutir através da imagem, onde as eleições e as guerras se vencem e se perdem através da desinformação via meme, o design parece fantasticamente mal preparado para lidar com este problema. Num dos melhores textos da década, Can Jokes Bring Down Governments?, os Metahaven já avisavam para estas imagens que se movimentam quase totalmente do lado de fora do design.

Para ser franco, também se movimentam fora do jornalismo e do discurso político tradicionais que as vêem com a maior desconfiança. As boas análises têm sido raras e quase todas fora da esfera do design.

Na verdade, o design tem sido tão incapaz de produzir imagens marcantes como de produzir análise crítica pertinente sobre imagens – o que é triste, na década onde se começou a comunicar e a discutir através da imagem. O gif animado e o meme estão, dentro do design, ao nível da Comic Sans, um território chunga sobre o qual se empina o nariz.

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A década, então.

No design português, se formos pela simples quantidade, nunca se escreveu tanto. Papers, teses de mestrado, doutoramentos. Incentivada pelos indicadores de produção académica, a produção de pensamento sobre design massificou-se. Não melhorou, nem se tornou mais pública. São comuns os papers que antigamente seriam simples notas de leitura. O mesmo com dissertações e teses. Já estive em defesas onde se faz questão de contar as palavras ou apontar em público se o candidato citou ou não teses da instituição onde se está a formar. É um mau hábito, uma espécie de sistema de quotas para gerar citações. Com a quantidade actual de produção, deveria ser criticado como uma espécie de incentivo ao provincianismo.

O pior é toda esta produção não ter qualquer eco na sociedade em geral. Nunca se escreveu tão pouca e tão má crítica de design em Portugal. Nos jornais, a crítica de design gráfico limita-se ao que sempre foi: uma nota de rodapé à crítica literária. O gosto é conservador quando não mesmo mau. O tipo de objectos que se louva são quase sempre maus ou, quando não são, estão desactualizados.

Na imprensa, o que se gosta são monografias sobre designers já falecidos. O que se gosta é de edição das décadas de sessenta, setenta. O que se gosta é da Imprensa Nacional Casa da Moeda. O que se gosta são aqueles pastelões vaidosos, álbuns mais ou menos comemorativos que parecem caixas de bombons.

O que não se consegue sequer comentar é uma das melhores décadas em termos de edição independente aqui em Portugal. Ainda por cima edição feita ou ajudada por designers. Uma das décadas mais diversas, também. Nunca houve tanto design feito por mulheres. Lendo o que se escreve sobre design, ninguém notaria. Onde estão Sofia Gonçalves, Márcia Novais, Maria João Macedo, Inês Nepumuceno, Cláudia Lancaster? Onde está Marco Balesteros? Onde está a Oficina Arara?

Mas nem tudo é um deserto na crítica de design aqui em Portugal. Como objecto fundamental da década, escolho os catálogos das exposições de finalistas da Fbaul, em geral dirigidos por Sofia Gonçalves. Foram a única publicação pela qual valeu a pena ansiar. A única em Portugal que pareceu ter sido feita nesta década, já para não falar deste século. A única que fala de desinformação, de identidade, de política, dentro do design. Não é uma revista mas vou tratá-la como um revista anual, a bem do que resta da dignidade do design nacional.

(Ao nível internacional, o texto mais importante do design foi Can Jokes Bring Down Governments? dos Metahaven, escrito dois anos antes de Trump. Profético mas falhado, ainda assim foi o local, a tangente, onde o design esteve mais próximo de acertar).

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Páginas Inquietas

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Já saiu.

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A Garrafa

Desmontei na terça a exposição. Os livros e revista já estão de volta nos seus caixotes. A Porto Design Biennale chegou ao fim. Vou sentir falta. Aliás, já sentia. Por causa do meu emprego e dos meus deveres de pai recente, foi-me impossível ir a todos os eventos, todas as exposições e conferências. Foram tantos. Os que tive a boa fortuna de assistir foram sempre estimulantes. Alguns porque iam ao encontro das minhas preocupações, mostrando-me mais possibilidades. Outros porque embatiam contra as minhas preocupações, ainda assim de modo estimulante.

Um dos eventos que mais me pôs a pensar foi um dos que me irritaram, uma conferência dupla do editor da Dezeen. A Dezeen, como o seu próprio editor referiu, descende da Ícon que por sua vez descende da Blueprint, centrando-se todas, deliberadamente, no designer enquanto celebridade.

Agora, a Dezeen acumula essas funções com um tipo de activismo tablóide, denunciando conferências e ateliers onde não há diversidade, ou revelando que processos ou empresas tidos como ecológicos na verdade não fazem o suficiente. Pareceu-me, não sei se pelo tom da apresentação, boas intenções engarrafadas. Perdão: da torneira, servidas numa garrafa de vidro desenhada por uma celebridade.

Há discussões bem mais complexas e bem mais pensadas. A verdade é que eu beberia de vontade uns quantos copos da tal garrafa de vidro. Quem me dera que houvesse cá em Portugal uma imprensa de design com a mesma vitalidade (mesmo que só falasse de celebridade). Quem me dera que aqui se praticasse a mesma wokeness por defeito da Dezeen. Já estaríamos uns furos acima.

A maior tristeza da bienal foi ter ilustrado o miserável estado do discurso público do design em Portugal. Ninguém escreve. Ninguém fala. Ninguém faz. É mais fácil montar uma boa exposição do que sustentar crítica com interesse e actualidade.

A quantas décadas vamos de correntes contemporâneas da crítica de design? Das interrogações interessantes que são levantadas sobre a relação entre ficção e design? Porque não se consegue relacionar a descolonização do design com discussões em tudo semelhantes sobre representação, identidade e extrema direita em Portugal?

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A Força da Forma

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Já saiu. Podem comprá-lo aqui.
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Lançamento

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O que vem antes?

À maneira do ovo e da galinha, tem-se discutido o que vem primeiro, se a liberdade se a igualdade.

A causa da discussão é, mais uma vez, Joacine Katar-Moreira. Disse que não há liberdade sem igualdade.

Emprego o termo «discussão» para nomear o que essa declaração provocou por delicadeza. Seria mais rigoroso usar a palavra «escândalo» – é um escândalo sincero, literal. As pessoas sentem-se ofendidas. Exprimem indignação.

Contudo, não usarei a palavra «escândalo» porque já se estabeleceu em discussões passadas que o direito a ofender é sagrado. Logo, se há petições para demitir uma deputada porque alguém desfraldou a bandeira do seu país de origem atrás dela numa foto, não foi sem dúvida porque ofendeu. Nem lhe pedem que se demita porque consideram ofensiva a sua gaguez. Nem circulam artigos e posts recheados de insultos por qualquer ofensa que a deputada ou as suas declarações provocam.

Serei politicamente correcto e chamarei «discussão» ao que na verdade não passa de um monte de gente ofendida.

Ofendida, como referíamos, pela ideia que a liberdade não precede a igualdade.

Eu concordo com Joacine Katar-Moreira nesse ponto. Não se pode ter liberdade de expressão, por exemplo, sem haver no mesmo momento, se não antes, igualdade.

O modelo mais influente de liberdade de expressão assenta na discussão enquanto «mercado das ideias», um fórum idealizado onde do debate livre, não condicionado pela identidade dos intervenientes (se são ricos se são pobres, se são brancos ou não) se impõem as melhores ideias.

Não deixa de ser curioso que, depois da última crise, já pouca gente acredita cegamente na capacidade do mercado propriamente dito para valorizar as melhores soluções, mas quando se trata do «mercado das ideias» até a esquerda mais profunda não consegue despegar-se de um modelo literalmente burguês de conceptualizar a própria ideia de debate.

É um modelo moralmente falido. A falência deveria ser evidente quando a disponibilidade de debater com racistas se tornou numa espécie de símbolo do «mercado das ideias». Todo o defensor da liberdade de expressão contra a suposta censura do politicamente correcto se dispõe a debater com fascistas, nazis, xenófobos, etc.

Não percebem que, se o debate é síncero, o que estão a pôr a discussão é a plena humanidade de pessoas como Joacine Katar-Moreira. É a humanidade de ciganos, de refugiados, de muçulmanos, de afro-descendentes que estão a regatear no tal mercado das ideias.

Enquanto já há algum pudor em realmente vender e comprar em mercados reais a humanidade de pessoas, não há pudor nenhum e é até tido como sinal de liberalismo vendê-la e comprá-la no mercado das ideias em nome da liberdade de expressão.

Há pessoas que se podem dar ao luxo de entrar nesse mercado como mercadores. Outros têm de acumular a discussão com a possibilidade deles próprios ser vendidos.

Para que a discussão seja livre, é essencial, mais do que pressupor, assegurar que a igualdade está lá desde o começo.

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Polémicas

Soube agora da polémica entre a Joacine Katar-Moreira e o Daniel Oliveira.

Tal como já disse o Zé Neves: «dizer que outrem tem sobre um dado assunto as mesmas posições do que a direita ou a extrema-direita não é o mesmo do que dizer que outrem é de direita ou de extrema-direita.»

Pelo que percebi depois de ler os threads, DO está ofendido por JKM achar que tem posições em comum com a extrema direita. O que tem alguma piada porque tudo isto começou com o próprio DO a achar que a esquerda a que chama identitária, nomeadamente o Livre, tem posições em comum com a extrema direita e pode ser até o motivo da ascenção da extrema direita.

Ainda hoje à tarde dizia eu, sem saber nada da polémica, que mais do que o André Ventura ou mesmo os Mários Machados, me preocupa haver cada vez mais gente, incluindo moderados e de esquerda, com posições semelhantes às da extrema direita. É nesta franja que se vê, com toda a acuidade, a normalização em curso das ideias de extrema direita.

Esta normalização revela-se no contraste que há entre o tratamento dado a JKM e à Extrema Direita. No curso da conversa, ironizei que a mesma esquerda liberal que vê um assessor de saia ou uma deputada que assume a sua negritude como um perigo comparável ao da extrema direita já se apressa a convidar a dita extrema direita para debater num podcast.

A esquerda dita anti-identitária de Daniel Oliveira está majestosamente mal preparada para lidar com a extrema direita. Propõe-se discutir economia e luta de classes com André Ventura. O resultado é ficarem de boca aberta quando metade do país partilha os videos de Ventura, e assegura que este até diz coisas «que não são mentira nenhuma».

Não se vence a extrema direita evitando o tema do racismo e da discriminação em geral e pedindo para se falar antes da economia e da luta de classes. Se não se tem um discurso anti-racista mobilizador, específico e informado, o que fica no vácuo é apenas o discurso da extrema direita, deixando a esta toda a liberdade para definir o campo. Não chegam declarações vagas e generalistas.

É preciso combater o programa dos Venturas não na economia mas naquilo que ele tem de especificamente mau. Falar do racismo apenas como uma distracção secundária de assuntos como a luta de classes ou o republicanismo é apenas fugir ao assunto – negar o problema.

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Embaraçoso

Ficou-me na cabeça a reacção de José António Saraiva à gaguez de Joacine Katar-Moreira.

Em resumo, e com a autoridade que lhe confere um irmão que sofre de gaguez, Saraiva acha que Joacine não deveria ser deputada para lhe poupar o embaraço – a ela e não ao próprio Saraiva que se queixa longamente da inconveniência e perda de tempo que é ouvir com atenção um gago. Ou quem não tenha a voz conveniente colocada. O exemplo dado é Rui Tavares, cuja prestação vocal considera monocórdica. Não basta ter uma voz segura, também é precisa uma voz que não mace.

Saraiva parece ser daquelas pessoas despropositadamente seguras, cuja confiança se alicerça em deslocalizar o seu próprio embaraço nos outros.

Pela minha parte, um dos meus grandes medos é estar num espaço fechado a aturar alguém como Saraiva. Imagino-me a ouvi-lo a debitar como, baseado numa experiência que teve em tempos num elevador da Fnac, a homossexualidade contemporânea é uma espécie de cosplay que os jovens praticam para chatear os pais.

O que se diz perante tamanha alarvidade? Quantas vezes, num jantar, numa inauguração ou numa simples viagem de taxi, já não fiquei a cismar se vale a pena indicar o meu desconforto perante uma piada racista, uma generalização sobre ciganos, uma tirada sobre homossexuais ou negros.

Caso se responda, o mais provável é dar discussão, o que se traduz em ficar umas horas a ouvir alguém a tentar salvar-nos de ser politicamente correcto. Caso não se responda, fica-se a pensar que o idiota, sendo do tipo de pessoa que usa argumentos do género «até tenho um amigo que é…», poderá dizer no futuro que esteve «a contar piadas sobre pretos ao Mário Moura» e ele até gostou.

Fica-se sempre a perder e é embaraçoso. O que eu não daria para que as pessoas como o José António Saraiva sentissem o seu próprio embaraço em vez de o andarem a regar para cima dos outros.

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Foto de Grupo, 1980.

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Gravei esta imagem para o disco não sei de onde. É provável que a tenha visto no facebook ou num blogue. Guardei-a porque conheço perfeitamente aquele lugar e aquele tempo.

Estudei naquela escola. É o Ciclo Preparatório de Vila Real. Sei que a fotografia foi tirada na passagem da década de 1970 para a de 80.

Não reconheço nenhuma das pessoas da foto, excepto a menina ruiva que me lembro de ver anos depois no Liceu Camilo Castelo Branco. Andava dois ou três anos à minha frente, portanto aqueles rapazes e raparigas devem ter agora cinquenta anos. A maioria terão filhos, talvez mesmo netos. É possível que alguns tenham entretanto falecido.

Ganhei o hábito de a ter aberta no desktop. Quando o computador vai abaixo, reabro-a. Comove-me de um modo que me surpreende, dado não me ser pessoal. Representa perfeitamente um conjunto de memórias minhas das quais não tenho as minhas próprias fotos.

Passei muito tempo na biblioteca, a parte mais elevada do edifício que se vê atrás. A entrada da escola era um portão assinalado pelos dois mastros mais altos. Chegava-se através de uma avenida recente marcada de cada lado por uma fieira de candeeiros de iluminação pública. Em frente ao ciclo, havia quintas, vinha, mato, pinheiro bravo. Agora, há vivendas, serviços, centros de saúde e pavilhões desportivos. É possível que todo aquele horizonte esteja hoje eriçado de casas.

A memória daquela paisagem é só um detonador para chegar ao que verdadeiramente me comove. Sensações às quais não é difícil aceder individualmente mas que se tornaram inacessíveis no seu conjunto.

Lembro-me daquelas nuvens sempre pesadas que pareciam tão sólidas a um miúdo transplantado do sol de Lisboa. Foi nesse preciso sítio, naquele pátio molhado pela chuva que vi nevar pela primeira vez, numa véspera de Carnaval penso que em 1983. Recordo-me de passar o Inverno com frio, com as botas e meias sempre molhadas como as das crianças da foto.

Quase não há fibras sintéticas, plástico ou nylon naquelas roupas. As cores são escuras, castanhos, ocres, os pretos têm o pardo das fazendas, os brancos, a sujidade natural da lã. Lembro-me do momento, também naquele pátio, em que percebi a ausência daqueles tecidos e cores antigas. Os meus colegas e eu próprio tínhamos trocado as samarras e as canadianas por Kispos de cores eléctricas, berrantes de televisão a cores.

Ainda hoje sinto uma espécie de aperto pela sensação e cheiro da fazenda junto à pele.

Se não tivesse outras maneiras de o fazer, poderia datar a imagem pelas roupas. Não sei quando se começa a ter consciência do tempo histórico, da passagem de uma época para outra. Penso que o que me atrai nesta imagem que não é minha é a lembrança por associação da parte da minha vida em que comecei a perceber o movimento da história, todas as sensações físicas, emocionais, que ficam para trás, soterradas pelo que viria depois, impossíveis de recuperar pelos dispositivos de memória habituais, mesmo os mais sofisticados.

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A Eleição

(escrito a 14 de Outubro, no rescaldo da eleição)

É fácil atribuir culpas directas da presença da extrema direita no nosso parlamento. André Ventura pertenceu e teve o apoio do PSD de Passos até tentar derrubar Rio e ter saído pelo próprio pé. Teve financiamento para a sua campanha. Teve sessenta mil pessoas a votar nele.

Como se viu no último Prós e Contras, ensaia-se a estratégia de o deixar a falar sozinho, de não entrar no jogo. É tarde demais, porque há demasiada gente disposta a fazer o jogo da extrema direita.

A extrema direita já está, há muito tempo, em todo o lado. O passatempo nacional dos últimos anos é debater ideias de extrema direita.

Defendeu-se afincadamente a liberdade de expressão de todo o nazi que queira entrar por uma universidade adentro para debitar propaganda. Qualquer entrave, atraso ou preocupação de segurança é logo crismado de censura.

Qualquer programa de debate televisivo dedica quinze minutos por episódio a queixar-se que já não se pode dizer nada. Já não se pode dizer anedotas sobre pretos. Já não se pode chamar cigano a um ladrão ou ladrão a um cigano. Já não se pode fazer música a tratar de temas universais como assassinar mulheres quando são infieis ao marido. Já não se pode dizer ou escrever que o islão trata as mulheres como cães. Passa-se muito tempo a enunciar na televisão o que já não se pode dizer.

Pelo contrário, criticar quem diz estas coisas é uma manifestação de censura, é a ditadura, é o estalinismo. Ainda se há-de descobrir que cada uma das vítimas de Estaline morreu do esforço de ter que ir comentar a actualidade uma vez por semana a estúdios de televisão. Deve ter sido isso.

Toda esta hipocrisia é mais do que evidente.

A extrema direita entra no parlamento porque já existe uma cultura de extrema direita. Temos colunas de opinião que a defendem. Temos videozinhos no Observador onde José Manuel Fernandes explica a versão 2.0 de como os ciganos são todos uns ladrões. Ou porque dar voz e presença na sociedade portuguesa a homossexuais é na verdade uma perda de direitos para nós todos.

Temos crítica literária praticada na Ler, no Observador ou no Expresso onde se insiste em denunciar livros por serem politicamente correctos – o que significa simplesmente que têm o cuidado explícito de não serem preconceituosos com uma minoria. Toda a produção literária ou ensaística que fale de racismo, de discriminação, que leve a sério identidades minoritárias leva logo com o carimbo do politicamente correcto. É um critério habitual.

Por vezes, vai-se mais longe. No Observador, João Pedro Vala disse que James Baldwin seria melhor escritor se escrevesse menos como um negro.

Para ler crítica que trate estes assuntos com seriedade, é preciso ir a jornais internacionais. Em Portugal, o modo por defeito da crítica (e da opinião) é o gajo branco que não percebe muito bem por que razão já não se está a discutir o considera serem os valores universais da literatura e da arte, porque razão os enredos e as piadas que aprendeu já não têm o mesmo efeito de antigamente. Não percebe porque lhe criticam os mesmos hábitos que sempre teve e que sempre lhe asseguraram um sentido de pertença, de posição.

E tudo o que sabe e pode fazer é falar obsessivamente dessa sua incapacidade de perceber, embora atribuindo-a a outros e ao mundo. Faz dessa incapacidade um caso constante de polícia, de perseguição que lhe movem, de medo. É aí, nesse medo, nessa perseguição, nessa vontade de colocar qualquer crítica que lhe façam como um atentado, como um golpe de estado, que vai constantemente nascendo e crescendo a extrema direita.

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A Angústia de Harold Bloom

Morreu há dias o Harold Bloom.

Conheci-o (salvo erro) através de um artigo n’O Independente. Descrevia uma figura fascinante, capaz de ler três livros por dia e uma irritação constante contra feministas, estudos culturais e marxistas, aquilo que ele chamava a escola do ressentimento.

O ai jesus de Bloom era o cânone ocidental. A sua convicção no dito cânone era hipnótica. Dediquei-me a ler os livros que propunha, que eram realmente bons. Levei uns anos a perceber que os critérios com que justificava a sua lista não eram particularmente interessantes.

Operava a crítica literária como uma espécie de misticismo, maledizendo tudo o que na literatura não era (para ele) literatura. Tirando isso não ficava nada de que valesse a pena falar. Shakespeare era, por exemplo, gabado por Bloom por conseguir falar do mundo inteiro, de todos os estados de alma e de todas as situações. Porém, no mesmo momento, defendia que a crítica literária séria estava interdita desse mesmo mundo inteiro, de boa parte dos estados de alma e da maioria das situações.

Talvez a maior contradição de Bloom seja a que motivava artigos como o do Independente: ao defender uma literatura alheia a considerações políticas, tornava-se numa arma perfeita a ser empregue por quem quer que queira fazer vingar uma agenda conservadora de direita. Bloom ganhou renome pelas suas posições políticas em favor de uma literatura ocidental.

A contribuição mais interessante de Bloom é a sua teoria da influência, que via a transmissão da tradição em literatura como uma luta constante de cada escritor com os escritores que o influenciavam.

Talvez o problema de Bloom seja não entender a crítica literária como uma luta semelhante, de críticos que tentam encontrar a sua voz respondendo a figuras tutelares de um cânone da crítica. (James Wood propõe esta ideia num obituário na New Yorker).

É perfeitamente possível imaginar vários cânones movendo-se em paralelo e com interesses distintos, competindo mas também colaborando, respondendo criativamente e reinterpretando-se uns aos outros. Aquilo que Bloom nomeava como a escola do ressentimento é neste momento bem mais estimulante do que insistir na literatura (ou cinema, ou arte) como uma espécie de forma vazia, isolado e (essa sim) ressentida contra tudo o que a ameace.

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Laundromat

Achei piada a Laundromat, filme de Steven Soderbergh para a Netflix, sobre o esquema de fuga aos impostos denunciado pelos Panama Papers.

Ao vê-lo, percebe-se que já existe uma convenção cinematográfica, quase um género, para representar escândalos financeiros de grande escala: o narrador é o criminoso, fala directamente para a câmara, leva o espectador pela mão por todo o labirinto de leis, de procedimentos, de reviravoltas. O tom e o estilo é o habitual em filmes sobre escândalos financeiros (The Wolf of Wall Street, The Big Short, etc.) Leia o resto deste artigo »

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A Idade do Ouro da Crítica

Estamos na idade do ouro da crítica de design. Nunca se escreveu tanto, nem houve tantas publicações dedicadas ao pensamento sobre design: Revue Faire, Modes of Criticism, Aiga Eye on Design, Bulletins of the Serving Library. A estas, pode-se juntar revistas que não sendo estritamente sobre design, usam a crítica de design para reflectir sobre arte, literatura, política e sociedade: Real review, Counter Signals, Migrant.

Estamos numa idade do ouro da crítica de design. Excepto se estivermos a falar de Portugal. Nas listas que dei no parágrafo anterior, há publicações onde colaboraram portugueses (Migrant) e uma revista publicada aqui no Porto pelo Francisco Laranjo, a Modes of Criticism, que é uma referência internacional da crítica de design. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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