The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Negócio Perfeito

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Enviaram-me este link para um anúncio oferecendo “dois estágios não remunerados a recém-licenciados nas áreas de Design de Comunicação ou similar”. Pedem-se “cromos que dominem, ou estejam a caminho, os adobes”. Depois, se “os estágios correrem bem, podem sempre ficar por cá a fazer um estágio profissional”. Finalmente, “se os estágios profissionais ….” (termina assim).

A descontracção do tom deixou-me na dúvida: será que são dois lugares para dois designers que vão fazer quatro estágios ao todo ou é um lugar para um designer que vai fazer três estágios, dois não remunerados e um profissional? Se a quantidade de estágios oferecidos – pelo menos dois por designer – confunde um pouco, a quantidade de empregos é mais desconcertante: vendo bem, nem se chega sequer a falar de um.

Ainda por cima, mesmo já estando habituado à quantidade de desconfiança que o mercado de trabalho português dedica ao ensino superior português, choca-me um pouco saber que alguém obriga um licenciado a pelo menos dois estágios consecutivos antes de o considerar digno de um salário.

Esta falta extrema de confiança costuma ser justificada acusando as universidades de não formarem profissionais que satisfaçam as necessidades mais básicas do mercado. Mas, pergunto-me: qual será a universidade suficientemente incapaz que não consiga cuspir de vez em quando meia dúzia de “cromos que dominem, ou estejam a caminho, os adobes”?

Desconfio que o único problema das universidades é dedicarem demasiada atenção às necessidades deste género de mercado: a única maneira de o satisfazer seria formar gente perita em tudo e mais alguma coisa e que, apesar de já ter pago um curso universitário, ainda esteja disposta a pagar para ter um emprego.

Portanto, apesar de se culpar regularmente o ensino superior pelo triste estado do mercado de trabalho, parece-me cada vez mais evidente que boa parte dessa culpa é do próprio mercado de trabalho.

Conforme este anúncio demonstra bem, o mercado de trabalho não quer profissionais qualificados, mas estagiários que trabalhem de graça ou quase, em troca da formação que – supostamente – não é dada nas escolas. E quanto menos formação tiverem, mais precisam de trabalhar gratuitamente. Por outras palavras: interessa aos empregadores a desvalorização real ou aparente da qualidade do ensino superior porque isso leva a salários baixos ou nulos. É o negócio perfeito.

(Outra reacção a este anúncio no DesignLab)

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Filed under: Ética, Crítica, Cultura, Design, Economia, Ensino, , ,

26 Responses

  1. Ricardo Melo diz:

    E o que fazer?

    Concordei com o Pedro na ideia de boicote a estas explorações fáceis de mercado e procurar soluções de empreeendorismo pessoal, como uma espécie de protesto silêncioso através da não-resposta, na esperança que cresça um respeito pela formação e pela profissão em si.

    No entanto preocupa-me que essa posição seja desmanchada por completo logo que haja concorrentes a esse mesmo emprego (como certamente haverá).

    Infelizmente a falta de confiança nas próprias capacidades, e pelo clima geral de insegurança actual, levará muitos novos-designers (os tais cromos) a hipotecar as suas vidas na esperança remota de vir a ter um emprego estável…

    E desta forma ninguém acaba por ganhar: os estagiários não ganham pois não vêem um retorno pelos anos de investimento na sua educação pessoal, as companhias não ganham a longo prazo pois um trabalhador inseguro é um trabalhador desmoralizado (e quem é que vai investir tudo, incluindo a sua capacidade de criação, num emprego não remunerado e possivelmente apenas temporário) e por fim o próprio design português sofre pois o resultado acaba por ser propostas pouco inspiradas, sem confiança, sem ousadia, apenas o “suficiente” para deixar o trabalho feito…

    Eu, pessoalmente, não sei qual é a solução.

  2. O passo seguinte será:

    Vendemos um posto de trabalho por apenas 100€ por mês mais IVA (sem inclusão de IRS e Segurança Social) onde podes praticar a tua profissão sem te ensinarmos nada e ainda terás currículo e portfolio.

    Mas faço uma aposta que esse anúncio terá respostas positivas!

  3. Interruptor diz:

    Os designers são correntemente os seus maiores inimigos. São os próprios que desvalorizam a actividade e não os “clientes” ou “público” – tanto em termos económicos como intelectuais. Mais por acidente que por outra coisa qualquer tenho visto a minha carreira patinar de design puro para publicidade, onde choquei de frente com a realidade de que o “designer” é o gajo que mexe no photoshop seguindo instruções de um director de arte – que é na realidade uma carreira paralela tomada maioritariamente por formados em publicidade ou por designers séniores que se fartaram de receber ordens de putos e que batalharam que nem animais para dar o salto. O oposto nunca acontece.

    Os designers colocam demasiada ênfase nas suas capacidades técnicas, reduzindo o seu trabalho a meros exercícios de estilo (e a um estilo de vida), algo com o mesmo valor para o resto da sociedade que um punhado de manobras de skate, óptimas para impressionar umas gatas e para ser vistos como uns gajos “calmíssimos”, mas que aparte de meia dúzia de Tony Hawks, não servem como base para uma carreira.

    Neste momento, no meu CV, não sou designer. Sou director de arte/designer.

  4. Quanto ao que fazer, acredito que nunca vai ser possível eliminar um anúncio deste género. Tal como diz o Tiago, haverá sempre respostas positivas a um mau emprego, e haverão sempre maus empregos.

    É possível, no entanto, regular minimamente os estágios, incluindo-os dentro dos cursos, por exemplo. Outra hipótese: com a falta de financiamento ao ensino superior, muitas escolas estão a abrir ateliers internos de design como forma de reunir fundos, e estes podem ser também oportunidades de ganhar experiência profissional. Desta forma, os alunos podem fazer o seu estágio num ambiente relativamente controlado e quando saem da escola já têm alguma experiência profissional e currículo.

    Um outro problema que leva à desvalorização do trabalho do design é a quantidade de alunos formados, que também é um efeito das políticas de financiamento: quanto mais alunos tiver, mais uma escola recebe dinheiro; quanto mais designers houver, menos valor tem o seu trabalho. Acresce o problema que a maioria das escolas formam exactamente o mesmo género de designer, que essencialmente corresponde à figura pedida neste anúncio: alguém que domine os “adobes” e perceba alguma coisa de Webdesign. A solução para isto poderia ser uma formação mais complexa que permita à partida mais saídas profissionais – design ligado à cultura, ao comissariado, à edição, etc.

  5. diogo diz:

    Aposto que os adobes são piratas…

  6. Neste momento, com as inspecções e tudo o mais, há mais preocupação em comprar os programas do que pagar aos designers; um estágio acaba por ser uma maneira de piratear designers.

  7. Bruno Martins diz:

    boas

    Acabei à poucas semanas de procurar emprego (isto porque já arranjei) e como tal, estou “dentro” do assunto e estou de acordo com tudo o que foi dito.
    Obviamente que a questão ordenado está muito em causa, principalmente para os não experientes novos Designers, que apenas servem para trabalhar à experiência, sem sequer receber nada ou praticamente nada.
    Seja como for prefiro me concentrar na relação empresa de Design -> novo designer. Nas minhas entrevistas apenas me perguntaram se eu percebia dos adobes e se trabalhava depressa, nunca falaram em criatividade (felizmente onde estou isso foi falado) e outras caracteristicas “artisticas-funcionais”, que um designer deve ter, inteligência também parece ter sida deixada de lado, e penso eu serem as mais importantes para avaliar um designer, principalmente no que ele se poderá tornar com o tempo/experiencia, isto é, as bases criativas e não meros pormenores técnicos que facilmente qualquer pessoa domina.

    Conclusão, na minha opinião este problema não surge nas universidades, mas sim dos próprios Designers, Directores Criativos, que parecem se esquecer do mais importante num Designer/Pessoa.

  8. Danae diz:

    Boa tarde,
    Sou uma designer de comunicação recém-licenciada na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
    Infelizmente estou num estágio não renumerado, e sem perspectivas de ficar. Durante o período de responder a propostas de emprego, não fui a muitas entrevistas e das poucas que fui realmente procuravam alguém que trabalhasse depressa e dominasse os “adobes”e era entrevistada por gestores de marketing. Até que quando fui à entrevista para o lugar onde estou agora, fui entrevista por um designer (sócio-fundador do atelier) e notou-se a diferença no modo de entrevistar.
    Não posso dizer que aceito este sistema de estágio, pois ele deveria estar integrado no plano curricular da licenciatura, mas à falta de melhor, temos que aceitar.
    Há poucos estágios renumerados e os que há têem sempre um período de experiência não renumerado de 3 meses.

    Em relação aos gabinetes de design dentro das próprias Faculdades… Isso é um Utopia das GRANDES. É uma belissima ideia e concordo plenamente que seria um sistema óptimo para os alunos ganharem experiência. Mas os “peitos inchados” de muitos professores nunca deixarão isso avançar (e falo no caso da FBAUL). Existem ainda muitos professores que acham que design é fazer objectos editoriais exprimentais, e desvalorizarem muito do design gráfico/comunicação que é feito. E também iria surguir o caso do trabalhos que “seriam desviados” para os ateliers de professores, pois esta caso aponta para isso: o projecto seria a criação de um cartaz para apresentação de uma exposição-mostra de trabalhos de alunos e foi pedido ao atelier de uma das professoras da instituição para criar o tal objecto. Ora, não seria de aproveitar a “massa pensante” dos alunos da Faculdade, reduzindo assim também os custos com o objecto gráfico?

    Há pouco aproveitamento dos alunos nas Universidades, e antes do problema dos estágios, está o problema da qualidade do ensino/formação e a qualidade dos professores universitários.

    P.S- Sei que é professor, pois fui uma das alunas que assiti á sua aula da FBAUL no ano lectivo 07/08. E devo dizer que adorei. E é claro que há professores perfeitamente qualificados para o cargo que exercem, mas há outros que deixam muito a desejar…

  9. Boa noite, Danae

    Felizmente, os ateliers dentro das facudades já não são utopias. Na Fbaup, criou-se, há cerca de dois anos, um atelier/laboratório interno de design que faz trabalhos para a própria universidade do Porto e para vários clientes externos. É constituído por uma equipa de professores, alunos de licenciatura e de mestrado.

    Além da possibilidade de poderem trabalhar dentro da escola, os alunos podem também realizar estágios. No último ano da licenciatura, há uma cadeira onde podem propor os seus próprios estágios ou escolher um dos estágios arranjados pela escola junto de empresas ou ateliers de design, como o jornal Público ou o atelier Francisco Providência.

    Fico feliz em saber que gostaste da aula.

    Mário Moura

  10. Danae diz:

    Pois no caso da Fbaup não sabia que tinha sido criado esse atelier/laboratório. Fico feliz por saber que não é a utopia que pensava, mas tal como disse eu não vejo isso a acontecer na Fbaul.

    Mas fico feliz por a Fabup criar essa oportunidade aos seus alunos.

    🙂

  11. Kapas diz:

    Boas,

    Sinceramente acho que é uma questão bastante delicada, aceitar ou não estágios não remunerados. Acho que na altura de aceitar “abrem-se” dois caminhos. Um é ter a oportunidade de trabalhar na área que estudámos e que “gostamos”, mesmo que sejamos mal pagos ou que nem exista esse pagamento. A outra “oportunidade” é rejeitar estes trabalhos não remunerados e procurar até encontrar alguém que nos pague. Agora devemos reflectir numa situação que faz optar por um dos dois caminhos. Se tiver uma renda para pagar, um empréstimo, um filho para criar, comprimidos para comprar, será que vou continuar à procura de um trabalho na área pago? Duvido, provavelmente vou trabalhar para outra área a ganhar bastante mal, mas o suficiente para “sobreviver”. Quem tenha pais que possam sustentar esta procura, aproveitem e lutem por um local de trabalho remunerado.

    Eu no meu caso tive a oportunidade de fazer um estágio (no qual acordei que me pagavam gasolina e alimentação) de três meses no periodo de férias de verão. Agarrei a oportunidade que me deram do dia para a noite, após concluir o meu estágio deixei a “porta aberta”, trabalhei durante 7 meses como freelance para a empresa. E quando concluí o 4º ano da licenciatura, tive a oportunidade de entrar na empresa a recibos verdes durante dois meses. Aceitei e no fim dos 2 meses, fui falar com o patrão e pedi-lhe condições (contrato) para continuar na empresa. Assim aconteçeu e já cá estou há um ano e meio. Considero que tive bastante sorte, mas também sei que as oportunidades que tive agarrei-as. Existem pessoas que dizem quero é ter férias, que foi muito cansativo estudar durante 3/4 anos…São estas pessoas que eu digo que nasceram viradas para a Lua, este tipo de pessoas que conheço tiveram um ano sem arranjar trabalho na área, mas também tinham casa e papás para pagar tudo, ainda bem.

    Cada caso é um caso. Sou contra estágios não remunerados, mas também não critico quem os aceita como uma oportunidade de entrar na área.

    Cumprimentos.

  12. Nelson diz:

    Boas Tardes pessoal.
    Chocante ou um ciclo vicioso!?

    Infelizmente, o que mais se vê nas ofertas venenosas de trabalho são: pretende-se jovem com muita criatividade, dinâmico, responsável e empreendedor que será remunerado consoante a experiência!! Quem executa estes pedidos sabe que 90% das vezes se está a dirigir a recém licenciados. Por isso esta história de remuneração “consoante a experiência” é um isco para nos mandarem areia para os olhos.

    Como é que um recém licenciado com 22, 23 anos possui experiência profissional?! Talvez a opção seja chumbar anos consecutivos para termos experiência, pelo menos, cultural. Vão-se conhecendo bons professores e metem-se umas cunhas…

    O fim destes estágios envenenados é o que se espera: “não rendes vais embora”. A outra opção é sermos realmente bons. No entanto ainda pode acontecer termos boas ideias que resultam em grandes campanhas e no final do estágio levármos uma vassourada. Pouco provável espero.

    O processo de Bolonha veio dar mais um empurrão a esta lástima. Eu sou formado neste sistema e tenho alturas em que sinto que estamos no meio das feras. Todos querem um designer recém licenciado(com experiência!!) para o “chupar” até ao tutano. Depois manda-se fora quando já não houver sangue para tirar.
    E não, não arranjei trabalho ainda porque nos sites de oferta de emprego pedem tudo e não dão nada.
    Para trabalhar à borla prefiro fazê-lo em sitios que os trabalhos tenham projecção.

  13. Nelson diz:

    E o que falar de ateliers em que o núcleo é quase familiar, conhecem-se desde a faculdade, quase dormem juntos, apelam ao respeito pelos recem licenciados mas afinal têm telhados de vidro.

    Concordo que um designer GRÁFICO deva interessár-se um pouco por multimedia/web, no entanto se quis frequentar o curso de GRÁFICO é porque fiz questão de não ir para MULTIMEDIA.
    Mas nas ofertas de venenos, perdão emprego, pedem-se desigers gráficos que dominem o pack criative suite e….flash, dreamweaver, html, php……..
    Assim Bolonha tería de ter 10 anos e não 3!

    Obrigado Mário por este tema tão actual e que tanto tenho sentido na pele.

    Bem haja!

  14. Bem Nelson, subscrevo tudo aquilo que dizes.

    O meu conselho (se é que os posso dar por também estar no desemprego) é que complementes a tua formação em casa sossegadinho, enquanto não arranjas trabalho.

    Não querendo parecer egocentrista por falar muitas vezes da minha situação pessoal aqui no blogue do Mário, posso-te dizer que sou licenciado em design industrial, mas que isso não é impeditivo para que tenha competências noutras áreas e não deve também ser para ti. Já há largos anos que trabalhava em design gráfico e web-design, mesmo durante o curso cheguei a trabalhar a tempo-inteiro sacrificando as férias e nos últimos dois anos decidi começar também a ilustrar e neste momento estou a aprender motion design.

    Ora o ridículo é ainda que em três meses e depois de dezenas de mails e contactos a única entrevista que tive foi porque me conheciam de uma rede social de design e a resposta que levei foi que era “demasiado qualificado” para o trabalho que eles me podiam oferecer…

  15. Nelson diz:

    É de gritos mesmo Tiago!

    És preso por ter cão e por não ter.
    Para as super agências multinacionais apesar de licenciados ou com grau mestre, temos de penar até atingir um bom estatuto.
    Nos ateliers de esquina, que é o que mais encontro ao pé da porta, acham que por sermos licenciados, lhes vamos limpar a conta bancária. Será que esta gente não tem noção que, garantidamente, lhe vamos dar mais visibilidade e tirá-los do marasmo que é o seu design de esquina, no verdadeiro sentido da palavra.

    Caro Tiago, nos posts anteriores fui explícito quando disse que sou apologista que conheçamos um pouco de tudo, de todas as áreas. Mas, definitivamente, sou melhor trolha que web designer.

    Eu continuo a dizer que quero estar no design de corpo e alma. Quando me deparar que estou no design apenas porque estudei para tal e tenho de estar cá dê por onde der, saio. Sem dúvida. Não quero estar até ao fim da vida a contar trocos e chegar ao fim da vida a pensar “andei nisto a vida toda mas não evoluí, não fiz aquilo que me faría feliz…”

    Quero, por minha questão de orgulho, ser valorizado.
    Se necessário vou para as obras. Já lá estive e até era bem pago. Bem melhor, do que me querem pagar na área para a qual estudei…

  16. Por acaso passei o curso a gozar que com tanta maqueta e tanto trabalho de oficina quando saísse ia para a construção civil ou para a serralharia! LOL

    Quem ri por último já diz a sabedoria popular… não desanimes colega!

  17. Nelson diz:

    Ainda hoje me responderam em resposta a uma candidatura espontânea que efectuei: “keep going”.

    Era um atelier que agora se mudou para a LX Factory recentemente, com um trabalho de portfolio riquissimo em tipografia. Sou declaradamente vidrado no trabalho deles.

    Enfim foi-me dito que “somos um atelier familiar e neste momento não……”

    Valeu pelo keep going e que sim, estou na área certa como me foi dito. É bom dizerem-nos isto de vez em quando…

    • Fernando diz:

      … O facto de ter obtido resposta já não é nada mau… pior quando não dizem absolutamente nada, e quando se liga para se saber alguma coisa alguém mal disposta responde que se não recebeu nenhum contacto, então é porque não foi seleccionado…

  18. elis rosado diz:

    Foi por mero acaso que vim parar ao post que critica o anúncio para estágios publicado no cargadetrabalhos pela empresa winicio…

    devo dizer que não fiquei nada surpreendida, vindo a pérola de quem vem!

    “Grandes portugueses” esses senhores! Capazes de combinar trabalhos com artefinalistas freelancers e no final do trabalho realizado dizerem que não era aquilo que pretendiam… pretenderem que esses artefinalistas ficassem acordados a fazer directa para lhes resolver os problemas de tempo, que pela má organização, geraram…

    resultado = trabalho realizado, pagamento = zero, falta de provas = nenhuma consequência…
    pensando bem, talvez fosse um estágio, sem eu saber…

    no mínimo surreais…

  19. Nelson diz:

    Se és estudante de design e queres ingressar no mercado de trabalho temos uma oportunidade para ti.
    Part-time
    Paginador/Designer (m/f)
    Editora de jornais, na zona da grande Lisboa, em expansão no mercado Nacional procura Paginador/Designer (m/f), que goste, precise e queira trabalhar.

    Domínio do Indesign CS3, Photoshop, capacidade de trabalho acima da média, rigor e método, flexibilidade de horário, são as competências pretendidas.

    Estágio não remunerado. Entrada imediata.

    Resumindo….Queremos que te sacrifiques por nós sabendo que nós não nos sacrificamos por ti. Amigos como antes….

  20. […] uns tempos, escrevi que o grande problema das universidades era levarem demasiado a sério as necessidades do mercado […]

  21. Oi! Ao fim destes anos todos descubro que o Mário tem um blog! lol E Parabéns, pois acho as temáticas aqui lançadas de grande interesse e pertinência.

    Quanto a este tema, vou contar resumidamente a minha “história de vida de designer”, pois talvez possa servir de exemplo a alguém.

    Em 2004 terminei o curso de Design de Comunicação – Artes Gráficas (o Mário foi meu professor!!). Mal saí da faculdade lancei-me logo aos anúncios de jornais, sites, centros de emprego, etc… Encontrar um ou dois anúncios por mês que pedissem Designer era uma sorte… Ao fim de um ano a procurar trabalho lá desisti e acabei por me render a uma oferta de emprego que pedia “impressor de serigrafia” (bem, pelo menos tinha uma certa proximidade com o design gráfico). Por sorte (ou não), acabei por ficar nessa empresa a trabalhar como Designer Gráfico. Nessa empresa tive a oportunidade de criar logótipos para empresas que actualmente se encontram BEM COLOCADAS no mercado, paginei jornais e revistas, criei publicidade, fiz design de produto, projectei stands para exposições, etc., etc. Nunca me foi apontado nenhum ponto negativo…

    Mas também nunca me chegaram a pagar pelo meu trabalho… Ao fim de meio ano de trabalho, já FARTO de perguntar se finalmente me iam pagar alguma coisa, é que me disseram que aquilo era um estágio não remunerado… LOL… Assim que me disseram isso, a partir do dia seguinte não puz mais os pés no trabalho.

    Quantas e quantas vezes que vou na rua e vejo um slogan criado por mim e que ao fim de 3 anos ainda existe e continua com boa aceitação por parte do público! Quantas vezes que vou na estrada, olho para o outro lado da rua e lá vejo marcas de grandes empresas que fui eu a criá-las… (podia enumerar algumas, mas por razões morais não irei fazê-lo) Eu questiono-me de que me terá servido todo aquele tempo de “estágio” mal explicado. O que é que eu ganhei com isso?

    Finalmente, acabo por conseguir lugar numa empresa em Aveiro, na qual terei trabalhado durante mais de um ano sem ter direito a férias, descanços ou mesmo feriados (tirando feriados nacionais e fins de semana…). Fui literalmente expulso da empresa por ter implorado por umas pequenas férias de descanço de uma semana…

    Mais uma vez, uma grande empresa. Mais uma vez fiz trabalhos para grandes marcas nacionais e internacionais. Embora tenha trabalhado a recibos verdes, desta vez pagaram-me (ao menos isso)… Mas não foram capazes de me dar umas férias bem merecidas pelo meu trabalho… E ainda acabei desempregado.

    Quanto a dizer que os estágios são essenciais ao início de carreira de um designer, a minha resposta é Não. No trabalho não se aprende mais do que aquilo que já aprendemos na faculdade… A experiência poderá, talvez, tornar-nos mais rápidos. Mas daí a dizer-se que aprendemos alguma coisa num estágio… O próprio facto de ser não remunerado já é suficiente para baixar a auto-estima de qualquer designer e isso empobrece a qualidade do próprio trabalho.

    Onde terminará a profissão “Design”??? O que somos nós designers para “eles”?

    rui tavares

  22. […] um curso, uma qualificação que lhes pode assegurar um salário melhor, pode-se sempre dizer que o curso não ensinou nada, mas que isso pode ser resolvido trabalhando de graça por uns meses em troca dessa […]

  23. Ana Menta diz:

    Sem querer ‘spammar’ o seu mural mais uma vez, pois estou a ler tudo com fervidão (sou arqutecta paisagista, mas o mundo do trabalho é muito semelhante), deixo aos outros leitores, o manifesto de tantas outras pessoas que já passaram pelo mesmo e querem fazer algo. Se concordarem apelo-vos a assinar:
    http://www.movimentosememprego.info/subscrevermanifesto.htm

  24. Fernando diz:

    Querem saber como se destrói toda a credibilidade do ensino Superior?

    Aqui está um verdadeiro exemplo do melhor que temos em Portugal! É óbvio que o problema está nos 2 lados: de quem pede o impensável mas pior de quem mesmo assim vai atrás da utopia… É tipo o jogo da corda. Vai-se puxando, puxando, puxando… e perdeu-se toda a vergonha. Considero o anúncio, feito ao estilo “Levanta-te e ri”, mesmo humilhante para quem se tenha de sujeitar a tal situação. Conhecem melhor forma de se passar um atestado total de imbecilidade, tanto a recém-licenciados mas a todos aqueles que os ensinaram?

    Existe uma regra de ouro que é transversal a todas as áreas de actuação: possuir valores morais, respeito próprio e saber o valor de cada um! Ninguém o vai fazer por ti! Tb concordo que um recém-licenciado não tem que ganhar uma fortuna quando acaba um curso, mas deveria ganhar um valor que seja digno do que aprendeu (ou deveria) para entrar no mercado e ser útil no mesmo. Mas mais importante do que isso é que deveria ter tido pessoas competentes para lhe ensinar que produto que é oferecido de borla não tem valor no mercado… !!!! Será que ainda ninguém percebeu que a própria instituição ao permitir que os seus alunos vão para o mercado pedinchar por um estágio não remunerado que é toda a sua imagem que fica em check? Que fica tudo em check… desde a qualidade do ensino aos próprios professores, dando a entender que afinal o que tiraram foi meramente um pró-form, umas bebedeiras e um canudo e não um curso???

    Depois ainda existe o problema de que + de 80% das empresas em Portugal têm um carácter familiar, onde trabalham menos de 10 pessoas, onde se cresce porque se é filhinho do papá e não por mérito? Ainda ninguém percebeu que grande parte destas mesmas empresas são controladas por pessoas que têm a 4º classe mas muita experiência de vida, em especial na área comercial? Ainda ninguém percebeu que, como disse em tempos o Miguel Gonçalves que “tu” és um produto e que as empresas não compram licenciaturas mas trabalho? Pois então… se “tu” és um produto e te apresentas frouxo, sem convicção do teu real valor (…cada etapa tem um valor associado), sem capacidade de negociação, achas que alguém te vai levar a sério??? Claro que não! Mas então de quem é a culpa? Das 3 partes envolvidas: das Universidades que não formam pessoas mas apenas vendem licenciaturas, na maior parte das vezes muito caras para que o que ensinam; dos alunos que não se preocupam em perceber como funciona o mercado, julgando que um curso superior os vai salvar – neste caso co-responsabilizo o poder político bem como os Pais por terem incentivado os filhos irem à procura de um canudo em vez de formação concreta e de qualidade, na esperança que os seus filhos sejam tratados por senhores doutores e assim serem alguém na sociedade….; e por último as próprias empresas, que são comandadas por pessoas com níveis culturais ainda muito baixos, em que tudo se resume a uma boa negociação, ao melhor estilo marroquino (se tiveres pinta, tiveres paleio e souberes manter a tua posição, ainda levas qq coisa no bolso…). Farto-me de dizer que as Universidades vendem apenas 3/4 do curso e que toda a gente deveria ir lá reclamar o que falta: criar valores pessoais e de auto-estima; ensinarem os alunos a fazerem uma boa gestão de tempo bem como psicológica, e por fim, muito marketing pessoal, onde cada um é um ser único e não parte de um rebanho. Garantidamente que muitos menos, mas muito menos mesmo, iriam cair nestas emboscadas.

    Mas sabem o que é pior de tudo isto? É o facto de as empresas se habituarem a ter empregados qualificados dispostos a receber menos do que recebia um com a 4º classe há 15 ou 20 anos atrás… E a tendência não é melhorar mas sim piorar.

    O caricato disto tudo é que foram as próprias Instituições que cavaram o seu próprio buraco… e continuarão a cavar. É a credibilidade de todo o sistema colocado no lixo.

    Como diz o Boss AC “andaram a tirar um curso superior de otários…”Fantástico!

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