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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

História muito abreviada do design no Porto

Nos últimos anos, tenho ouvido frequentemente que o design do Porto é interessante, que existe aqui uma cena, um estilo. Poder-se-ia atribuir isso à existência de um ou outro designer talentoso que, através do seu trabalho estimularia a qualidade do trabalho dos seus colegas, mas o talento não adianta muito sem condições externas que o suportem e estimulem. Quais foram essas condições, neste caso? O que permitiu a existência de uma cena de design no Porto?

Ao longo da última década houve dois momentos durante os quais o design produzido no Porto alcançou alguma visibilidade. O primeiro foi durante o Porto 2001: Capital Europeia da Cultura, uma iniciativa que revelou – de modo indirecto – uma geração de designers formada durante os anos 90 nas escolas do Porto que poderíamos caracterizar sumariamente como tendo sido a primeira a aproveitar realmente as vantagens do computador pessoal.

Aprenderam a usá-lo em larga medida por iniciativa própria, sem grandes ajudas ou mesmo formação. Na escola, os seus professores pouco ou nenhum domínio tinham sobre o assunto: a tipografia, por exemplo, ainda era ensinada através de letras de decalque, colagens, do guache e da tinta da china – exercícios até certo ponto úteis mas que, até ao computador aparecer, tinham um alcance pequeno. Limitavam-se a transmitir os rudimentos mínimos para produzir pequenas quantidades de texto – um cabeçalho, um logótipo – ou para supervisionar trabalho de composição feito na gráfica.

Por oposição a esta tradição – ou falta dela –, a geração da segunda metade de noventa começou a ver o computador como uma peça central do seu trabalho. Enquanto na escola lhes diziam que era apenas um ferramenta, evidentemente já não o era: permitia aos designers um controle total e sem precedentes sobre o trabalho final, e esta seria a grande vantagem da geração de noventa.

Para se imporem, só precisavam de uma oportunidade para mostrar o seu trabalho, que o Porto 2001 veio proporcionar. Cada evento precisava de material promocional abundante, posters, catálogos ou brochuras, cuja divulgação saturou durante mais de um ano as ruas do Porto. Os resultados da fartura  estão bem patentes na exposição de cartazes 175 x 120, comissariada por Andrew Howard (*), que não tratou directamente do Porto 2001, mas onde os seus melhores exemplos estavam bem representados – Drop, R2, os primeiros trabalhos de Martino & Jaña. Depois do Porto 2001, muitos destes designers continuariam a ter alguma visibilidade trabalhando para instituições culturais, mas o clima económico e cultural optimista esgotar-se-ia abruptamente com o fim do governo Guterres, a primeira presidência da câmara de Rui Rio, etc.

O segundo momento criativo aconteceria a meio da década e seria protagonizado pela geração seguinte de designers – João Marrucho, Pedro Nora, Bolos Quentes, Alfaiataria Visual –, em parte formados pela anterior, em parte pelos primeiros designers especializados profissionalmente no ensino. Este último desenvolvimento é importante, na medida em que criava nas escolas um ambiente e métodos de ensino que já não tinham o estúdio de design como um modelo absoluto, estimulando e legitimando as experiências dos alunos com outras tecnologias – serigrafia, gravura, escultura – e disciplinas – programação, música, instalação, escrita, edição.

(Escusado será dizer que esta geração já tinha uma relação totalmente descomprometida com o computador, alternado o seu uso frequente com produções inteiramente manuais.)

O momento alto desta nova leva chegaria a meio da década, através de uma confluência de eventos muito distintos. Por um lado, as galerias do Porto começaram-se a organizar na Rua Miguel Bombarda, o que levaria também à criação de um circuito de exposições paralelo – off Bombarda –, através de sítios como a Caldeira 213, o Salão Olímpico ou os Pêssegos para a Semana. A promoção gráfica destes espaços era feita por estudantes de design ainda a meio do curso, que tinham aí um ambiente perfeito para experimentarem sem preocupações ou limites. Frequentemente, este design era mais interessante que o das instituições culturais de maior escala, que em mais de uma ocasião acabariam por contratar alguns destes designers para trabalhos pontuais – Pedro Nora, por exemplo, trabalha regularmente para Serralves e para a Culturgest, enquanto ainda produz trabalhos de edição e de design alternativos.

(Em várias ocasiões, estes novos designers aproveitaram o circuito de exposições alternativo para mostrar regularmente o seu próprio trabalho, criando um sentido de percurso e de corpo de obra que é relativamente raro dentro do design português onde exposições e antologias são, em geral, poucas e póstumas.)

Por outro lado, a cena nocturna do Porto tinha-se deslocado da Ribeira para a zona em redor da Avenida dos Aliados, onde os bares se multiplicaram como cogumelos. A promoção destes espaços era uma  fonte de trabalho regular para jovens designers que estivessem dispostos a trabalhar por pouco ou nenhum dinheiro, muitas vezes apenas em troca de alguma liberdade criativa. Em muitos casos, os próprios designers punham música ou actuavam nesses espaços, assegurando eles mesmos a promoção gráfica dos seus eventos. Deste modo, criavam e mantinham uma identidade pública através de posters, cartazes, flyers, publicações, etc.

Em último lugar, esta vaga coincidiu com a eclosão dos blogues e das redes sociais, que permitiu aos jovens designers promoverem e por vezes discutirem o seu trabalho numa esfera pública alargada que ultrapassava o Porto. Sem este pormenor, toda esta cena teria sem dúvida uma intensidade menor e bem mais circunscrita. Se a grande característica da geração de noventa era o controle que o computador permitia sobre o design, a da segunda era o controle que tinham sobre a sua própria identidade, sustentada através da edição online, das redes sociais e da cena independente.

Eventualmente, e como seria de esperar, estas condições mudariam: a cena independente encalhou; os jovens designers acabaram os seus cursos e começaram procurar empregos mais sérios. Bolonha baralhou a experiência académica, tanto para professores como alunos – a natureza mais prática dos cursos, mesmo nas cadeiras tradicionalmente teóricas daria uma machadada no tempo livre e disponibilidade dos alunos, que acabariam por trazer os seus projectos alternativos para dentro do âmbito curricular, o que em muitos casos apenas serviu para diluir o seu interesse. Neste momento, a cena de design do Porto é residual, não tendo aparecido muito trabalho que se destaque nos últimos anos. Nada indica que a coisa vá melhorar.

Este texto faz conjunto com outros. Um que tratava das características formais destas duas gerações de designers; este, este e este, que tratavam das condições económicas da cena independente do Porto e de como afectavam a identidade dos artistas e designers, bem como as características do seu trabalho. A imagem que ilustra este post é a capa de uma publicação feita pela Isabel Carvalho e pelo Pedro Nora.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Economia, Ensino, Exposições, História

10 Responses

  1. Olá Mário… nao percebo? porque não aprovaste o meu comentário?
    abraço

  2. Por qualquer razão, alguns comentários não estão a aparecer, portanto estou a enviar este comentário enviado pelo João Marrucho via mail:

    Comentário em jeito de carta aberta:

    Não quero descredibilizar o vosso trabalho (o da crítica) mas por todo o respeito que me merecem, prefiro dizer que não me parece que algumas das vossas últimas considerações sobre o design daqui sejam completamente justas. Passo a explicar:

    Lembro-me de uma altura em que eras meu professor, não sei se no segundo terceiro ou quarto ano, quando com algum desencanto me passavas a ideia de que nada do que se fazia em Portugal era estimulante. Na altura pedi-te orientação: Então se o estilo Suiço é o que é, o vernacular é já banal, o que pode ser mais fresco no nosso tempo? Precisava de respostas e ninguém as tinha. Ameacei: Se não me dás respostas, se a crítica se limita a revelar o problema mais óbvio, no próximo trabalho vais levar com Dingbats, embosses e Comic Sans. E tu sorriste, ou ficaste bem humorado pelo menos… Porque isso sim. Isso era do nosso tempo. Entreguei-te uma memória descritiva paginada desse modo. Foi uma altura fundamental onde defini as mais fortes ideias dos trabalhos que desenvolvi entre 2004 e 2008.
    Isso era um ambiente estimulante para mim, mas a maior parte dos meus colegas não se apercebia da importância desses gestos, melhor, das acções, e do tempo, e ainda gozavam.
    Foi bom estar na escola mas acabou-se. Hoje é bom ser estimulado pela crítica.

    Também recentemente José Bártolo disse por palavras mais académicas qualquer coisa como: “não se passa nada aqui.”. Eu entendo isto como provocações dos críticos: – “Vá láaa… mostra aí o teu trabalho novo… ‘bora… olha que eu começo a dizer que o teu design está uma seca.”
    Portanto, hoje cedo às “provocações”… sujeito à pilhagem intelectual, é certo, avanço já umas coisas que ando a explorar este ano.

    Admito que esteja tudo ainda um pouco cru mas deixo algumas colagens de web: gifs + jpegs + players de música + vídeo + texto… São poster-sites (com ultra estilo em bruto). É muito provável que esta moda também cole e que daqui a uns tempos seja uma coisa mais banal, mas antes deixem-me trabalhar e polir este “ultra-estilo” para ver se consigo clientes que procurem alguma inovação.

    http://eurosom.blogspot.com/2010/05/photobucket.html
    http://ultraestiloultraside.blogspot.com/
    http://eurosom.blogspot.com/2010/05/photobucket_13.html
    http://jamartes.blogspot.com/2010/04/blog-post.html
    http://eurosom.blogspot.com/2010/04/photobucket.html
    http://eurosom.blogspot.com/2010/05/pensa-la-bem.html
    http://eurosom.blogspot.com/search?updated-max=2010-05-02T13%3A24%3A00%2B01%3A00
    http://eurosom.blogspot.com/2010/05/photobucket_07.html

    E já agora jpgs com algum ultra-estilo:

    http://eurosom.blogspot.com/2010/04/ultra-estilo-graphics-2011-2.html
    http://eurosom.blogspot.com/2010/03/para-acabar-tarde.html
    http://eurosom.blogspot.com/2010/02/treino-2010.html

    Se a crítica está tão interessada no novo, se precisa de kicks, talvez se possa dedicar também como eu faço ao exercício da procura por instinto. Talvez pudessem dedicar menos tempo às conferências XPTO, às exposições, experimentas designs, velhotes empresários, que muitas vezes se estão nas tintas para o que vocês escrevem, talvez não fosse má ideia andar um passo atrás das palas das influências académicas, para que consigam, com a necessária leveza, sentir no ar, colher o que está solto, e prever o tempo. Assim podia ser que mais gente conseguisse desenhar roupa adequada. 😉 É isso que eu tento fazer. Mas é um processo desgastante e moroso porque não bastasse a luta constante com o gosto e a técnica, ainda tem que ser equilibrado com uma vertente da vida contemporânea chamada: orçamentos.

    Se vocês não fizerem isso correm o risco de ficarem mais uns design obsrevers ou manystuffs que estão longe, como o nome indica, MUITO LONGE, de serem a montra do que se faz de novo. Apesar de serem um ponto de confluência, não estão adequados a esse tipo de interacção.

    Mais uma vez deixei aqui os links mesmo duvidando que fosse este o local e o momento mais adequado para se falar no que há de novo.
    Um abraço.

    • O Porto já não é a mesma coisa que era há uns anos. As mesmas pessoas que faziam bom trabalho continuam a fazê-lo, mas para além disso não tem aparecido nada de muito interessante. Este texto não é de todo uma alfinetada ao teu trabalho (que continua com interesse). Depois de o ter escrito, li isto(link) e revi-me completamente.

      Um abraço.

  3. Dário Cannatà diz:

    Eu vejo a realidade actual do Design como uma disciplina que está alienada, submissa às dinâmicas do mercado neo-liberal. E não me parece difícil observar que o Design se encontra num estado muito débil face às suas potencialidades.

    Apenas uma nova geração consegue ver o Design e os seus problemas com distanciamento.

    Profissionais que já estão bem enraizados no actual modelo de “DESIGN” muito dificilmente poderão conceber um novo, uma vez que lhes seria provavelmente prejudicial.

    O Mário Moura tem sido dos poucos que eu vejo a darem as dicas que vão ao encontro das minhas visões para o futuro Design: um Design focado no conteúdo mas com a forma garantida.

    Digamos que o Mário Moura é uma peça fulcral em estabelecer dicas para as vanguardas do Design, especialmente no Porto.

    O que mais me fascina no Design é o facto de ser uma disciplina tão recente. Os seus limites estão ainda muito esbatidos e tudo é possível.

    A arquitectura por exemplo atravessou já vários modelos sociais e conta com uma longa história que lhe permite abranger vários campos da cultura humana no seu objecto de estudo. O Design ainda não tem esse estatuto, a meu ver devido ao longo processo de especialização que o mercado neo-liberal pôs em marcha. Bruce Mau tem vindo a fazer algo de diferente. Ele intitula-se Designer e não como Designer Gráfico e quando vejo um vídeo dele no YouTube não ouço falar da meta-linguagem do Design mas um tipo de pensamento que se debate sobre os problemas do mundo e das possíveis soluções, sejam elas quais forem.
    Hoje em dia sinto-me enojado ao ver certos designers no ciclo das conferências a repetirem sempre as mesmas coisas sobre o seu trabalho que é sempre o mesmo. O design está numa fase de saturação que para sair dela terá de se reinventar como disciplina. Os blogs que requerem longos scrolls para baixo são o reflexo de uma disciplina que perdeu a noção de si mesma. É como a música contemporânea que com tantos estilos já ninguém sabe como lhes chamar.

    O que mais me agradou neste artigo foi a ligação entre certo eventos e as dinâmicas no design Portuense, nomeadamente o Porto 2001, o aparecimento dos computadores pessoais, os governos de Guterres e de Rui Rio, as galerias e os bares que florescem nas ruas do Porto e por fim as redes sociais.

    Para haver desbloqueamentos no Design terá de haver avanços em outros campos, especialmente no ensino e na política. O Design tem as ferramentas para fazer as mudanças a esse nível, mas não tem uma procura. Isto é, nenhum político vai pagar a um Designer para pensar no problema da centralização do poder português na sua capital e na cidade invicta, pelo menos nos dias de hoje. O Designer de hoje não tem qualquer tipo de incentivo para esse tipo de trabalho, ainda que talvez fosse o mais desejado.

    Foi recentemente criada no Porto a ADDICT, a Agência para o Desenvolvimento das Industrias Criativas, uma organização semi-pública (http://www.addict.pt/) que tenciona apoiar o sector começando por criar uma rede das IC do norte para facilitar os projectos e mais tarde quem sabe…talvez haja dinheiro para distribuir…eles dizem que sim. O objectivo final é fazer do Norte do Portugal a capital europeia das industrias criativas.

    Esta agência assustou-me muito de inicio. Primeiro a sigla: ADDICT; que em inglês se lê como viciado; depois a conceito de “Creative Industries”; que leva a crer que isto da criatividade só dá para a industria e para fazer render.

    Mas ainda com o benefício da dúvida, a ADDICT poderá ser um importante evento para Portugal e merece alguma atenção.

    As minhas expectativas para o futuro do design são muito grandes e o Porto é um sitio como os outros. Para mim, tudo indica que a coisa vá melhorar.

    Por agora são muitas as ideias soltas que se prendem uma à outra por fios finos mas resistentes.

    A minha frustração está em perceber que alterar os modos como o Design opera é algo bastante complexo de executar. Existem elementos aparentemente muito distantes do Design que influenciam o seu desempenho. O próprio programa de ensino de Design é algo descontrolado tendo em conta a realidade.

    Devo aqui reforçar a importância da Crítica do Design como forma de levantar todos os problemas que actualmente cegam o Design da sua verdadeira função e de fornecer as ferramentas conceptuais para um Design mais pertinente.

    O problema de não se encontrar nada de muito interessante no que se tem feito talvez seja por já não haver muito para fazer nos campos que o design tem vindo a trabalhar até hoje.
    Talvez seja necessário procurar o Design em novos campos para encontrarmos novas emoções.

    Abraços

  4. José Rui diz:

    uma disciplina que está alienada, submissa às dinâmicas do mercado neo-liberal

    Jesus Cristo.

  5. Dário Cannatà diz:

    hum…Achas que Jesus Cristo discorda?

  6. Rodrigo Silva diz:

    2001 foi talvez o pico da remuneração do trabalho do designer. Talvez por antes existirem menos empresas a reconhecerem a sua importância e agora por existir mais oferta de que procura.

    A vida de designer é complicada principalmente para aqueles que trabalham por sua conta e risco. O reconhecimento nem sempre é proporcional à remuneração. Já vi trabalhos “miseráveis” serem bem pagos, como também já vi bons trabalhos serem mal pagos. Vai muito da capacidade de “vendedor” do Designer.
    O problema é que com a oferta disponível o cliente vai sempre arranjar que faça mais barato, de borla ou em troca de qualquer coisa. Este factor não abona muito para o futuro da profissão. Todos os anos vai sempre haver recém licenciados que para ganharem experiência fazem estágios não remunerados para serem cuspidos 6 meses depois.

    Enquanto o mercado tiver todos os anos gente para explorar vai baixar cada vez mais aquilo que paga ao Designer até chegarmos ao ponto de só se formar em Design quem não precisa do Design para viver.

    Esta treta de trabalhar de borla para ganhar experiência, é uma desculpa para não se pagar o trabalho feito. Se existe salário mínimo é para quem não tem experiência. Com a experiência virá melhor remuneração.

    Mas o mercado está cheio de empresas reles com CEO´s cheios de teorias, fatinhos bonitos e sapatinhos da moda, armados em grandes precursores que vão sugar até ao tutano toda a mão de obra gratuita que puderem, apenas com a justificação que um estágio na sua empresa vale ouro.

    Não vão em tretas.
    Trabalho implica remuneração, senão é voluntariado.

    Como diz um grande amigo:
    “Vale mais morrer de frio do que trabalhar para aquecer”

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