The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Processo, projecto, pretexto

Cheguei à Casa da Música dez minutos antes da hora e sem expectativas. Uma fila mais ou menos definida descia pelas escadas e curvava suavemente de encontro à Avenida da Boavista. Por um momento, pensei que aquilo era para entrar, mas alguém me sossegou: era só para levantar as reservas. Eu já tinha o meu bilhete e pouco depois estava sentado. A grande plateia à minha volta ia-se alagando lentamente de gente de todas as idades e feitios, a maioria designers, muitos estudantes, muitos professores, um ou outro arquitecto.

Tinha visto o alinhamento e sabia que iam ser conferências de vinte minutos, um formato curto, escolhido para encaixar os treze convidados num só dia. Chegou à vontade para Paula Scher, a primeira, apresentar a Alliance Graphique Internationale e uma selecção dos seus membros mais eminentes. Foi uma introdução, mais do que uma conferência, mas ajudou a contextualizar o evento. Scher admitiu, levantando os dedos para indicar aspas, que a AGI já tinha sido acusada de “elitismo”, um gesto talvez desnecessário, tendo em conta  que o próprio site da organização a descreve como um “clube de elite”. Só se entra por convite de um dos associados, aprovado pelos restantes. Em quase sessenta anos, só teve cerca de seiscentos membros, uma lista que poderia muito bem servir de índice a um livro de história do design.

No entanto, apesar da sugestão de excelência, não posso dizer que os meus primeiros contactos com a AGI me tenham impressionado. Há uns anos, comprei um livro com entrevistas a membros, chamado Essays on Design 1: AGI’s Designers of Influence, uma coisita pequena de ar apressado e com aquela tristeza implícita de um primeiro volume que nunca teve segundo. Mais tarde, passei ao lado de AGI: Graphic Design Since 1950, que folheei mas não comprei por se limitar a oferecer um rol de membros ilustrado com um ou outro trabalho, nada que um site não resolvesse – no fundo, o mesmo problema da apresentação de Scher.

As primeiras apresentações do dia não me sossegaram. A conferência de Mariscal, ausente por doença mas representado pelo irmão, limitou-se à featurette de um filme de animação sobre música cubana – só muito marginalmente teve a ver com design gráfico. Pierre Bernard, apresentou concisamente o seu trabalho, desde os cartazes do Maio de 68 até à identidade do Louvre, comentando-o com tiradas pretensiosas e pouco inspiradas. A coisa melhorou – brevemente – com um livro onde oitenta pessoas de uma comunidade, representando todas as idades entre um e oitenta anos, diziam o que era para elas a felicidade. Tirando isso, acabou por ser só uma apresentação de slides.

O designer seguinte, do estúdio londrino A2/SW/HK, substituindo à última da hora Étienne Mineur, safou-se bem. Apresentou trabalho com interesse, algumas capas de Beckett para a Faber & Faber, fontes decorativas usadas nas capas da Zadie Smith. Na altura, fiquei a pensar que quanto menos preparado o designer melhor a apresentação (ou que o pânico faz milagres).

Marian Bantjes encerrou e salvou a parte da manhã com uma apresentação articulada e terra-a-terra sobre o seu processo de trabalho, que envolvia dormir muito, olhar fixamente durante horas, trabalhar maniacamente com canetas, lápis, pincéis, palitos, flores, massinhas – tudo o que pudesse ser usado para construir a elegância intrincada e diversa das suas letras. Bastou anunciar que o seu novo livro estava à venda no átrio para o esgotar de imediato. Depois do almoço, já só aceitavam reservas.

Da parte da tarde, a coisa melhorou e consolidou.

Ahn Sang-Soo mostrou o seu trabalho sobre o alfabeto coreano. Por um lado, lembrou-me o Neville Brody de finais do começo dos noventa, uma altura em que se costumava juntar toda a informação de um cartaz ou de uma página num só aglomerado gráfico, num caracter a lembrar círculos de cereais.

Peter Knapp foi director artístico da Elle francesa nos anos sessenta e só isso chegaria para me interessar: moda psicadélica, mini-saias, texturas projectadas sobre corpos de modelos, fotografias a preto e branco confundindo-se com a tipografia da página, capas apenas com uma composição quase abstracta – só a cara e as mãozitas da modelo a denunciar uma fotografia. E, lá atrás, as únicas letras com o nome da revista. Existe realmente alguma razão para isto já não se fazer?

Sagmeister insiste na felicidade – fixe para ele. Em relação às outras quatro conferências que já o vi a dar sobre o mesmo assunto, com os mesmos trabalhos e a mesma lenga-lenga, a única novidade foi a possibilidade de vir a fazer um documentário sobre – rufar de tambores – a infelicidade. Não é propriamente uma mudança radical de assunto, mas há alturas em que qualquer mudança é uma mudança. Continua a ser um bom designer, mas as suas conferências vão-se parecendo cada vez mais com uma mensagem escrita num padrão de bananas verdes sobre bananas maduras. Com o tempo, vão perdendo o sentido, deixando para trás apenas a memória de um cheiro adocicado.

Sara Fanelli e os Cyan não me entusiasmaram muito. Nada de mau, mas também nada que me ponha aos saltinhos. A apresentação destes últimos poderia ter sido mais curta sem grande prejuízo.

Michael Bierut fez uma apresentação entusiasmada e expressiva. Cheia de ironia e humor. Admitiu que a sua capacidade para fazer boas apresentações de maus trabalhos se vira frequentemente contra ele: é tão impetuoso que ninguém tem a coragem de lhe dizer que não, mas, uns dias depois, lá telefona o cliente a dizer que não era bem aquilo – se tivesse deixado o número na conferência, tenho a certeza que ia receber outra dessas chamadas. O trabalho que apresentou foi bem intencionado, a identidade para a renovação de um conjunto de bibliotecas juvenis, mas a maneira como o apresentou foi demonstrando como o design consegue ser uma coisa preconceituosa e trapalhona, sobretudo quando sai do seu habitat natural. Tentou aplicar toda a panóplia de estratégias de branding a uma simples biblioteca, começando por substituir este termo pela palavra OWL, que funcionaria como uma marca. Em vez de irem à biblioteca, as crianças podiam ir até “à coruja”, como ele próprio traduziu para português. Também tentou a palavra “Red”, que tem o mesmo som que o verbo inglês “Read” no passado, o que dava slogans como “Have You Red?”, mas alguém lhe lembrou que se calhar não era boa ideia usar uma gralha como nome de uma biblioteca. Moral da história: o design por defeito é branding, mas quando se esforça até consegue fazer outras coisas.

Abbott Miller: profissional e eficiente. A sua contribuição veio organizada tematicamente através de aforismos: “A poster is a short story hit by a car”, “A logo is a very small piece of architecture”, “A book is a movie you hold in your hand”. Os meus favoritos foram os dois últimos: “An exhibition is a room with a plot”, o melhor resumo do que deveria ser o comissariado numa única frase, e uma boa introdução ao trabalho de Miller nesta área; já a parte dedicada à sinalética, e chamada sugestivamente “Signage is type having sex with architecture”, demonstrou como aplicar caracteres a edifícios pode ser uma arte. Aqui, pelo contrário, quanto melhor o arquitecto mais a tipografia é enxotada – em Portugal, a sinalética e a arquitectura são como um cão e uma perna.

Finalmente, Bruno Monguzzi, design suíço clássico, tudo muito bom, com apenas um momento um pouco histérico, quando demonstrou com uma pantomina as diferentes maneiras como se podia dizer o nome “Sara”: furioso (acho eu) e assustado, apaixonado ou a meio do sexo (ele não é assim tão bom actor).

No conjunto, ficou a ideia que a AGI é mais do que uma lista de nomes. Havia ligações reais entre aquelas pessoas, que se traduziam em design: o livro de Bantjes era feito com a colaboração de Sagmeister, a ilustração de um membro era usada no trabalho de outro e por aí adiante. Não sei se isso pode ser atribuído ao clube ou se o clube é apenas a concretização de uma comunidade que o precede – é indiferente, desde que exista realmente uma comunidade. É este também o melhor fruto da AGI – OPEN do Porto e dos esforços diligentes dos seus organizadores, os designers do estúdio R2: nos inúmeros coffee-breaks que pontuaram o dia, a assistência saía da sala e transbordava para a Rotunda da Boavista, enchendo os cafés e pastelarias uns atrás dos outros, como um líquido agitado, discutindo, comentando, anuindo ou discordando. Também ele um público, também ele uma comunidade.

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19 Responses

  1. Excelente resumo. Apenas uma nota: a tua frase “em Portugal, a sinalética e a arquitectura são como um cão e uma perna” é engraçada, mas é uma generalização como qualquer outra. E implica, como muitas vezes aludes, que “lá fora” é tudo do bom e do melhor – e não só graficamente falando. Porém, mesmo nos EUA o trabalho de Abott Miller é uma excepção, não a regra. A influência dele e de outros sócios da Pentagram, como os próprios Paula Scher e o Michael Bierut, têm dado grande visibilidade às suas colaborações com arquitectos mais ou menos famosos, fazendo com que o público, a imprensa e a “classe” dos arquitectos reconheçam o valor do trabalho dos designers gráficos dentro e fora da “obra arquitectónica”. Mas sobretudo o valor da colaboração entre profissionais, onde um trabalha com o outro e não *para* o outro. Isto é uma coisa que poucos arquitectos entendem – “lá fora” e “cá dentro”. Infelizmente, a maioria dos meninos e meninas desta “classe” – e esta é mais uma generalização, como qualquer outra – não sabe brincar com os outros. Esta “obra gráfica e arquitectónica” é um bom exemplo disso: http://dcrit.sva.edu/view/readingroom/a-bad-type-idea-is-a-worse-architecture-ideal/

  2. rui diz:

    E designers actuais? Ok… se calhar os que apareceram na Casa da Música até o serão… Mas estou a falar de Grandes Designers Actuais! Por outras palavras, em vez de nos apresentarem o grande designer da revista Elle nos anos 60, porque não o (ou um dos) designer(s) actuais da revista Elle? Ou então um Grande Designer da actualidade, tal como Eugene Bay (designer de branding e packaging de várias marcas de cerveja super conhecidas actualmente, entre as quais a Heineken). No fim até podiam distribuir algumas cervejas pelo público e tudo! hehe
    Ou então um Craig Holden Feinberg, um designer gráfico mais velho do que eu 1 ano e com uma experiência de trabalho 10 vezes à frente da minha. jeje Ainda é “fresco” como designer gráfico, mas podia ensinar muito, não fosse ter já trabalhado para tudo o que são revistas de design de topo e para marcas tão ou mais conhecidas como a United Colors of Benetton e a TASCHEN…

    Bem, são só 2 pequenos exemplos. Mas, de facto, não sei o que se poderá aprender num evento de design gráfico quando os seus participantes são idosos que trabalharam como designers por volta dos anos 60, ou jovens que apresentam fotografia e vídeo com uma importância tal que mais parece que o design é uma coisa herdada de fotógrafos e realizadores de cinema.

    Por mim a fotografia, o vídeo e o multimedia, embora extremamente importantes na nossa área, bem que podia ficar numa sala bem pequena e bem escondida de todos. E então, só lá para o fim do evento é que se podia falar desses temas, e até acrescentar o design gráfico 3D. O design gráfico, antes de chegar à fotografia e ao multimedia é antes de mais “Branding”. É “Packaging”. É “Publicidade”. E seriam esses os principais focos numa conferência sobre design.

    Foi pena não poder ir, pois para isso teria de faltar ao trabalho. Mas se tivesse do gostava de ver um bom “Update”, algo que fosse contextualizado com a actualidade do bom design gráfico.

  3. Nuno Jacinto diz:

    Este artigo é um bom resumo daquilo que se passou na AGI OPEN, no qual eu subscrevo pratica-mete tudo. No entanto ha que realçar algumas coisas que parece que passaram ao lado.
    Primeiro pareceu-me que esta conferencia tinha como intuito apresentar a “elitista” AGI ao publico do design, em geral. Tanto que, como a Paula Scher referiu, esta era a primeira vez que tal era feito. Todas as outras conferencias era fechadas e apenas para membros (la está a elite, a sociedade secreta). O ultimo paragrafo deste artigo acho que é um bom resumo daquilo que a AGI parece ser no mundo profissional do ponto de vista da colaboração.

    Ao Fransisco e em relação à arquitectura, parece-me que a ideia da AGI é também promover o valor do design gráfico em plena igualdade com a arquitectura. Ou seja como disseste “nós trabalhamos contigo e não para ti”, o que no caso da Pentagram há-de ser natural visto que muito dos sócios são arquitectos.

    Ao Rui quer-me parecer que nem o Eugene Bay e Craig Holden Feinberg não fazem parte da AGI, logo nao podem ser speakers pelo motivo que escrevi acima. Por outro lado permite-me que discorde de ti quando dizes:
    “Mas, de facto, não sei o que se poderá aprender num evento de design gráfico quando os seus participantes são idosos que trabalharam como designers por volta dos anos 60, ou jovens que apresentam fotografia e vídeo com uma importância tal que mais parece que o design é uma coisa herdada de fotógrafos e realizadores de cinema.”
    Eu tenho 30 anos e aprendi mais numa palestra do Milton Glaser ou George Lois, senhores de uma respeitável idade, do que em 4 do Stephan Seigmeister, Joshua Davis, Matt Pyke. Alias soube isso ha uma entrevista muito boa do Neville Brody relativo ao Anti-Design Festival na última ediçao da revista IT’S NICE THAT (www.itsnicethat.com). É tudo uma questão de valorizar o conteúdo em detrimento da forma, tal como a AGI(e o Brody no referido artigo) pertendem.

    Voltando ao artigo sobre a AGI, esta a lembrar-me da situação do Bruno Monguzzi em relação à “Sara”, ele pretendia comparar a maneira como entoarmos uma palavra com a maneira como escrevemos uma palavra, onde ele exemplificou com a palavra SHIT.

    • O meu ponto de vista é um pouco diferente. Enquanto eu estudava eu apreciava bastante o design como uma área artística e menos como uma área mediática. Mas actualmente os meus valores em relação ao design de comunicação mudaram-se mais para a “comunicação” (palavra que por acaso até está lá aplicada à área por algum motivo). Não quero dizer que a arte não comunique, mas comunicar como se pretende significa comunicar de forma directa e “funcional”.

      Enquanto somos estudantes podemos “perder” algum tempo com o design artístico e até acho uma boa forma de começar a crescer como profissionais. E isso apoio plenamente. Mas, quando falamos de profissionais de design (já enquadrados no mundo de trabalho) queremos aprender muito mais do que isso. Queremos saber mais sobre as melhores revistas actuais, o desenvolvimento da linha gráfica (branding) de empresas internacionais de referência, etc. Não queremos saber apenas de design artístico de galerias e museus, queremos saber sobre projectos que realmente têm uma aplicação prática.

      É isso que eu quero “aprender”. E é isso que muito pouco se vê em conferências. Faz falta um evento desses em Portugal, e melhor seria se acontecesse no Porto.

      Certamente já terás visitado uma ou outra exposição e conferência de Arquitectura? E porventura nunca te questionaste porque é que as conferências de Design de Comunicação nunca são assim tão objectivas e realistas? E porque é que os arquitectos evoluem tanto com eventos desses? Porque o mundo do design não é um mundo fechado como muitos nos fazem parecer. O Design é talvez a área profissional que mais se relaciona com pessoas de todo o mundo. E não há um único indivíduo no planeta que não se tenha deparado com um elemento gráfico que seja, com um cartaz publicitário, com um jornal, uma revista ou um livro, etc.

      O que certamente foi apresentado no ciclo de conferências em questão foi um conjunto de matérias que, na prática, quase nunca serão utilizadas por um designer em pleno exercício profissional.

      • Nuno Jacinto diz:

        Subscrevo na totalidade!

        Aliás nos últimos 4 anos tenho sido espectador assíduo do Festival OFFF, mas de há uns 2 anos para cá aquilo começa a saber a muito pouco. A tematicas são boas, mas apesar de ter bons speakers que são excelentes profissionais, não ha muita substancia, é mais um caso de ver as “imagens bonitas a mexer”. Lá esta, estamos a crescer e já não nos chega ver o carrossel a girar com os cavalinhos a mexer, temos de saber o “como” e o “porque”
        Talvez o que falte aos speakers é serem mais “comunicativos” (ironico nao?)mais terra-a-terra, ou então talvez nos falte a nós uma melhor capacidade de ler “entrelinhas” naquilo que é dito. Caso contrário deixamos de ir a conferencias e passamos a nossa existência em workshops (o que tombem não resolveria grande coisa)

        Em jeito de desabafo: Talvez eu, tu e até o Mário Moura, estejamos a ser críticos demais. Não sei. Mas mesmo que assim seja, isso não me parece que seja necessariamente mau, parece-me inclusive que todos nós só temos a ganhar com isso.

      • Não quis dizer que a conferência foi má, até porque nem a fui assistir sequer. Refiro-me apenas às personalidades envolvidas.

        Estou à espera de uma grande conferência que revele as técnicas de marketing e design de grandes marcas internacionais. E refiro-me a marcas de topo. O seu branding, as suas embalagens, a sua publicidade, os seus anúncios televisivos, sites, etc. Interessa-me saber como é que elas chegam às grandes massas, como conseguem atingir o topo com a ajuda do design gráfico.

      • Nuno Jacinto diz:

        Pois lamento dizer mas também não conheço nenhuma.
        O que mais se aproximam são as palestras de Seth Godin, as da conferência 99% ( http://www.the99percent.com ), HOW ( http://www.howconference.com) e Foroalfa (http://seminarios.foroalfa.org/2010/10/Conferencia_Buenos_Aires)

  4. Anónimo diz:

    Vim apenas confirmar a minha nula expectativa de encontrar um artigo interessante e descomprometido.
    Não creio que a conferência tenha sido estupenda, confesso que não chegou a superar as minhas expectativas, esperava que se abordasse mais o processo criativo e não fosse uma mostra de trabalhos dos oradores presentes, como acabou por se tornar em alguns casos. Mas sendo a conferência direccionada para estudantes e jovens designers decerto foi bastante mais construtivo ouvir designers com trabalho à vista do que ler artigos de mal dizer…Já que se acha sempre em posição de criticar e criticar e criticar, porque não subiu ao palco num dos inúmeros coffee breaks e falava do seu processo criativo? Ou então ia mostrar o seu trabalho certamente estupendo à Paula Scher para ver se ela o admitia na AGI, na sociedade secreta?

    • Porque não subi ao palco nos coffee breaks? Porque tinha ido tomar café.

      • Anónimo diz:

        Pois, elogiando a Marian Bantjes que foi para lá vender o livro dela de design com massinhas e flores certamente seguiria o exemplo e publicitar o blog…

      • Caro anónimo (pelo mail verifico que é o mesmo de há bocado),

        Quando li no seu comentário anterior que não achou a conferência grande coisa, mas sendo direccionada a estudantes e jovens designers até nem está mal, e pelo menos era melhor que escrever que a conferência nem foi grande coisa, parti do princípio que estava a brincar e dei uma resposta bem-humorada (Uma má conferência é boa para estudantes e jovens designers? Dizer mal de uma má conferência é mau? Até são ideias divertidas, se vir bem. E note que eu nem disse que era um mau ciclo de conferências – o saldo até é bastante positivo). Não imaginei que levasse a mal a minha resposta inadvertida. Pensei que estivesse a brincar. Não imaginei que alguém dissesse coisas assim a sério. As minhas desculpas se o ofendi.

        Mário Moura

  5. Anónimo diz:

    Continuo a ser o mesmo anónimo. Não sei onde leu que eu não achei a conferência grande coisa, simplesmente talvez não tenha ido de encontro ao tema como seria de esperar e como tal, sendo uma muito boa conferência no geral, teve momentos menos bons, como na minha opinião foi o caso da apresentação da Marian Bantjes. O que me meteu alguma confusão foi ver o sarcasmo com que escreveu o artigo, não objectivamente derrotista mas sim no espírito com que envolveu todo o artigo e isto é a minha opinião pessoal. Sobretudo na sua afirmação em relação ao Sagmeister, como seria de esperar ele não iria consultar a plateia para saber quais dos presentes já tinham visto conferências suas, creio que a maioria não tinha visto e como tal a sua mensagem, para mim das mais válidas de toda a conferência, tem valor, sobretudo quando dirigida a um publico jovem como foi o caso. É estranho ver um professor universitário da área do design, da Faculdade de Belas artes do Porto como que a negar o valor e a abordagem conceptual e artística que creio muitas das vezes faz falta no design, talvez apenas em Portugal. Como é óbvio não me ofendeu, a falar a que a gente se entende…
    Cumprimentos

    • Onde eu li que não achou a conferência grande coisa? Onde escreveu “Não creio que a conferência tenha sido estupenda”. Experimente ler o meu comentário anterior substituindo “grande coisa” por “estupendo”: “Quando li no seu comentário anterior que não achou a conferência estupenda, mas sendo direccionada a estudantes e jovens designers até nem está mal.” É a mesma coisa.

      Quando assinei o contrato nas Belas Artes, o Estado Português foi suficientemente benévolo para me deixar manter as minhas próprias opiniões. Apoiar uma coisa que achamos de qualidade inferior simplesmente porque faz falta é um argumento condescendente. Se critico alguma coisa e estou disposto a dar a cara pelas minhas opiniões, sendo inclusive pago para as escrever, é porque acredito num público inteligente que merece o melhor.

      (Quanto ao sarcasmo, tem toda a razão – estou sempre a usá-lo)

  6. Anónimo diz:

    Mário, desculpe-me se isto parece um ataque pessoal, é apenas uma disputa de opiniões e argumentos que valorizo e considero construtiva. Por favor não use aspas quando faz más transcrições do que eu digo. Eu nunca disse que sendo direccionada para estudantes e jovens designers até nem está mal, queira confirmar se eu disse isso. Concordará comigo que o design mais que uma profissão é uma forma de estar e de pensar e como tal apesar de algumas apresentações, na minha opinião não terem resultado muito bem, considero construtivo o contacto que a conferência proporcionou às pessoas presentes, nomeadamente aos estudantes e jovens designers, pela experiência de poder ouvir pessoas que têm coisas interessantes a dizer e que vão de encontro às suas ambições e convicções. Não queira fazer do facto de ser pago para escrever um argumento a favor da sua escrita porque no país em que estamos isso não é de todo sinónimo de qualidade sobretudo quando faz do design política como fez neste e noutros artigos, qual escrita à Mário Crespo. Acredita num público inteligente que merece o melhor, entendendo que a sua opinião é a melhor.
    Pode perfeitamente moderar o comentário, não faço questão de poluir o seu tão prezado e inteligente blog.

  7. Isto foi o que escreveu exactamente (transcrito usando copy/paste) :

    “Não creio que a conferência tenha sido estupenda, confesso que não chegou a superar as minhas expectativas, esperava que se abordasse mais o processo criativo e não fosse uma mostra de trabalhos dos oradores presentes, como acabou por se tornar em alguns casos. Mas sendo a conferência direccionada para estudantes e jovens designers decerto foi bastante mais construtivo ouvir designers com trabalho à vista do que ler artigos de mal dizer…”

    A primeira frase indica claramente que achou que a conferência não foi estupenda e diz porquê. A frase seguinte começa por um “mas”, uma conjunção que neste caso expressa uma ressalva em relação àquilo que foi dito anteriormente. Ou seja, é dito que a conferência não foi estupenda no entanto como é dirigida a jovens estudantes e designers foi decerto melhor do que uma coisa que considera de má qualidade, nomeadamente os meus textos. Ou seja: a conferência nem foi grande coisa mas como é dirigida a jovens estudantes nem é assim tão má. Se não era isso que queria dizer, devia ter escrito outra coisa.

    Se ler o meu texto há-de reparar que embora tenha expresso opiniões negativas sobre as apresentações de uma série de designers, não apresentei nenhum tipo de opinião sobre as personalidades deles ou os insultei de qualquer modo ou à sua profissão de designers ou de conferencistas – a menos que se considere insultuoso ter uma opinião distinta da deles.

    Ao longo deste blog, sempre houve comentários a textos que escrevi que exprimiam opiniões diferentes das minhas. Se essas opiniões eram expressas de um modo articulado discutindo as minhas ideias e não os meus motivos para tê-las (inveja, cobiça, estupidez, etc.) ou a minha legitimidade para as exprimir (ele só diz porque é professor, porque não é designer, porque é do Porto, porque é de Lisboa, etc.), sempre lhes respondi do mesmo modo.

    Considero, como é óbvio, insultuoso que dê a entender que este é um artigo de mal-dizer. Se digo que sou pago para escrever, é porque tenho profissionalismo no que faço. Dizer a um crítico que só se queixa ou que criticar é dizer mal, é como dizer a um designer que aquilo que faz é só mudar a fonte e cobrar um balúrdio. Também não considero que dizer “Já que se acha sempre em posição de criticar e criticar e criticar, porque não subiu ao palco num dos inúmeros coffee breaks e falava do seu processo criativo? Ou então ia mostrar o seu trabalho certamente estupendo à Paula Scher para ver se ela o admitia na AGI, na sociedade secreta?”, seja uma boa maneira de começar uma troca de ideias serena e civlizada. Continuá-la com “Pois, elogiando a Marian Bantjes que foi para lá vender o livro dela de design com massinhas e flores certamente seguiria o exemplo e publicitar o blog…” também não. Efectivamente é apenas mais uma versão do “É fácil criticar, mas experimenta fazer melhor” – uma maneira clássica de mandar calar alguém, sem apresentar uma razão válida para isso. Não preciso de ser um membro do parlamento, para criticar o seu trabalho, tendo em conta que ele afecta a sua vida. Não preciso de ser um cozinheiro para perceber que uma refeição está mal feita ou estragada.

  8. Anónimo diz:

    Creio que qualquer pessoa sabe fazer um copy/paste mas talvez nem todos saibam fazer uma enunciação. Não foi isto que eu disse : “Quando li no seu comentário anterior que não achou a conferência estupenda, mas sendo direccionada a estudantes e jovens designers até nem está mal.”

    Muito provavelmente jovens e estudantes têm mais humildade que o Mário e entendem que aquelas pessoas terão algo interessante a dizer. A partir daí cada um retém o que quer porque lhe interessa, respeitando o seu valor embora podendo não se encaixar nas suas convicções.

    Por outro lado, não discuto que seja profissional na sua escrita, mas certamente quando é pago para escrever não se pronúncia com tiradas ao estilo de treinador de bancada como “Sagmeister insiste na felicidade – fixe para ele.”. Isso não questiona o seu profissionalismo mas a sua sensibilidade para criticar um assunto que pretenciosamente se propõe a criticar. Não se pede um rigor jornalístico nem uma omissão da opinião pessoal mas a contundência e sarcasmo imbuído numa pretensa poesia com que escreve transparece menosprezo pelo assunto que critíca.

    ” Porque o design envolve tanta paixão, o trabalho tem um impacto inevitável na vida privada; transforma o modo como vemos o mundo; faz-nos crescer” por Lizá Ramalho e Artur Rebelo.

    É um excerto do texto de introdução no caderno que ofereceram na conferência e que subscrevo. Provavelmente o Mário não terá nenhum exemplar por achar que sabia muito mais que aquilo e por isso que o seu conteúdo não seria suficientemente bom para lhe interessar enquanto crítico profissional, pago para escrever e professor das Belas Artes contratado pelo estado português. Se não partilha desta filosofia, certamente que a conferência não era direccionada para si e como tal não podia esperar que chegasse aos seus padrões de alto nível.

    Desceu do seu pedestal e chegou à Casa da Música dez minutos antes da hora de início da conferência, despreocupado e sem expectativa, achando à partida que o que iria acontecer ali não teria interesse nenhum para si.

    • Conforme já tinha dito no comentário acima, tenho por hábito concordar ou respeitar razões e não tiradas sobre a minha humildade ou os meus possíveis preconceitos. O mesmo se aplica aos preconceitos de terceiros sobre o que eu devia ou não achar como crítico, professor ou público de uma conferência. Até agora só falei do modo como você argumenta e escreve. Nem poderia fazer mais nada, sendo você um anónimo. A única coisa que sei sobre você é que escreve comentários idiotas em blogs (tenho a certeza que é uma excelente pessoa que gosta de gatinhos e salva golfinhos e conta carneirinhos com apenas o problema crónico de escrever comentários idiotas em blogs). Nesses comentários, escreve coisas e depois diz que não as escreveu; vai negando as interpretações mais óbvias dos próprios textos; tudo isto enquanto vai acumulando um autêntico cartão de bingo de insultos pessoais dirigidos a mim, e vai confundindo a peixeirada que iniciou com “uma disputa de opiniões e argumentos” que valoriza e considera construtiva.

      Se dei troco é porque devo ter um fraquinho por trolls porque sempre que aparece por aqui um, trato-o como se fosse um gatinho com os olhos grandes. Para que não se fique a pensar que chamo nomes desnecessariamente aqui fica a definição de troll da Wikipedia: “In Internet slang, a troll is someone who posts inflammatory, extraneous, or off-topic messages in an online community, such as an online discussion forum, chat room, or blog, with the primary intent of provoking other users into a desired emotional response or of otherwise disrupting normal on-topic discussion.”

      Apenas um pormenor:

      – Crítica e Jornalismo são duas modalidades distintas de escrita com regras distintas, enquanto um jornalista descreve os factos, um crítico dá a sua opinião. Se não fosse assim, um crítico de cinema só poderia dar um resumo de um filme e dizer onde ele está a passar.

      Dito isto, vou seguir o conselho dos meus amigos e dirigir a minha paciência para outras coisas que não aturar trolls.

  9. marcelino diz:

    Venho atrasado e vou apenas dar a minha opinião a respeito da conferência.
    Não tendo qualquer referência na área do Design, porque estou no 1 ano de Design de Comunicação na FBAUP e porque já tenho 30 anitos e uma licenciatura en cinema, no computo geral a conferência pareceu-me pobre. Foi essa a sensação com que saí de lá. E aqueles erros técnicos constantes ainda reforçaram mais essa sensação. Com algum humor até as podiamos considerar como parte do processo e até cheguei a pensar que aquilo era encenado para dar mais credibilidade. Quem nunca se deparou com um erro técnico no computador? Logo percebi que não era encenado.
    Pode ser que por não ter o olho treinado para estas questões do Design, a tenha considerado pobre. Mas foi interessante ver que cada um tinha os seus métodos, as suas preocupações a roçarem algumas vezes o existencialismo, não que me incomode isso, até porque não temos mais nada do que a nossa existência, sendo o restante acessório.
    Independentemente da área em questão, creio que se deve ser o mais claro, conciso e concreto. A forma, apercebo-me disso, vem do investimento no processo e no conteúdo e querer partir do oposto leva a objectos frágeis e sem consistência. Para mim, o mais importante é mesmo o processo, o que temos de percorrer, com dúvidas, incertezas, certezas e afins no mesmo pacote. Dou por mim a investigar coisas como genética, biologia, etc, e não as vejo como fragmentos separados e nem sequer complementares, mas sim como parte do mesmo todo.
    No final de contas, tudo pode ter um discurso, dependendo da educação de cada um. Marian Bantjes afirmou que consideravam a sua obra pouco conceptual. Até vejo porquê.
    Mas ao mesmo tempo podia ver que as mesmas continham uma certa beleza e que isso pode conter um discurso critico, numa era em que se valoriza demasiado o conceptual, até roçar o abstrato.
    No final de contas, cada um vê o que se lhe assemelha, vê aquilo que é no exterior, aquilo que pensa é a forma como interpreta o mundo, sendo limitado. O observador com a sa história pessoal, os seus conceitos preferidos, pré-conceitos, é sempre limitado. Por essa razão existe dificuldade em entender as opiniões, trabalhos, o que seja, de outros. Até ao momento em que assimila e absorve e o faz seu, passando a pertencer à sua história pessoal aumentada.
    Ou usando um chavão muito comum: é aprender a aprender e gostar disso. Para que isso seja completo, é mais importante quiça aprender a desaprender, mesmo aquilo que nos é mais precioso. Chamem-lhe evolução, o que quiserem. Eu prefiro chamar-lhe pragmatismo e isso pode ter relação com o acto de síntese, de simplificação. Simplificar é a coisa mais complexa que existe, primeiro porque não existe definição para o que é simples, depois porque o processo é demasiado profundo. Para mim algo simples, um objecto simples, seja de qualquer forma for, contém em si uma certa multidimensionalidade. O objecto nunca é apenas aquilo que se vê, é sempre mais qualquer coisa. Faz-me recordar aquela expressão – a parte contém o todo. Uma espécie de unidade que contém a imagem do todo, esse parece-me o conteúdo de um objecto simples.
    Acho que acabei por me desviar ao que me trouxe aqui. Se calhar o processo é isso mesmo, aprender com os desvios ou deixar-se desviar ou coisa parecida.
    E estas coisas não se ensinam. Fazem parte naturalmente de quem tem curiosidade e espirito inquisitivo, quem não se conforma com nada. Lembro Einstein, Bohm, Da Vinci, Bruno e outros que foram além do status quo e do pré-determinado. Numa era em que insistentemente nos dizem desde criança para termos certezas e para nos mantermos agarrados a elas, em algum momento deparamos-nos directamente com contradições na nossa atitude. Quando assim é, é sinal de fazer o pisca e virar seja para que lado for.

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